Opinião recebida por email, que desde já agradeço ao Fernando Soares da Gama.
Quem tem medo do regresso do Carlos Gomes?
O Kumba Yalá?
_Não, porque tem o seu eleitorado fixo e controla uma parte das forças de defesa e segurança.
O Antonio Indjai?
_Não, porque ele já sabe que o seu destino será idêntico ao de Bubo. Só que se o Antonio Indjai falar, o Cadogo vai ficar manchado.
O Serifo Nhamadjo?
_Não, porque já o desafiou no partido e agora, qualquer que seja o desfecho, é Presidente de Transição, reforçou-se politicamente e na sub-região.
O Carlos Correia?
_Não, porque tem autoridade moral no PAIGC e foi por isso que baralhou o processo de congresso do partido que marcava vitória clara de Domingos Simões Pereira.
O PAIGC?
_Não, porque o Carlos Gomes nunca foi verdadeiramente do partido e ali se encontra a explicação porque é que nunca o Carlos Gomes controlou realmente o PAIGC, era só «fantochada». Se isso não for verdade, que me expliquem como perdeu uma eleição presidencial sendo Presidente do partido maioritário na Assembleia e Primeiro Ministro durante 4 anos? Outra informação: Angola nunca apoiou a pessoa de Carlos Gomes, mas o candidato do PAIGC!!!
O Braima Camará?
_Não, porque o Comité Central do PAIGC por várias razões, não só étnicas, é amplamente pró Braima Camará.
O Helder Vaz, agora na qualidade de candidato às eleições presidenciais?
_Não, porque Portugal sempre apoiou o Movimento Bafatá e Helder Vaz durante esses vários anos como Director Geral da CPLP reforçou os laços com o mundo politico e económico português, que sempre olharam o Bafatá como uma alternativa ao PAIGC.
O Paulo Gomes, agora candidato às eleições presidenciais?
_Claro que não, porque é um dos candidatos que sempre realçou o nome da Guiné e que tem lobbies mais fortes do que todos os outros candidatos, em Portugal, passando pela França, Angola, Estados Unidos e União Europeia. O Fórum Económico de Bissau, foi só a «ponta do iceberg». Só para recordar que mesmo o Conselheiro Económico de Barack Obama esteve em Bissau, sem contar outras personalidades.
Afinal quem tem medo do regresso do Cadogo a não ser o próprio Cadogo, que tem muitas contas a prestar a familiares de vítimas e ao Tesouro Público guineense. A estadia do Carlos Gomes em Lisboa pode vir a tornar-se um caso delicado, com a abertura de um inquérito pela Policia Judiciária, por causa duma transferência de mais de 1 milhão de euros que cheira a branqueamento.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Quem tem medo do lobo mau?
Cada um por si?
Num honesto e correcto apelo à humildade, Flaviano Mindela dos Santos, publicado pelo Ditadura do Consenso, enuncia os argumentos nos quais alicerça a sua opinião, defendendo a não concretização da candidatura de Paulo Gomes, já publicamente apoiado por algumas vozes importantes no seio da comunidade internacional.
O mesmo género de apelo, seria válido para Carlos Gomes Junior, considerando as circunstâncias: desista das suas pretensões inoportunas, valorize o amor à pátria em detrimento do próprio. Deixe de armar em Primeiro-Ministro «legítimo», decida-se a voltar à Guiné-Bissau como simples e humilde cidadão, para cuidar dos seus negócios.
Helder, não vás, também, por aí: não se trata de uma corrida ou de um concurso de beleza. Esta parece mais uma falsa partida, para todos os concorrentes. O HV (high valued) padrão de actuação parece continuar o mesmo de sempre: aparecer no fim, quando o desfecho parece certo, para reclamar os louros da contenda. Standart Red Green Blue.
Já o Dr. Cherno Jaló, perante tão ilustres competidores, talvez devesse defender aquilo que diferencia a sua proposta, (pela positiva?) da dos demais. Tal como o Dr. Paulo Gomes percebeu, hoje, as redes sociais, pelo seu papel de vanguarda (mesmo actuando através de um pequeno espectro de penetração social), serão importantes no desenlace.
Está na altura de todos os candidatos, pretendentes, até aos simples anónimos, começarem a discutir e a confrontar positivamente as suas ideias; para isso dispõem hoje de uma panóplia diversificada de blogues bastante inter(activos), interventivos e sempre actualizados, de fazer inveja a qualquer nação, uma democracia da opinião.
