Rui Machete, o que de piorzinho produziu o vazio mental daqueles (os homenzinhos de avental) que se auto-intitulam pedreiros mas não passam de uns reles serventes (sem noções de arquitectura e incapazes de alinhar dois tijolos, aliás o Portugal que hoje temos foi a sua «grande obra»), o mais recente Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal (e entretanto caído em desgraça e já demissionário, depois de se ter descoberto que mentiu, com várias notícias hoje nos jornais nacionais, DN, etc mas para informação veja-se este artigo de Eduardo Oliveira Silva no Clube de Jornalistas) teve um desempenho patético e indigno da sua pátria, nas Nações Unidas, como lacaio do imperialismo angolano, num encontro realizado «à margem da Assembleia Geral» em curso.
Depois de Portugal ter desperdiçado o seu lugar no Conselho de Segurança numa feroz e inglória perseguição às novas autoridades de facto da Guiné-Bissau, com origem no contra-golpe de 12 de Abril do ano passado, agora que a ONU reconhece as autoridades consolidadas por ano e meio de de paz (apesar de todas as provocações) e de bom senso (sem assassinatos políticos), com a derrota definitiva da farsa que alimentaram por demasiado tempo, não reconhece a evidência dos factos e faz declarações explosivas aos meios de comunicação (n'A Bola face à quebra de legitimidade entretanto no ar, a redacção sentiu-se na obrigação de uma assinatura colectiva), em nome de uma CPLP que quer fazer crer «unida», contra a Guiné-Bissau. Esperemos pela confirmação das posições dos outros seis países...
Na improvável hipótese de mais alguma diplomacia lusófona se querer juntar a Angola e a Rui Machete, a verdadeira e legítima CPLP ficará reduzida à Guiné-Bissau, eventualmente a Timor-Leste (foi entretanto anunciada a visita do grande Comandante Xanana a Bissau)... Um encontro contrariando o espírito do que acontece na Assembleia Geral (perante o mundo)? Só para tentar evidenciar uma exclusão que os factos desmentem? Mas engana quem? Mentiroso! (não sou eu que lhe chamo, várias pessoas o fizeram antes, hoje) Hipócrita! Mau perdedor (isto já sou eu a acrescentar). Vá curtir a sua reforma de 132 000 euros, mas esconda-se, se é que tem um pingo de vergonha (não tem é nenhuma, os americanos e o Obama é que de certeza não se deixam enganar, com todos os relatórios que receberam da FLAD sobre a «gestão» mama taku deste senhor).
Foi um rico serviço, este encomendado pelo Isnogood (aquele que quer ser Primeiro-Ministro no lugar do Primeiro-Ministro - pessoalmente prefiro o termo de Grão-Vizir), que este palhaço executou acriticamente: delapidar o pouco que restava do capital de credibilidade da CPLP, sem que se perceba o que esperava ganhar com isso. Então a CPLP «quer»? Quem não reconhece não tem «querer»! E já agora, como sabem que não há condições, enviaram espiões? E porque estão tão preocupados? Primeiro, o discurso era de que «Ai, credo, perpetuam-se no poder, preparam-se para adiar as eleições», agora de repente, pedem descontos de tempo... O rei recusa-se a ser despromovido a peão? Esse peão recusa-se a avançar perante as fracas possibilidades de ser (re)promovido? Para que é o tempo? para se dedicarem a mais inventonas?
P.S. Quem deve estar muito triste e envergonhado com todo este comportamento da diplomacia portuguesa para com as antigas colónias, é Adriano Moreira. Espero sinceramente que, aquele a quem se deve a defesa da educação para os povos das «Províncias Ultramarinas», que pretendia com isso propor uma alternativa possível àquela que viria a ser a Guerra Colonial (por isso viria a ser afastado por Salazar), nos deixe o seu contributo e opinião sobre este caso, pois costuma comentar o que se passa na ONU. Não concordo com a tese de que não se deve discutir o passado: se tivesse sido assim e não assado... Se o futuro é um campo de possibilidades em aberto, porque não discutir o passado? Julgo que o Senhor Doutor, que admiro muito, como já em tempos tive ocasião para lhe transmitir pessoalmente, deveria deixar cair alguns tabus (de humildade) que fez pesar sobre a sua carreira. Talvez o facto de que pudesse vir ajudar a uma futura refundação da CPLP o justificasse.
A CPLP vendeu a alma!
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
O canto do cisne
Fogo de vista
Os derradeiros peões isolados do governo «legítimo», vão gastando os últimos cartuchos...
Em Paris, na Embaixada ilegalmente ocupada, os squatters queriam continuar indefinidamente a passar vistos para um país imaginário, no qual Cadogo continuaria supostamente a reinar, graças a um software (em francês) fora do prazo de validade.
