quinta-feira, 7 de junho de 2012

Manecas apela à Ditadura Militar

http://www.gbissau.com/?p=1083

Embora, neste momento, o tom da meia-dúzia de comentários seja desfavorável e lembre sobretudo a «falta» de ética e de «moral» do Comandante, recordando o seu passado junto de Nino, parece relevante que mais de dez vezes mais pessoas recomendaram o artigo através do FaceBook...

A preocupação de Doka sobre o assunto:
http://dokainternacional.blogspot.pt/2012/06/manecas-santos-agorapreocupado-com-as.html

A sua própria falta de credibilidade, devido ao seu passado e aos erros que cometeu, paradoxalmente, tornam insuspeita e «gratuita» a sua opinião, que deveria ser considerada «por si» e avaliada, naquilo que, como simples opinião, merece reflexão.

Mudança de atitude

O CEMFA António Injai, que logo nos dias a seguir a 12 de Abril, primava pela discrição, ontem metamorfoseou-se em One Man Show e ganhou o gosto à exposição mediática, desdobrando-se em iniciativas e presenças frente às câmaras e microfones.

Pronunciou-se sobre a retirada da MISSANG, propôs-se filmá-la em vídeo; deu parte dos seus planos de carreira para o futuro, de uma partida para a reforma a «médio prazo», do retorno ao P.A.I.G.C. e à política activa; convocou os Combatentes da Liberdade para uma conversa olhos nos olhos e solidarizou-se com os seus rendimentos de miséria; «cagou» para os bancos (europeus e outros) desafiando quem saiba de alguma conta sua a denunciá-lo (com prémio e tudo! de um milhão - a pagar em cash, claro, pois não usa cheques).

O que justificará esta mudança de atitude? Mudou de opinião quanto à dose ideal de protagonismo? Não teme que isso seja visto como um sinal de fraqueza? Até aqui, o que mais contribuiu para o sucesso da «clarificação» foi decerto o facto de o Comando aparentar ser movido por uma decisão colectiva, não andar às ordens de uma única figura ou de interesses particulares... Não deveria deixar o senhor Porta-Voz fazer o trabalho de relações públicas? Cada um nas suas funções, mantendo a coesão da cúpula.

Ou então, se tomar o gosto à política ainda no activo, mudem de estratégia, dispensem a farsa «democrática», assumam o poder, garantam a estabilidade, acabem com o tráfico no país para ganhar credibilidade internacional, arranjem bons técnicos em governação, negoceiem as concessões mineiras, ponham a Guiné a andar para a frente; o dinheiro aparecerá, os ordenados da tropa serão pagos a tempo, haverá reformas condignas para os Antigos Combatentes, a Guiné dará ao mundo um exemplo, todos poderão andar de cabeça erguida...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Captura em video?

O CEMFA prometeu hoje mostrar o potencial bélico que Angola colocara em Bissau. Em vídeo apenas? Olhe que ainda o acusam de conivência no tráfico de armas. O navio não deveria ser inspeccionado pelas Alfândegas antes de poder deixar o porto de Bissau? Pelos vistos pagaram todas as taxas de reexportação exigíveis...

Enquanto isso, o General Correia de Barros, do Centro de Estudos Estratégicos de Angola, criticou a própria missão da MISSANG: defendendo que a cooperação, em matéria tão sensível como a Defesa, nunca deverá ser efectuada numa base bilateral, mas ao abrigo de organizações internacionais como a ONU ou a UA, ou no seio de organizações sub-regionais, como a SADC ou a CEDEAO... com o inconveniente suplementar, neste caso, de Angola não pertencer à CEDEAO e Bissau estar demasiado «fora da área geográfica e organizacional» angolana, reconhecendo perante a Radio France Internacional que o seu país demonstrou precipitação e nervosismo em todo o processo.

Papel do papel (€) no papel de Presidente (só no papel)

Cadogo continua a proclamar a sua legitimidade perante instâncias internacionais, não se percebendo bem se a título de Primeiro-Ministro demissionário, se a de candidato (inconstitucional) a presidente, afirmando-se disposto a contratar uma equipa de advogados para processar os autores do «golpe». Talvez se possa servir da mesma equipa para se defender, a si e já agora ao Almirante Zamora Induta, dos processos de acusação relativamente ao assassinato do político e intelectual do PAIGC, o seu rival Helder Proença. Talvez facilitasse as coisas se optasse pela sua vocação de empresário de sucesso, voltando à Guiné-Bissau como simples cidadão para tratar dos seus negócios: contente-se em ser o homem mais rico da Guiné. Aliás, a promiscuidade entre as duas coisas, o seus negócios e o Estado, foi um dos factores que conduziram à actual situação...