Simples currículos e ocas declarações de intenções não chegam. É preciso correr as tabancas (como Domingos Simões Pereira), saber ouvir... Mas também estar presente na internet e na rádio de uma forma positiva. Haverá que esclarecer quais as ligações dos projectos respectivos aos resultados das legislativas e, porque não, criar um fórum comum de discussão.
Alguém me ajude: _Qual era a força dos mosqueteiros?
«Programa» mínimo
O caso dos polícias cabo-verdeanos parece encerrado. Os profissionais, que nunca deveriam ter desembarcado do avião «em serviço», nem pisado um chão do qual o seu país não reconhecia as autoridades de facto (há mais de um ano, tiveram tempo para reconsiderar antes), poderão finalmente regressar às suas famílias. O seu caso humano foi lamentável, mas, estando ao serviço (de incompetentes, mas pronto), vão de consciência tranquila e com o sentimento do dever cumprido. Acabaram por prestar um bom serviço, restabelecendo o diálogo.
Sem que se conheçam as restantes contra-partidas prestadas pelas «instâncias» do país visado (por falta de visto de entrada), pode constatar-se um saldo positivo de toda a fricção: as autoridades da Guiné-Bissau foram finalmente reconhecidas por Cabo Verde, com o oportuno aparecimento de um «embaixador» (embora, seguindo o modelo americano, com sede em Dakar; e, pergunta-se, esse «embaixador» foi credenciado? perante a Presidência? não deveria sair do país sem primeiro apresentar cumprimentos de despedida...) para a Guiné-Bissau.
Inaugurada assim uma nova fase das relações entre os dois países, após um desadequado interregno de mais de um ano (impunha-se há muito a abertura de um canal de comunicação, que poderá no futuro dissipar preventivamente casos similares), espera-se que Cabo Verde possa dar outros passos no sentido do fortalecimento dos laços que unem o país ao continente, de boa fé numa verdadeira comunhão de interesses linguísticos, culturais, económicos, e até filosóficos. Parece chegado o momento para repensar as opções estratégicas do eixo Praia-Bissau.
terça-feira, 30 de julho de 2013
Psico
A candidatura de Cadogo, ex-Primeiro Ministro ex-ante (demissionário para candidatura) e conhecido empresário, é claramente inconstitucional.
Como Filomeno Pina lembrou há tempos, a sua insistência doentia e as suas expectativas claramente sobredimensionadas e ultrapassadas, apenas o poderão prejudicar psicologicamente perante a humilhação que as urnas lhe reservam (se lá chegar, por inoperância da CNE).
Faz lamentavelmente lembrar a Triste tentativa de retorno de Mário Soares, humilhado nas eleições com metade da votação do seu amigo Manuel Alegre. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.
De Killer a Chicken...
Cavo Berde resgata-se
As «instâncias» cabo-verdeanas mostram-se cada vez mais impacientes na resolução do caso dos dois espiões, com pedidos de desculpa do seu SEF ao homólogo guineense (justificação tardia e demasiado mastigada), contradições, etc. Umas baratas tontas sem o mínimo de serenidade ou sentido de Estado. E como muito bem lembrou o líder do MpD ao presidente, esta é uma oportunidade para mudar de discurso... (e já agora, redimirem-se dos seus erros, em relação aos quais foram atempada e repetidamente avisados por Corsino Tolentino).
Uma vez que foram anexados pelos Estados Unidos (52º Estado, depois de Porto Rico) talvez possam pedir ajuda a esses amigos «da onça», que deixam os lacaios em maus lençóis... Como pagou a DEA o serviço? Em droga, como é costume na organização? A única solução parece ser convencê-los a repor a situação ex-ante: ou seja, a devolução de Bubo ao Geba, acompanhado de uma pequena nota pedindo desculpas pelo equívoco. Dois cabo-verdeanos por um guineense. Para não parecer desequilibrado, digamos antes um Almirante por dois polícias.
Quanto ao tribunal de Nova Iorque, tenho a certeza de que o senhor Almirante fará um ponto de honra em se apresentar depois, pelo seu próprio pé, à «justiça» americana.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Manchete: PP, do PP, para a PP
Rui Machete, advogado e político experiente, em tempos à frente da FLAD (dinheiro americano para desenvolver o capitalismo), é o novo Ministro dos Negócios Estrangeiros, substituindo Paulo Portas, de triste lembrança: a sua passagem pelas Necessidades revelou-se um autêntico desastre.