Em Bilbao, um gato pingado original e adâmico, de uma célula de saudosistas (da «velha senhora» ou «antigo regime»), no país basco, que se auto-proclama pomposamente «comunidade guineense em Espanha», anuncia que
«começou hoje a distribuir um abaixo assinado para exigir o regresso ao país de todos os exilados políticos, destacando, entre eles, o ex-primeiro Ministro Carlos Gomes Junior»
1) Os abaixo assinados não se distribuem. Recolhem-se assinaturas por baixo, numa folha.
2) O «ex»-Primeiro-Ministro (como muito bem se lhe referem, pelo menos numa coisa acertaram) não está impedido de regressar ao país
3) Nem sequer tem estatuto de «exilado político» no país que o acolheu
4) À excepção desse que «destacam» (e que não o é, pois não passa de um simples turista), poderiam dar algum outro exemplo de «exilado político»?
Tanta «petição» e «abaixo assinado» já aborrece. Esta gentalha não representa coisíssima nenhuma! Percebe-se bem demais onde querem chegar. Não estará na altura de desistirem? Se há um ano, ainda podiam dizer que tinham a comunidade internacional ao lado do vosso «campeão», hoje, que o Presidente discursa perante a Assembleia Geral da ONU, passa-se o contrário. Deveriam seguir o exemplo do embaixador guineense lá acreditado, renderem-se às evidências e deixarem de tentar contaminar e prejudicar o processo de reconciliação nacional, com azia de maus perdedores.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Quem te avisa...
Recebi um email de uma pessoa amiga, criticando-me por não ter propriamente «comemorado», com produção própria, mas apenas «comentado» as comemorações do 24 de Setembro. Além disso, o artigo de João Galvão Borges «galvanizou-me», com a sua matriz mental «dialéctica» (no bom sentido). in Quo Vadis, PAIGC
«Creio entretanto que Amílcar Cabral se sentiria bem mais homenageado e bem mais feliz (!) se soubesse implementados os Princípios que lhe eram caros: a honestidade, a competência, a seriedade, a lealdade e a abnegação dos seus compatriotas para que as suas tão queridas terras, Guiné-Bissau e Cabo-Verde, alcancem a verdadeira Liberdade, a verdadeira Paz e finalmente os almejados Progresso e Felicidade dos seus respectivos Povos. E aqui creio que não pairam dúvidas!»
Apraz-me igualmente citar o humilde e construtivo apelo à crítica, com a qual me identifico plenamente e que corresponde ao «protocolo» que tenho defendido quanto aos comentários no meu blog:
«De igual modo aproveito para afirmar que me sentirei, em todas e quaisquer circunstâncias, beneficiado com qualquer opinião contrária ainda que seja firmemente discordante, desde que sustentada por válidos e credíveis argumentos. Porém, sempre vou dizendo que por mais válidos e credíveis que sejam os argumentos, as vozes discordantes terão de saber respeitar a ética e deverão dar provas de transparente decoro.»
O João Galvão Borges, decidindo-se a fazer um blog e a empenhar-se com a sua análise na actual conjuntura, viria decerto trazer uma nova e original visão, um imenso valor acrescentado em termos de reflexividade, contribuindo assim para aumentar as probabilidades de um desenlace feliz para o projecto de estruturação em curso.
Mas entrando no assunto propriamente dito: o autor deste artigo, no curso da sua brilhante análise das desequilibradas relações entre a Guiné-Bissau e Cabo Verde, cita, como precedente para a deposição de Luís Cabral, um
«relatório apresentado nessa ocasião pelo então Secretário Geral do PAIGC Aristides Pereira, tomava a forma de uma peremptória e verdadeira condenação a todas as formas de desvios à linha de A. Cabral. E a resolução final alertava os militantes e quadros do Partido contra todos os desvios ideológicos e particularmente contra os que resultavam da passividade e da falta de rigor ideológico tais como a irresponsabilidade, a tolerância aos erros, a negligência no trabalho, o pragmatismo excessivo que não tome em conta os elementos políticos do problema a solucionar, a atitude tecnocrata e a burocracia erigida em forma de governação, a improvisação como método de trabalho, a tendência a se esquivar às orientações e ao controlo do Partido, o favoritismo (amiguismo), o nepotismo, a ostentação e a ambição pessoal.»
Este fragmento lembrou-me algumas das «mise en garde» de Cabral, que, premonitoriamente, já tinha avisado para esses perigos. Fui portanto à procura delas. Embora um pouco atrasado, aqui fica portanto o meu contributo para a reflexão, sobre esta data.
