sábado, 30 de novembro de 2019

Tchur

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

FACTO ou FAKE2

FACTO: 17,35% dos votantes dos candidatos derrotados na 1ª volta, APOIAM e VOTARÃO no candidato Domingos Simões Pereira na 2ª volta.

Contas simples de (des)fazer, passo a passo:

1) calcular a percentagem dos "candidatos derrotados na 1ª volta", ou seja, todos aqueles que não votaram DSP
100% menos 40,13% (votos em DSP) igual a 59, 87%

2) calcular 17,35% desse valor

59,87% vezes 17,35% igual a 10,39%

Os 17,35% em causa correspondem portanto a 10,39%, se reportados aos 100% da primeira volta.

Contudo, pela análise do quadro de resultados, constata-se que, retirando aqueles que já deram o seu apoio ao candidato número 11 (e mesmo admitindo que o candidato número 2 consiga recolher todos esses apoios residuais), estes não chegam a 4%.

Esse valor corresponde apenas e aproximadamente ao mínimo necessário, ao referido candidato, para conseguir vencer.

Confunde-se portanto um simples e irrealizável DESEJO com um FACTO. Matemática bué de Boé.

Conclusão irrefutável: contra factos, não há argumentos, ainda para mais, contrafake2s (ler contra-feiquetos).

Beck to the future II

Replicando a ilustração do proveitoso exemplo aqui mesmo ao lado, no vizinho Senegal.

Mortalidade de eleitores entre a primeira e a segunda volta: 0,6%: Wade não teve nem mais um voto na segunda volta do que à primeira.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Enigma

Por que razão os habitantes da Moita e do Montijo consideram o 11 um número par?

Beck to the future

É de elogiar todo o envolvimento e conhecimento pessoal do Director da DW África lusófona, no acompanhamento de perto da situação na Guiné-Bissau. 

Contudo, discordamos de herr Johannes, quando afirma que DSP é favorito, apenas porque surgiu à frente na primeira volta (com toda a "engenharia" que se conhece... apesar da efémera casa da Guiné no Porto tuga, ninguém foi recenseado por lá, e é apenas um exemplo). Uma vez que parece dar mostras de acompanhar a situação de perto (apesar de algumas ligeiras imprecisões: a ANP esteve bloqueada anos e não "meses"), é curioso que não tenha entrado em linha de conta com a frente anunciada da maioria dos candidatos relevantes contra DSP (parece não ter lido com a devida atenção a hiperligação que estabelece para a magnífica entrevista a Augusto Nhaga, pois esta contraria a afirmação que a sustenta), a qual faz antever a forte probabilidade de Domingos não ter nem mais um voto que aqueles que já teve (descontando uns tantos para um mês de mortalidade). 

Já que parecem estar na moda os palpites, cá vai o nosso, para a posição 2, na volta 2:   222 222 votos. 

Sugestão de apuramento linguístico: evite o "ele" ou "ela"; prefira o "este" ou "esta", ou, como neste caso, simplesmente omita o sujeito, quando este transita. Podia, com vantagem estética, começar a frase por "Ganhou...".

«Domingos Simões Pereira, o eterno rival de Jomav, é agora o favorito na segunda volta das eleições de 29 de dezembro. Ele ganhou 40,1% dos votos na primeira volta [222 870]»

sábado, 23 de novembro de 2019

Print Screen Nº 7

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Flying over a baguera's nest

Se a CEDEAO tiver memória diplomática, recomenda-se vivamente a consulta do documento classificado, intitulado "Appel au bon sens", entregue pelo então Secretário de Estado português para a Cooperação, na V cimeira de Chefes de Estado, realizada em 3 de Julho de 1998, em Abidjan.

É que esse documento profetiza aquilo que aconteceu a 7 de Maio do ano seguinte, muitos milhares de mortos depois.

Se quiserem retirar alguns ensinamentos actuais, basta lerem com atenção. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O velho rôto e as novas rótas

Ainda na página 272, como el-rei despachou o maricas

«Do que el-rei fez a Heitor Borralho

Um Heitor Borralho cavaleiro da casa de el-rei vindo da Guiné por capitão de uma caravela vinha muito alvo; e quando beijou a mão a el-rei e este o viu assim, espantou-se e perguntou-lhe como vinha tão alvo; e ele lhe respondeu "Senhor, fui e vim sempre muito embuçado, com touca e sombreiro e sempre luvas calçadas" e el-rei lhe disse: "Não fôra melhor vir negro como homem, que alvo como mulher? Quem isso faz é néscio e não serve para nada" e o fez levantar e ir sem o querer mais ouvir.»

Black is beautiful!

E ainda, como el-rei despachou as conchas de volta para a Guiné

Há ainda a curiosa história do sistema monetário africano, com base numa célebre concha. O nome científico da antiga moeda local é cypraea moneta (e hoje até consta do "brasão" da CEDEAO).

Os primeiros comerciantes judeus à escala global, deslumbrados pelas imensas oportunidades que os portugueses estavam a criar com as suas novas rotas, atafulhavam as primeiras caravelas de bugigangas e pechisbeque (além de fazerem escala na ilha do Sal para se abastecerem dessa mercadoria e irem até à Serra Leoa comprar cola para vender aos mandingas), sendo a procura sistematicamente superior à oferta solvável, graças aos termos de troca manifestamente favoráveis que estabeleciam. Para além das trocas por ouro, marfim, peles, malagueta, escravos, etc, passaram pois a aceitar e a aforrar a "moeda", com a qual esperavam efectuar compras futuras. Ou seja, estavam a tentar aplicar em África, a acumulação primitiva que faziam na Europa. 