Espera-se uma forte inflexão na política externa portuguesa, com maior dose de pragmatismo e humildade. Desde já apresento ao novo Ministro o meu desejo das maiores felicidades no nobre cargo de que acaba de ser investido, na expectativa que em breve corrija os erros do antecessor.
sábado, 20 de julho de 2013
Benefício da dúvida
Queria pedir aos irmãos intelectuais balantas que concedessem ao irmão Ramos-Horta o benefício da dúvida. Todos erramos. Talvez certas posturas iniciais não tenham sido as mais adequadas, mas José Ramos-Horta está a tentar corrigi-las. Todos aprendemos e vamos aprendendo com tudo o que tem acontecido. Arriscar-me-ia mesmo a afirmar que na Guiné se estão a dar provas de verdadeira civilização ao mundo e o processo não é fácil. Aproveito ainda para lembrar que este não se ofereceu; a sua mediação foi solicitada de Bissau.
Logo se verá o resultado da sua presença em Maputo, para o funeral da CPLP.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Incoerências...
«As autoridades de Cabo Verde apresentaram nas instâncias competentes guineenses um pedido de libertação, que ainda não obteve resposta.» Lusa
Se calhar apresentaram às instâncias erradas... Entregaram o pedido a Raimundo Pereira ou a Carlos Gomes Junior?
É natural que uma coisa que não existe, não responda. Uma reacção mais discreta e low profile seria mais adequada a quem fez borrada.
Esclarecimentos? Com urgência? Agora têm pressa? Quem tem de dar esclarecimentos é Cabo Verde. Que faziam os espiões em Bissau?
O melhor é confessarem. É que a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe não ratificaram a Convenção Internacional contra a tortura...
Tratam os guineenses como selvagens, depois admiram-se.
Culpa morre solteira
Para saudar o artigo de Daba Na Walna, sobre a «impunidade»: respeitando escrupulosamente a constituição, que inibe os militares de se pronunciarem publicamente sobre assuntos políticos (e no actual contexto, qualquer afirmação menos cuidada pode ser tomada por «política»), tem escolhido temas «frios», permitindo manter assim uma presença activa e positiva das Forças Armadas na actualidade nacional (que viveu na última quinzena um verdadeiro desfile de representantes de variadíssimas missões internacionais).
Tal como Cabral, que se irritava com os amuletos, tentando explicar aos seus guerrilheiros que deviam aprender a ser bons combatentes e não confiar nessas «forças ocultas»... Eu também não acredito em bruxas, pero que las hay, las hay. É um pouco como os comprimidos. Um médico indiano que conheci, o Dr. Pó (já faleceu) contava como, sendo médico em Moçambique em 1974/75, não existiam medicamentos nas farmácias, só sobravam aspirinas... então receitava aspirina para tudo (e funcionava).
Vem a propósito, neste contexto da palavra actualmente em voga, «impunidade», lembrar a Justiça grega. Também os gregos acreditavam que havia uma realidade paralela de nível superior, da qual os humanos eram simples reflexos. Tinham deuses para tudo. Claro que quando algum cidadão cometia um crime e era preso, era «inimputável» para as pessoas, pois acreditavam que tinha sido um deus mal disposto que «condicionara» o culpado. Isso mesmo declarava o Juiz, que pedia desculpa ao «inocente» antes de o condenar.
Sim. Perante as evidências, o Juiz pedia desculpa ao «inocente», mas, não havendo forma de convocar perante a Justiça o deus prevaricador, autor moral do crime, esta era obrigada a fazer pagar o coitado do humano, seu agente e executor. Na Guiné, a impunidade não é assim tão grande... não esquecer que pelo menos alguns dos mortos, de quem pedem contas, transportavam uma boa carga de culpa e pelos vistos não ficaram impunes. Imagine-se um duelo: morrem ambos os cowboys; devemos processar os cadáveres por assassinato?
PS Mas tirando o Olimpo a limpo: teriam os gregos um deus para os golpes de estado?
domingo, 14 de julho de 2013
Rispito
Entre estados, é necessário respeito. As relações devem ser de boa fé recíproca. Quando há falta de confiança, torna-se obrigatória uma observância estrita do protocolo. Cabo Verde, depois de nunca ter clarificado a sua posição nos lamentáveis incidentes de Abril deste ano, não pode enviar agentes (em serviço?!) em «turismo», sem os acreditar devidamente perante as autoridades «de facto» (sobretudo se não concorda com a sua legitimidade): de outro modo oferece o flanco e promove mal entendidos. Ou talvez os advogados indígenas (narco-especialistas) queiram defender que foi uma armadilha montada pelos guineenses, que enviaram «cidadãos a deportar» para engodar os agentes? Atendendo ao princípio da reciprocidade, aconselham-se os seus dirigentes a evitarem as águas internacionais para os lados do continente em eventuais saídas de iate. Mas fiquem descansados quanto à dignidade dos agentes, conforme reconhece o relatório diplomático da Embaixada americana, relativo ao ano de 2012, a prisão de Mansoa tem condições de detenção e na Guiné-Bissau, ao contrário de outros países, os Direitos Humanos são respeitados.