Nas palavras de ordem e directivas do Partido encontrei: «Devemos combater o oportunismo, a tolerância diante dos erros, as desculpas sem fundamento, as amizades e a camaradagem com base em interesses pessoais».
No panfleto «História da Guiné-Bissau e Ilhas de Cabo Verde», maioritariamente escrito e revisto por Cabral, pouco antes de morrer:
«O homem está em condições de produzir em alguns minutos e com pouco esforço o que outrora exigia o trabalho de milhares durante meses (...) Sob a dominação imperialista, o desenvolvimento da produção, conseguido graças ao progresso da ciência e da técnica, tem por objectivo assegurar os mais altos lucros, ao mesmo tempo que se conservam ao mais baixo nível possível os salários, o poder de compra dos trabalhadores. O sistema económico vê-se assim encerrado numa contradição insolúvel. Enquanto milhões morrem de fome, destroem-se em massa produtos alimentares, não porque as massas não tenham necessidade deles, mas porque não têm com que pagá-los. (...)
Nos países onde se adquiriu a independência política, mas em que esta foi confiscada em proveito de minorias exploradoras locais, estas, para consolidarem e manterem os seus privilégios, não demoraram a entender-se com o imperialismo e a manter ou restabelecer a sua dominação: é o que se chama neo-colonialismo. A libertação nacional não poderá significar a transferência de poder dos colonos para uma minoria exploradora nacional, cujo papel não pode ser outro senão o de lacaio do imperialismo.»
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Comemorações do 24 de Setembro
Pareceu-me altamente relevante o artigo de João Galvão Borges publicado (e comentado) pelo Didinho, nesta importante data.
Gostaria de realçar este excerto em particular:
«Quando se preconiza como solução à já citada crise, a intervenção de uma força estrangeira a coberto de uma ou de diferentes siglas como: Nações Unidas (ONU), OUA, CEDEAO, CPLP ou outra, sinto-me na quase obrigação de manifestar a minha firme oposição ao recurso dessa força estrangeira como pretensa solução para a crise existente. Não dispondo de uma "bola de cristal" para prever as consequências dessa preconizada intervenção, penso entretanto que ela seria mais um problema do que propriamente a solução.
Guardam-se registos da firme reacção do Povo Guineense à ocupação estrangeira. Do conhecido "Desastre de Bolol" em 1879 em Djarfungo no norte do país, em que os felupes infligiram o que se considera a mais pesada derrota sofrida pelo ocupante português, passando pela luta armada de libertação nacional e chegando-se à recente e veemente resposta dada aos estrangeiros (desta vez africanos) no igualmente recente conflito de 7 de Junho de 1998. Estes exemplos muito significativos, não podem ser negligenciados no equacionamento do problema e convidam, seguramente, a uma séria reflexão antes da tomada de posição sobre a possível intervenção de uma força estrangeira como solução do problema.»
Prenda de aniversário
Incrível! Os Estados Unidos dão os parabéns à Guiné-Bissau e oferecem-se para ajudar!
Alvíssaras para os irmãos intelectuais balantas na diáspora.
ligação à direita >
De manhã, na ANP
O CEMFA cumprindo com tranquilidade o seu papel institucional no protocolo das comemorações dos quarenta anos da Independência, presidido por Sua Excelência o Presidente da República, contradizendo assim certos rumores...
O selo da derrota
O facto de os correios estarem fechados (não me refiro ao facto de ser feriado), não impede a saída deste selo comemorativo. O auto-intitulado «governo legítimo» não se faz representar, ao mais alto nível, nas comemorações dos quarenta anos da independência, conforme prometido? Terá adiado para as calendas gregas, como aconteceu com o congresso do PAIGC?
Está a custar imenso, ao tubarão azul, engolir o último sapo, na ONU (debate-se com «petições» inócuas às quais já ninguém liga). É a consagração definitiva do fim da farsa do governo «no exílio». Até Sua Excelência, o embaixador na ONU, está a tentar virar a casaca para o lado certo, não deixando margens para dúvidas, quanto ao vencedor (como mais vale tarde do que nunca, talvez mereça uma segunda oportunidade, porque, se é um pouco lambe botas, até percebe do ofício e além disso, quem melhor para desfazer o que foi feito do que quem ajudou a fazê-lo?).
Tal como Maomé se constituiu como o «selo dos profetas», encerrando o ciclo da profecia, também a derrota de Cadogo é agora final e irremissível. Todas as tentativas de «terra queimada», de forçar a «dissolução» do Estado (que esperava recuperar como lacaio) lhe saíram (felizmente) frustradas. Naufragou-lhe o seu «momento». Plagiando o Doka, tornou-se indesejável, no leito nupcial.
