Contributo construtivo de uma cabo-verdiana em Angola, no Ditadura do Consenso.
«Sinto que a Guiné-Bissau se
perdeu acima de tudo por não ter encontrado um líder (porque não uma
líder) capaz de levar o barco a bom porto, pois a Guiné tem gente capaz e intelectuais os quais todos juntos
qual Fénix a poderiam fazer renascer das cinzas e exorcizar os demónios que
se lhe incrustaram na alma. Esse exercício passaría por uma catarse colectiva, algo como uma Comissão da Reconciliação e da Verdade.»
Nexo à direita >
Lidas as suas palavras, escritas de uma forma tão ponderada e suave, fica-nos até a parecer legítima uma certa «vontade de protagonismo» de Angola... apoiadas na sua «grandeza e generosidade». No entanto, para isso, há que aprender com os erros. Grandeza e generosidade são desprendidos e gratuitos: só fazem realmente sentido num contexto de respeito pela dignidade e identidade dos outros...
Mas também a sugestão de encontrar, já não um líder, mas uma, parece ser uma observação perspicaz. Numa sociedade na qual se pretende vencer uma violência endémica, porque não escolher uma mulher para liderar uma verdadeira «revolução» das mentalidades? Sem cair em feminismos, que a sociedade guineense não toleraria, há gente muito capaz na Guiné, como diz Isabel, das quais também mulheres.
Já aqui falámos, por exemplo, de Carmelita Pires, ex-Ministra da Justiça, que se distinguiu no combate ao tráfico de droga. Não se duvide que poderia encarnar com sucesso essa liderança proposta por Isabel... Mas também temos, em visitas recentes a este blog:
Titina Silá à Liderança!
P.S. Parabéns, Isabel, pelo tom construtivo do discurso. A Guiné precisa de pontes e não de posições obsessivas, ou de gente obcecada. Já Heráclito garantia que não podíamos tomar banho duas vezes no «mesmo» rio...
domingo, 17 de junho de 2012
+ Positividade!
sábado, 16 de junho de 2012
Paulo Portas vai a despacho
Denovo em Luanda para uma visita relâmpago, Paulo Portas foi recebido durante mais de uma hora por José Eduardo dos Santos, para receber indicações quanto às novas estratégias para a Guiné-Bissau... «conjugação de esforços, no plano multilateral, para encontrar uma solução para a Guiné-Bissau»? Mas a Guiné-Bissau não deveria ter saído da agenda angolana? É que está a tornar-se obsessivo! Parecem aqueles maridos ressabiados que muito tempo depois de divorciados continuam a perseguir as mulheres e ainda fazem cenas de ciúmes!
E, senhor Presidente do grande país que é Angola: que raio de promiscuidade; o protocolo obriga a respeitar as hierarquias, agora trata de assuntos de Estado com simples Ministros (e estrangeiros)? A recepção oficial e mediatizada deveria ser ao mesmo nível, pelo Chicote (se calhar o Paulo ficou com pena, fica para a próxima, pronto); quanto ao Presidente, simples cumprimentos eram mais adequados...
Ao contrário de Angola, onde, para além da agência noticiosa oficial, também a página da casa civil do Presidente dão notícia do encontro; em Portugal, se o Ministério dos Negócios Estrangeiros ainda não publicitou absolutamente nada, sendo a última notícia em destaque do dia 11 («Portugueses esperam que o Estado disponha de capacidades de reacção muito rápidas para protecção dos cidadãos»), já a página do CDS, o PP de PP, se apressou a fazê-lo.
Senhor Primeiro Ministro de Portugal: acha bem ser ultrapassado assim
por quem tem ambições políticas hipertrofiadas, em deliberações «instantâneas» de alto
nível»? Dá cobertura a um Ministro dos Negócios Estrangeiros (cada vez menos
transparentes) com agenda própria, concorrente e completamente autónoma? Terá confundido a diplomacia com uma passerelle? À saída de Luanda (e logo de partida para Paris)
Paulo Portas sugeriu à Lusa a sua grandiosa visão para o futuro: os investimentos de empresas
portuguesas em Angola poderão ser a chave para ajudar Portugal a sair da crise.