Contudo, brevemente chegaram aos ouvidos de el-rei as conversas que se ouviam em Lagos (na costa algarvia e primeira plataforma comercial intercontinental), estranhando muito o aumento dos preços na Guiné. Efectivamente, o que aconteceu foi que os comerciantes estrangeiros, ao sugarem toda a massa monetária local, deram um rude golpe na economia monetária (outros viriam, como quando descobriram do outro lado do Atlântico que também tinham dessas "conchinhas" - dinheiro, que podiam trocar por pessoas), que havia adquirido uma certa estabilidade (ao nível da África ocidental já conhecida por essa altura, estendendo-se aos reinos do Congo e de Angola, este último, cujo poder assentava na colecta monetária no rio Kwanza), a qual rapidamente foi forçada a regredir ao estádio da troca. Estranhava-se o aumento dos preços, porque as regras da economia de mercado dizem que a escassez de moeda produz o efeito inverso, ou seja, a baixa dos preços. Quanto menos moeda há, menor é o preço que os vendedores estão dispostos a aceitar. Contudo, na Guiné, a coisa estava a passar-se ao contrário. El-rei, que tinha os melhores serviços de informação do seu tempo, rapidamente percebeu como a economia tinha voltado à troca pura e simples, com todos os preços a subir por não haver troco. E, ao receber essa notícia, muito radicalmente irritado, tirou na hora um decreto (cuja cópia se conserva), ordenando o confisco e a restituição imediata das "divisas" acumuladas nos cofres, condenando a pesadas penas quem fosse descoberto na sua posse. Imagina-se a reacção de el-rei, perante a estupidez dos proto-capitalistas desambientados:

_Devolvam já ao raio dos pretos a merda das conchas!

Dom João II e os negros da Guiné

Já que estamos em maré de ferir estereótipos, e só para não cansar muito os leitores como parece ser apanágio deste blog, vamos limitar a dissertação à Crónica de Garcia de Resende. Os eventos referem-se aos anos anteriores a 1492, ainda a América permanecia (oficial e supostamente) ingenuamente ignota e feliz.

p. 262

"e el-rei disse:
_Antão de Figueiredo, tendes vós seis homens de capa, e seis moços, e quatro escravos e duas escravas brancas todos muito bem vestidos e ataviados"

Pergunta ingénua: então mas havia escravas brancas?

Pergunta ingénua 2: então mas os escravos não andavam todos acorrentados?

p. 171

Num banquete da festa de recepção da infanta herdeira (à época) de Castela (pouco depois, Espanha), para casar com o Infante herdeiro (único) da coroa de Portugal, casamento que dispensava aquele que viria a ser o Tratado de Tordesilhas, estando representado todo o corpo diplomático europeu (e espiões de várias origens)


"houve aí uma muito grande representação de um Rei da Guiné em que vinham três gigantes espantosos que pareciam vivos de quarenta palmos cada um com ricos vestidos todos pintados d'ouro que parecia cousa muito rica, e com eles vinham duzentos homens tintos de negro muito grandes bailadores todos cheios de grossas manilhas pelos braços e pernas douradas, muito bem concertados: coisa muito bem feita e de muito custo, por serem tantos."

Pergunta ingénua 3: então mas havia uma representação diplomática de um rei da Guiné acreditada em Portugal?

Pergunta ingénua 4: e era "grande"? quer dizer o quê? maior que a francesa e a de Veneza (potência económica da época)?

Pergunta do 9º ano: Lendo com atenção, os meninos e as meninas acham que o bailado guineense que provocou sensação e mereceu os mais rasgados elogios na mais poderosa Corte da Europa dessa altura, era constituído por escravos?

Pergunta (já pleonástica) ingénua 5: então mas haviam (na Europa) brancos escravos e negros livres?

Os números de página referem-se a uma edição crítica confiável, com a vantagem de estar disponível on-line.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Negros e escuros


A-dos-Negros é uma pitoresca aldeia, perto de A-dos-Cunhados, ou de A-dos-Francos, lembrando o povoamento francês dos cruzados que por cá ficaram, no tempo de Dom Afonso Henriques (como também acontece, nesta mesma zona, com a Atouguia da Baleia e Lourinhã). Muitos estranharão: então mas haviam negros em Portugal no tempo do primeiro rei, meados do século xii? Sim. Livres e alguns bastante ricos. Dom Afonso Henriques, para provocar o Papa e a hierarquia religiosa (que o queriam obrigar a casar com aquela que veio a ser Rainha), chegou a nomear um Bispo negro para Coimbra. O primeiro (e o segundo) senhor(es) de A-dos-Negros era(m) scalabitanos. O título foi concedido por Dom Afonso Henriques, (o documento está guardado na Torre-do-Tombo), agraciando o seu companheiro de armas (negro, espião e o homem mais rico do reino, tal como viria a ser o filho, por sua vez banqueiro do filho de Dom Afonso Henriques, Dom Sancho). Na conquista de Santarém de 1147, notabilizou-se igualmente (se bem que não tanto quanto o primeiro, que foi o primeiro a subir às muralhas) Pedro Escuro, na Porta de Valada, em perseguição do Alcaide que o Grande Abu Zacaria tinha deixado no seu lugar. Em Portugal fala-se muito de almorávidas, mas a sua origem é bem mais a Sul do que a maior parte imagina...