Neves acusa Pires de usurpador
O Primeiro-Ministro de Cabo Verde acusou, via comunicação social, o ex-Presidente de se ter abusivamente imiscuído na actual política diplomática do país, pedindo-lhe educadamente para não se meter onde não é chamado. Foi-lhe dado algum mandato? Alguém solicitou os seus oferecimentos?
Uma página foi virada com o caso dos dois polícias. Para produzir as graves acusações que fez, neste contexto (ainda para mais, face ao mérito apaziguador de algumas iniciativas da sociedade civil, sobretudo na diáspora), o ex-Comandante do PAIGC deveria ter frisado que falava a título pessoal, não pretendendo envolver, de forma alguma, a posição do legítimo Governo.
Ou estará a tentar decalcar o modelo de Cadogo, numa grande promiscuidade entre pessoa e (ex) função?
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Greve dos Correios
Os funcionários dos Correios têm todo o direito à greve: não são meses de atraso, são muitos anos de salários em atraso, quase cinco!
No entanto, uma vez que a situação não é nova (dura, de forma intermitente, desde 2007) e pode dar azo a aproveitamentos «políticos» desadequados e perturbadores para a percepção interna e externa de uma desejável estabilidade pré-eleitoral, talvez fosse melhor apresentarem um mapa da última meia dúzia de anos, assinalando os meses que receberam e aqueles que não receberam, para melhor compreensão.
É que a propaganda sindical é um pouco incoerente. Senão façamos as contas: meia dúzia de anos, com uma dúzia de meses por cada, são 72 meses; dos quais, segundo informações veiculadas 52 estão em atraso. Mas como se distribuem? Talvez se der muito trabalho apresentar um mapa, pode ser feito de forma simplificada, numa simples tabela de 2x2, dividindo os pagos ou não, por antes de 12 de Abril do ano passado e depois dessa data.
Em média receberam aproximadamente 2 salários em cada 7 «devidos», nestes últimos seis anos. Mantendo esse ritmo (ou seja, não considerando as dificuldades acrescidas da instabilidade vivida devido ao ignóbil boicote promovido pela CPLP contra a Guiné-Bissau), deveriam já ter recebido quatro (4) salários, desde que entrou em funções a figura do Governo de Transição.
Esclarecida a verdade, os arautos do «Não Estado» poderão então explanar a sua maledicência, em pleno conhecimento de causa, para imputar todos os males do mundo ao actual Governo de conjuntura, elevando aos píncaros o «milagre económico» do anterior... a quem se ficaram a dever «magníficas campanhas de caju», como se o caju (ou a sua cotação) também fosse contra os golpes de Estado!
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Cadogo e a Maçonaria portuguesa
Lembrado pelo Doka, estive a ler as últimas do blog de José Paulo Fafe, que já citei aqui neste blog por mais de uma vez. Reparei num outro artigo, da semana passada, no qual denuncia os contactos de Cadogo com a Maçonaria portuguesa...
O «venerando» pronunciará uma «oração de sapiência»... Santa paciência! Presunção e água benta, cada um toma a que quer...
terça-feira, 17 de setembro de 2013
PAIGC AFROnta CV
Corsino Tolentino será o orador de serviço em Colóquio alusivo à fundação do Partido, já na próxima quinta-feira, na cidade da Praia.
Depois das suas tomadas de posição sobre as relações com a Guiné e tendo-se confirmado os seus piores receios, a sua alocução prepara-se decerto para deixar o PAICV e os seus actuais dirigentes de rastos ou, no mínimo, com as orelhas a arder. PAIGC foronta CV... Estamos curiosíssimos com a sua comunicação, pedimos desde já ao Progresso Nacional que acautele a publicação imediata da respectiva acta.
Vivam os verdadeiros patriotas cabo-verdeanos! Vivam os laços saudáveis que unem as duas nações!
Mea Culpa
Reparei na notícia publicada no Nô Djemberém, sobre os últimos desenvolvimentos na crise da Síria.
Finalmente um Presidente dos EUA dá um passo no sentido de um mundo mais equilibrado, reconhecendo que «não podem querer resolver a guerra civil de outro país pela força, particularmente depois de dez anos de guerra no Iraque e no Afeganistão»
Esta parece-me uma declaração de extraordinária importância e real alcance, reconhecendo que os Estados Unidos devem deixar de tudo querer sujeitar à sua visão e interesses.
A notícia imediatamente anterior está muito bem relacionada, desmistificando, por dentro, o que já todos suspeitavam (que as «provas» da utilização de armas químicas pelo regime eram forjadas), também é bastante esclarecedora, ficando associada (pela negativa) aos velhos métodos de forjar guerras, agora, esperemos que definitivamente, enterrados!
Obrigado, Samuel!