Fontes
Na página do CDS
Na Angola Press
Na Casa Civil do Presidente
P.S. O senhor presidente pisou uma fita-cola com o sapato! Já o fio do telefone era dispensável... À falta de telemóveis, deveriam ter um responsável de Photoshop para «apagar» as borradas. De qualquer forma, o «cromo» está bem melhor que a foto infeliz da tapeçaria das Necessidades: Paulo Portas com fundo branco e claro; José Eduardo dos Santos com fundo escuro e a catana erecta.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Antigos combatentes contestam José Eduardo dos Santos
Como resposta à repressão da manifestação pacífica de antigos combatentes realizada na semana passada, de que aqui demos notícia, constituiu-se uma Comissão de Ex-Militares Angolanos (COEMA), dirigida pelo General na reserva Silva Mateus, que ameaça «descer à rua para interromper o escrutínio» de 31 de Agosto, se não forem atendidas, até lá, as suas reivindicações.
Ver notícia no site do Didinho, clicando no nexo à direita >
Empresários portugueses na Guiné criticam Paulo Portas
«Nestas situações de conflitos, as tomadas de decisão têm de ser bem analisadas e contextualizadas. A nós, que estamos cá há muitos anos, não nos foi perguntado nada, não tiveram o cuidado de nos perguntar o que achávamos daqui», disseram os empresários, que criticaram também a forma como foi comunicado o envio de barcos da marinha portuguesa nos dias a seguir ao golpe, o que "criou problemas" no país.
http://www.ionline.pt/portugal/guine-bissau-grupo-empresarios-portugueses-demarca-se-da-posicao-governo-passos
Que vergonha, senhor Ministro, até a sua diáspora o manda bugiar!
Mais um artigo de Orlando Castro sobre a Guiné
Foi necessário os militares guineenses dizerem que não estão para ser protectorado de Angola para que, humilhada no seu sentimento de potência regional e dona de Portugal, Luanda puxasse dos galões e desse ordens ao reino português para papaguear uma série de asneiras.
http://altohama.blogspot.pt/2012/06/se-hipocrisia-gerasse-empregos.html
Aliança contra-natura
As recentes, absurdas e bárbaras declarações de Ana Gomes, em sintonia com a posição de Paulo Portas, de que «Portugal deveria sujar as mãos» com sangue guineense, são muito estranhas. Ainda há exactamente um ano, no mesmo sítio, a eurodeputada socialista questionava a «idoneidade pessoal e política de Paulo Portas para integrar o novo governo, devido a comportamentos" desviantes.
Apontando o caso de DSK como exemplo de «vergonha» para os franceses, porque, embora soubessem há muito dos seus «podres», não «preveniram» a coisa mais cedo. Lembrando que questionaram Sócrates sobre elementos da sua vida pessoal para abandonar o seu cargo no governo, lamentava na altura que não se fizesse o mesmo aos que entravam para o governo, como Paulo Portas, que ainda tem casos por esclarecer na Justiça.
Ao Jornal de Notícias, fala de «ministro de Durão Barroso que frequentava locais de prostituição em Paris com uma cabeleira postiça». Insinuando que Paulo Portas é homossexual...
Com os devidos créditos ao site Perspectivas, faço um pequeno resumo...
Dizia nessa altura que o líder do CDS/PP não podia ir para o governo porque era paneleiro (embora tivesse sido uma ferrenha defensora do casamento homossexual). A confusão naquela cabeça de galinha é enorme. Resumindo: os paneleiros não podem ser membros do governo, porque os paneleiros, como não querem assumir, farão tudo para esconder o facto e, por isso, podem transformar-se em vítimas de chantagem, como a do DSK ou esta que a própria eurodeputada agora promovia; logo, os paneleiros não podem ser membros do governo. Parte de uma premissa para concluir com a mesma premissa!