Dente por dente. E o último a rir...
Ver notícia publicada ontem em A Semana.
PS José Maria das Neves: «Cabo Verde não possui serviço de espionagem nem interesse em espionar qualquer país»; no entanto, permitem a utilização do seu território para acções encobertas dos serviços de agiotagem de outros países, contra países irmãos. Esta parece ser uma oportunidade de ouro para repensarem a sua abordagem.
O fim de Obama?
Depois das maravilhas que a equipa de escritores (de propaganda por email) de Toby Fallsgraff fez na recolha de fundos para a sua campanha, Obama decerto pensou em colocar essa experiência ao serviço da sua administração.
Qual é o segredo deste marketing político? Tal como a ganância e a gula, as pessoas têm um apetência especial por «entrar na sala do rei». Se lhes derem a entender que têm uma relação especial com o líder, renderão publicidade.
Todos os americanos que partilharam o email no âmbito da sua última campanha, receberam emails de Obama, alguns excessivamente familiares, como «Wow» ou «Janta comigo hoje?»... O que rendeu milhões de dólares em donativos.
A «carta» que Jorge Heitor recebeu é paradigmática. «Tipificado» (vá-se lá saber porquê) como «opinion maker», foi brindado com uma jóia de retórica de proporções épicas (embora «o máximo» não tenha sido o único que recebeu esse texto «personalizado»).
A «ponta do iceberg»? Será um teste piloto para uma campanha de marketing à escala mundial? Porquê esta necessidade de propaganda externa? Será porque o seu «estado de graça» interno acabou? A mensagem (para além da sua intenção) é interessante.
Julgo que a chave reside no anunciado «objectivo» de «to reduce our deficit in a balanced way»... É que até aqui Obama só aumentou o défice. Porquê «balanced»? Porque é preciso usar «luvas» para anunciar o tempo das vacas magras aos americanos.
Obama está com cada vez mais dificuldades em sustentar internamente o seu «bluff» monetário. Para este presidente, é muito fácil «estimular» a economia: basta pura e simplesmente continuar a imprimir «presidentes» e a aumentar a despesa.
Acho que é tarde demais para saltar do comboio, que já ganhou velocidade. Vai inevitavelmente magoar-se. Mas quanto mais cedo o fizer, melhor, porque se o comboio continua a acelerar, um desastre de grandes proporções torna-se inevitável mais à frente.
Isto faz lembrar quando Obama esteve no Congresso a negociar o orçamento à porta fechada. A certa altura terá afirmado «We don't have a spending problem»; o porta-voz do Congresso, John Boehner, irritou-se e repetiu por várias vezes, ao longo dos três dias:
_Mr President, we have a very serious spending problem.
No último dia das negociações, o Presidente irritou-se e estalou o verniz:
_I'm getting tired of hearing you say that.
Precisamente ao contrário do que «Obama» defende perante Jorge Heitor, o pior ainda não passou para a América, está por vir, e se calhar mais cedo do que se pensa. Até aqui, foi o bom Obama, gastar é fácil; já pagar dívidas é decerto menos popular.
Mesmo admitindo que este «digest» de lugares comuns da retórica presidencial não é uma brincadeira, mas fruto de um «escritor» de propaganda do seu gabinete, acaba simplesmente por ser revelador de um certo stress. A verdade pode cansar, mas liberta.
Brevemente cada contribuinte americano deverá 150 000 dólares (ao estrangeiro): mas não o lembrem ao senhor Presidente, porque ele não iria achar piada nenhuma, poderia até zangar-se. O melhor talvez seja pensar duas vezes antes de aceitar dólares.
Obama distribui uns rebuçados, limpa o rabo aos meninos, e ainda espera publicidade gratuita? Se calhar o tiro ainda lhe sai pela culatra... Talvez o melhor seja colocar já a sua esfinge em notas de milhão, para pelo menos se poderem desvalorizar esses novos dólares...
sábado, 13 de julho de 2013
Des(União Africana)
O Conselho de Paz e Segurança da União Africana, cuja presidência é actualmente ocupada por Angola, tem vindo a desenvolver uma actuação pouco pragmática: brevemente, serão mais os países suspensos (Mali, Guiné-Bissau, Centro-Africana, Madagáscar, Egipto...) que aqueles em actividade. Por fim, a união africana ficará reduzida ao bom exemplo de Angola, onde os golpes de estado são impossíveis (como toda a gente sabe).
