Há quem diga que o velho Conde Dom Henrique, com a idade que tinha (morreu quando o putativo filho tinha um ano), não foi o verdadeiro pai de Afonso Henriques. E aqui, há duas «teorias da conspiração» paralelas. Uns apresentam uns relatos referindo que quando viram o bebé, era tão feio e deformado que, apercebendo-se que nunca serviria para rei e não querendo criar um caso «político» de falta de herdeiro do «condado-futuro reino», o enjeitaram e puseram no seu lugar um dos muitos filhos de Egas Moniz, igualmente recém-nascido; outros dizem que Egas Moniz era amante da Condessa portucalense... Só fumo?
Mas não é desse Egas Moniz que eu quero falar. É do seu homónimo e único cientista português que teve um (meio) Prémio Nobel, a quem quiseram recentemente, e sem qualquer justificação, retirar o mérito: o culpado de Hiroshima é Einstein? O que fizeram depois com a sua descoberta e o seu conhecimento neuro-anatómico, que permite transformar pessoas em vegetais, poderá servir para acusar o cientista que ia «roubar» cadáveres ao hospital e os levava no seu carro pessoal (parece um pouco macabro, bem sei), para depois fazer evoluir a ciência? É como acusar Wagner de ser Nazi.
Se nesse caso, o processo intentado, não parece ter qualquer justificação; já com o Prémio Nobel atribuído à causa da libertação timorense, não se passa o mesmo. Todos sabem que os laureados naturais eram Xanana Gusmão e Dom Ximenes Belo. Com a sua simplicidade e humildade, e para mais sendo um chefe de guerrilha aceitando um prémio de paz, pediu a Ramos Horta que fosse buscar a sua metade; consolidado o processo em Timor, não estará na altura de este devolver aquilo que não lhe pertence?
Ninguém quer lançar uma petição? Eu assino.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Em defesa de Egas Moniz
Orelhas a arder
Segundo consta, Ramos Horta foi chamado ao Estado Maior. Depois das infelizes declarações (a figurar numa futura autobiografia) quanto ao seu carácter heróico enfrentando (desarmado) as bazucas do General Injai, chegou duas horas mais cedo (não fosse um imprevisto qualquer de última hora) e saiu de lá com as orelhas a arder, com a ingratidão demonstrada pelos indígenas (talvez seja apenas um problema de comunicação, pois desconhece inteiramente a língua local, embora esta seja derivada do português).
Recomenda-se vivamente que leia a resolução hoje aprovada no Conselho de Segurança, aprovando todas as sugestões enviadas pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, no passado dia 9. Decerto após ter bem ponderado as coisas, sua excelência o Secretário-Geral fez história, avalizando o processo endógeno em curso. O senhor representante foi transferido para o WC da ONU (Palácio das Necessidades), onde se poderá dedicar com mais calma a aprender etiqueta, diplomacia, para já não falar de simples boa educação.
Tempestade num copo de água
O Tribunal Militar não tem jurisdição sobre civis. Parece um local desadequado, senão mesmo imprudente para fazer campanha ou manifestações de apoio. Não me apercebi que tivesse sido revogada a proibição de manifestação (sem que tivesse sido ofendida a liberdade de expressão: ainda ontem li Filipe Sanhá afirmar que nunca se viveu um momento de liberdade de expressão, sem medo, como o actual).
O Tribunal Militar, no âmbito das suas competências, pode apenas confrontar DSP com eventuais acusações emitidas por um militar, com o objectivo de averiguar da sua veracidade; no entanto, o resultado dessa vereação implica apenas militares; qualquer responsabilidade que daí possa advir para um civil, terá de ser remetida para um Tribunal Civil. Os apoiantes talvez se devessem guardar para essa altura.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Adivinha
Por falar em actores...
Quantos são os actores políticos na Guiné-Bissau?
21.
Como?
20 facções do PAIGC mais o povo.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Boa estrela
Crítica implícita ao MNE português
Comunicado Africa Monitor Intelligence 753
Guiné-Bissau: A “boa estrela” que Portugal não aproveita.
«Portugal goza na sociedade guineense, compreendida em todos os seus estratos, de uma aceitação cuja grandeza não está reflectida no estado de incipiência que as relações bilaterais apresentam. A aceitação especial de Portugal na Guiné-Bissau está traduzida em manifestações tão singelas como o bom acolhimento prestado aos portugueses, a atenção com que é acompanhada a vida quotidiana em Portugal (em todos os seus aspectos, a começar pelo futebol), até à adopção quase mimética de marcas, símbolos e tendências portuguesas.»
Que desperdício, senhor Ministro. Não estará na altura de deixar de se comportar como uma criança mimada (e insuportável) cujas birras duram e duram e duram...Até quando continuará a abusar da nossa paciência, a ameaçar a amizade Luso-Guineense e o espírito da CPLP?