Uma galinha tonta e frustrada, feia de fugir, peixeira do pior (quando foi expulsa do Bahrein? e quando foi chorar para as câmaras baba e ranho, acusando Jorge Sampaio de traição por não ter dissolvido a Assembleia?), quando abre o bico, e mostra a língua viperina e a sua monumental histeria, só sai «porcaria».
No dia 14 de Junho (do ano passado):
P.S. Queremos lá saber se o homem é paneleiro ou o que é que faz com o corpinho... Enigma: de que cor era a cabeleira postiça?terça-feira, 12 de junho de 2012
Paulo Portas prejudica a imagem de Portugal
Didinho acaba de publicar mais um post.
Já alguém disse que, neste contexto, Paulo Portas parece um elefante numa loja de porcelanas.
Ora:
Não tenho quaisquer dúvidas de que a imensa maioria dos portugueses não quer qualquer desforra da guerra colonial.
Muito menos quem por lá lutou.
Lembro as declarações de Salgueiro Maia nas suas memórias (que recomendo a quem esteja interessado em conhecer o «outro lado da barricada» da guerra de libertação: «crónica dos feitos por Guidage» resume bem a situação de superioridade do PAIGC no terreno em 1973) dizendo que respeitava imenso a luta do povo guineense, que lutava por obediência, que foi isso que lhe abriu os olhos para a inevitabilidade de uma derrota militar do exército português e o conduziu ao 25 de Abril;
lembro o blog de Luís Graça e camaradas da Guiné (ao qual pertence o Embaixador Francisco Henriques da Silva, o qual declara mesmo, nos seus princípios, que recusa qualquer ingerência ou tomada de posição política relativamente à Guiné-Bissau);
lembro as declarações do Almirante Melo Gomes;
lembro o povo anónimo, que não percebe nada disto, mas se lhes perguntassem responderiam a 90% algo tão simples como «Então não pediram a Independência? Nem mais um soldado... Alguns desses, mais forretas, acrescentariam mesmo nem mais um tostão.
Forças Armadas Angolanas de parabéns
Num artigo publicado hoje no Jornal de Angola, por um dos jornalistas do regime, fica plasmada a posição de Angola. Só pena que tenham copiado o título da imprensa portuguesa quanto à missão Manatim.
Despudoradamente, a voz do $ assume, no texto, o bem fundado da acusação do Comando: «Não se entende como é que António Injai apenas se lembrou praticamente um ano depois que o exército do seu país corria o risco de acabar». «!» Confessam então? E o resto, claro: Angola julga que, depois de uma esmola, se lhe fica a dever eterna gratidão e sujeição, nomeadamente relativamente às pessoas honradas, como George Washington, Abraham Lincoln ou o General Grant.
http://jornaldeangola.sapo.ao/19/46/um_exemplo_de_prontidao_e_de_disciplina
Independentemente do que aqui escrevi contra o princípio da missão em causa, as chefias da MISSANG estão realmente de parabéns (sem qualquer ironia). Mantiveram-se discretos e as circunstâncias não devem ter sido fáceis.
Claro que, ao tom muito «calmo» da análise oficial, era necessário juntar uma pequena nota informal: um gigantesco empréstimo à Guiné (atenção, que continuamos a brincar com os nomes) mas Conacry: bem mais de uma dúzia de vezes mais do que o que gastaram na Bissau com a MISSANG. O problema não é quanto é que deixaram de gastar, mas sim, qual seria o preço...
Não querem uns, há mais quem queira.
domingo, 10 de junho de 2012
Mais um grande e belo contributo de Filomeno Pina
Publicado pelo Didinho (para ler, seguir nexo à direita), de leitura obrigatória. Tentativa de esconjurar alguns fantasmas, espectros à espreita na sombra. Com recados óbvios para Angola, sobressaindo aquele que reage a um certo sentimento (quase «omnipotente») de superioridade proporcionado pelo dinheiro: isso tem limites, há coisas que não estão à venda, nem se podem trocar por dinheiro, sem perder a dignidade.
