terça-feira, 20 de janeiro de 2015

42 anos de eterna saudade

Gostaria de, num gesto simbólico, oferecer ao INEP uma raridade bibliográfica que consegui finalmente adquirir, para esse efeito, depois de muito regatear com o alfarrabista. Trata-se eventualmente do primeiro trabalho de investigação científica de um guineense a ser publicado em letra de imprensa.

Para a sua escassez e eventual desconhecimento, terá decerto contribuído o facto de esta edição ter sido mandada recolher de todas as bibliotecas públicas, em Portugal, desde que o seu autor passou a ser rotulado de subversivo e persona non grata. Estou a falar, evidentemente, de Amílcar Lopes Cabral.

O livro de que falo, publicado em 1958 pela Junta de Investigações do Ultramar, na colecção Estudos, Ensaios e Documentos, intitula-se «Acerca de uma classificação fitossanitária do armazenamento» e apresenta um prefácio de Baeta Neves, com o elogio à oportunidade e mérito do seu autor.

Agradeço ao meu muito amado irmão Leopoldo, agora à frente dos destinos da instituição, que me informe como posso entregar a minha dádiva, ou promova a sua recolha e transporte para Bissau, onde espero possa servir como pequeno contributo para a refundação dos seus arquivos, tão ofendidos durante a guerra de 1998-99.

E que possa igualmente contribuir para uma renovação do interesse pela história e pela preservação da memória dos grandes feitos de Cabral, como épico e messiânico fundador da Nação guineense (foram estas as palavras que me ocorreram para descrever um artigo do Arquitecto Fernando Teixeira de 2010, republicado, muito a propósito, por esta ocasião, pelo Didinho, no seu Facebook).

1 comentário:

Leopoldo Amado disse...

Caro José

Muito me honra e ao INEP a oferta de tamanha preciosidade que acaba de fazer. Quero agradecer-te o gesto e a magnanimidade, pois só uma pessoa de vistas largas como as que possuis é capaz de compreender a importância de que reveste uma obra destas. É pois com todo o prazer e honra que aceito receber o livro, em nome da Biblioteca Pública do INEP.

Grato

Leopoldo Amado