Má onda
Uma revista espanhola acaba de publicar um artigo dedicado à actual situação na Guiné-Bissau, com o título «Pequenos cenários, grandes infernos», no qual o jornalista tenta fazer um apanhado da situação. Sem grandes novidades, nota-se que Lucas Polledo fez algum trabalho de casa, mergulhando no corpo das notícias recentes sobre a Guiné-Bissau.
O resultado acaba por ser um quadro negro, amostra representativa da incompreensão generalizada quanto ao processo actualmente em curso na Guiné. Um scuro absoluto sem pinta de chiaro. Os jornalistas, sempre superficiais, lêem uns recortes, fazem umas pesquisas, para logo a seguir embarcar no «cruzeiro» da «inevitabilidade» da desgraça, do incontornável «nadir». Talvez se estivessem mais atentos, pudessem ler outros sinais, mais positivos, que falam de identidade e de esperança, de um novo começo.
«Importantes actores internacionais, incluindo países da Região, parecem contemplar na sua agenda a possibilidade de intervenção militar, modalidade intervencionista já implementada no Mali, e que ganhou força depois das acusações da DEA às chefias militares.»
Um pouco mais de espírito crítico, senhor jornalista! Parece animado de boa vontade, talvez devesse colocar-se mais umas tantas questões importantes:
quem são os instigadores desta cabala, esses «importantes actores»?
só quererão, desinteressadamente, a paz e o bem do país?
intervenção militar com que objectivo?
Realmente a Guiné-Bissau, ao contrário do Afeganistão, é um espaço geográfico que passa despercebido no globo e nos planisférios; no entanto, como poderão afiançar portugueses e senegaleses (por experiência própria), pode tornar-se um verdadeiro inferno, para ingénuos e incautos candidatos a invasores.
Mensagem de esperança
Gostei bastante de ler o contributo de Filipe Sanhá, no site do Didinho.
Lembrei-me em especial de um dos seus contributos, há uns anos, por ocasião de uma interessante reflexão sobre modelos de desenvolvimento, na qual defendia a fixação gramatical do crioulo como factor de reforço da identidade nacional, e fui relê-lo.
Mas voltando à sua mensagem actual, quero sublinhar dois pontos que mais me alegraram, pela nota identitária e de esperança:
«A Guiné-Bissau cresceu e está a criar os seus próprios mecanismos e anticorpos para se assumir, definitivamente, como um País, que quer granjear respeito e preencher a sua cadeira no concerto das Nações.»
«Nas rádios, Jornais, bairros, bares e outros espaços de convívio, as pessoas falam abertamente sobre a problemática do País, sem medo. (...) Quem esteve e está em Bissau, apercebe-se disso de forma clara e transparente.»
Também o grito de revolta do Doka, não deixa, à sua maneira, de ser uma mensagem de esperança, ao encorpar uma firme vontade de mudança.
Nô junta mon pa kumpu nô Guiné.
domingo, 19 de maio de 2013
Mapa geológico da Guiné-Bissau
O Laboratório Nacional de Energia e Geologia, LNEG, acabou de ganhar, segundo o semanário Sol, um contrato de 30 milhões de dólares, para a digitalização do terço sul de Angola.
Mas o mais interessante é que foi o bom trabalho desenvolvido com o Mapa Geológico da Guiné-Bissau, recentemente publicado, que serviu de currículo ao LNEG, frente a outras empresas bem colocadas (em Moçambique, o trabalho foi adjudicado a uma empresa russa).
Graças ao brilhante trabalho de campo (e de secretária) de Paulo Alves e uma pequena equipa (com o apoio na Guiné da Direcção Geral de Geologia e Minas) todo o conhecimento cartográfico sobre a Guiné-Bissau, não apenas português, mas também francês e russo, foi compilado neste mapa.
Para além disso, o mapeamento inclui uma rica amostragem litostratigráfica graficamente sintetizada e acessível. Decerto que se vai tornar numa ferramenta indispensável na reflexão sobre o futuro da Guiné-Bissau, sendo a sua disponibilização especialmente oportuna.
Bravo, Paulo Alves e equipa, merecem os maiores elogios; bem haja LNEG e IICT (Instituto de Investigação Científica Tropical): o conhecimento é para partilhar! Competência, iniciativa e generosidade felizmente ainda compensam. Parabéns pelo contrato!
P.S. O Didinho, que já tinha publicado a metodologia deste projecto, decerto disponibilizará em breve esta informação, devidamente classificada, para futura referência.
A China na vanguarda da informação!
28 pequenos partidos denunciam o Memorando de Entendimento, acusando PAIGC e PRS de violar o espírito do Pacto de Transição, segundo a agência noticiosa chinesa.