Mas sempre com uma forte nota de esperança, rimo-nos com a anedótica proposta de aproveitar o barco que está em Bissau para «exportar» para Luanda alguns políticos da praça, e apreciámos especialmente a figura utilizada para descrever a atitude de indiferença dos guineenses para com os seus dirigentes: como se estivessem à frente de uma montra, com dinheiro no bolso (ena!), e... (bem mais improvável ainda, pois, na boa lógica político-económica maltusiana, se os recursos são forçosamente limitados, já as necessidades são ilimitadas) ...não lhes apetecesse comprar (xi!): é a moral da história de Pedro e o Lobo, ou do provérbio «tantas vezes o cântaro vai à fonte, alguma vez se há-de partir», tantas vezes foram enganados...
A principal mensagem parece ser a necessidade de não perder este «comboio», de pensar bem o futuro, de escolher tanto as pessoas certas como um modelo adequado de sustentabilidade política para um desenvolvimento credível... Estamos, claramente, perante um problema de governança, de
responsabilidade, de elites, de competência, de liderança, de mérito, mas também, amor pela Guiné.
sábado, 9 de junho de 2012
CPLP instrumentalizada
A CPLP, que se pretendia uma instituição cultural, está irremediavelmente a perder a poesia.
Ao ser instrumentalizada por interesses económicos pouco claros; ao pretender assumir uma função militar, policial e de controlo da soberania (assumindo foros de ingerência) dos estados membros, para a qual não foi mandatada; ao dar cobertura diplomática, com pompa e circunstância, a representantes de Governos depostos; ao manter aceso um nível de pressão exagerado sobre uma situação que lhe escapou, abrindo assim, legitimamente, caminho a todas as suspeitas acerca das suas reais motivações...
apenas reforça a posição contrária, gerando uma onda de simpatia já manifesta tanto na oferta da Nigéria para ajudar a pagar salários em atraso, como na da França, que se dispôs a ajudar em força aos primeiros sinais de se começarem a resolver os verdadeiros problemas.
Na reunião de ontem, em Abidjan, esta organização continuou a insistir num diálogo de surdos (versão III ou IV). Insistem em incomodar as pessoas, na casa delas, sem acrescentarem nada de novo para além do já estafado ressabiamento da instituição, arrastada assim para a lama da baixa diplomacia... Nota-se um ligeiro barulho de fundo, mas pouco mais. Mais uma reunião? Para quê? Para voltarem à vaca fria? De alto nível? Isso quer dizer o quê? Que Paulo Portas participa? Mas isso então é de baixo nível!
A CPLP deveria estar mais ocupada na promoção da língua portuguesa (ou mesmo no estudo dos vários «crioulos»). Onde estão as estratégias interculturais de real alcance? Onde um intercâmbio escolar significativo? Onde está uma verdadeira cooperação para além do novo eixo Lisboa/Luanda (com participações cruzadas)?
Para não ser fastidioso, transcrevo só os primeiros pontos dos seus objectivos constitutivos, segundo o publicado na página oficial cplp.org:
Igualdade soberana dos Estados membros;
Não-ingerência nos assuntos internos de cada estado;
Respeito pela sua identidade nacional;
Reciprocidade de tratamento;
O pleonasmo no objectivo de promover uma «cooperação mutuamente vantajosa» (pois havia de ser o quê? isso está implícito na própria palavra) apenas demonstra o grande vazio de ideias desta organização, mesmo se decerto nascida de intenções generosas... Fizeram-se a voz de um novo modelo neo-liberal de colonialismo político-económico? A recente postura da organização relativamente à Guiné configura, no mínimo, uma flagrante e grave violação dos quatros primeiros princípios da organização!
Triste. A língua portuguesa é muito traiçoeira, mas não merecia este descrédito. Não haviam necessidades! Note-se que o Brasil se fez representar na reunião, por via das dúvidas...
P.S. Para quando a adesão de Cabinda à CPLP? Sobre os últimos acontecimentos, as sevícias impostas a esse povo nesta nação de língua portuguesa ocupada e esquecida, ver o blog de Orlando Castro (sempre actualizado), seguindo o nexo à direita.