7 e 7 são 14

«Mataram Ansumane por lhes tirar os galões; mataram Verissimo por lhes dever salários; mataram e confessaram ter morto Tagma, por lhes querer tirar o tapete da cocaina (brevemente saberemos); mataram Nino porque Tagma lhes deixara sentença pós-morte.» Comentário anónimo

Saudades dos tempos de unidade nacional... Amanhã comemorar-se-ão 14 anos do 7 de Junho, grande epopeia do povo guineense, numa segunda Guerra de Libertação.


Ver Ansumane furioso a tirar os galões, já com semblante carregado...
http://www.youtube.com/watch?v=TjmW5f_Zwoo

Grande reportagem de Carlos Narciso em Janeiro de 1999, com extensa entrevista a Tagma, de uma cativante humanidade e simplicidade:
http://www.youtube.com/watch?v=bQs4UUeuV5Y

Está na hora de acabar com as mortes. Só a merecida dignificação da carreira militar, o orgulho de pertencer a um exército invencível, poderão acabar com a tentação de usar o poder das armas para garantir algum rendimento (mesmo «sujo»)... É na tropa e na emergência de chefias claras e aptas, que se terá de procurar a solução para uma estabilidade que permitirá adquirir a necessária confiança dos investidores externos para um aproveitamento sustentável dos extensos recursos da Guiné, que economicamente beneficie todos os seus filhos e valorize a sua identidade no continente como um modelo, que já Amílcar Cabral sonhara.

A Guiné pode fazer muito melhor que Angola (onde, apesar da riqueza extraída do chão, a maior parte da população continua hoje a viver em condições de vida sub-humanas). Uma foto de Luanda...

Correndo o risco de parecer um disco riscado, os políticos deverão dar um exemplo de mérito e boa governação, evitando envolver-se em intrigas de quartel, numa promiscuidade que já revelou as suas funestas consequências. Evite-se a habitual arrogância do «quero, posso e mando»...

Agora que o leite já está derramado, conforme a figura utilizada pelo Chefe de Estado Maior, tirem-se os necessários ensinamentos. Chega de derramar sangue no chão sagrado da Guiné. Ou teremos de esperar mais 7, como na canção? É preciso um «namorado» a sério para a Guiné, mas alguém que goste dela a valer! Fartos de chulos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Angola força a mão

O «anúncio» da retirada da MISSANG para começar já na quarta, esconde mais uma tentativa de forçar a mão... Está acertada a retirada do pessoal. A retirada do material não faz parte do protocolo.

Pretende Angola provar que estava de má fé quando enviou esse material de guerra pesado para a Guiné-Bissau? Nesse caso deverá indemnizar a Guiné-Bissau pelos danos causados ao país como consequência dessa atitude arrogante... uma boa forma de acautelar esse ressarcimento, será exercer o direito de retenção de quaisquer valores angolanos em território guineense, aplicando-o de imediato, tanto ao material bélico como às instalações da MISSANG.

Seria mais proveitoso para a imagem de Angola junto dos guineenses, se fizessem uma cerimónia solene de entrega do material; se se disponibilizassem para uma cooperação assente na reciprocidade e na igualdade entre as partes, sem tiques de superioridade, intenções veladas, interesses dúbios. A figura de um novo neo-colonialismo financiado pelo capitalismo selvagem dos petro-dólares não agradou aos guineenses, que continuam à espera de um pedido de desculpas...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tiro no pé II

 Portugal sem representação diplomática na Guiné é uma grande confusão!

http://josepaulofafe.blogspot.pt/2012/06/guine-bissau-o-medo-de-pedir-o-agrement.html

Outro artigo do mesmo blogger, um pouco mais antigo, recuperando um slogan também já aqui usado: «Entradas de leão, saídas de sendeiro» (na altura, usámos palanca em vez de sendeiro, por nos parecer mais adequado)...

http://josepaulofafe.blogspot.pt/2012/05/entradas-de-leao-saidas-de-sendeiro.html

Dois coelhos de uma cajadada


Primeiro foi Ansumane. Depois Veríssimo. Depois Tagma, que tinha protagonizado o primeiro ritual de insubordinação na Presidência da República, onde punha e dispunha a murros na mesa; também tinha boas razões de queixa de Nino (não se faz a ninguém o que lhe este lhe mandara fazer...). Tagma foi morto por um explosivo (que segundo as investigações do inquérito seria de origem estrangeira): foi a primeira vez que um morto mandou matar um vivo? Fuzilamento. Terá Zamora sido apenas vítima do andar da carruagem ou, por outro lado, havia um maquiavélico plano para matar dois coelhos de uma cajadada?

Viva o Comando TravaMortes!

domingo, 3 de junho de 2012

Oportunidade para jornalista

Uma entrevista de fundo a Zamora seria bem pensada, para um semanário. A Guiné ainda não saiu de cartaz! Talvez, aproveitando o facto de também Carlos Gomes Junior estar em Portugal, pudessem mesmo promover uma conferência sobre o método simples de como se desembaraçar de Presidentes eleitos, para descargo de consciência do capitão Pansau Intchama, simples e confesso executor material de ordens superiores, por uma feliz coincidência, também actualmente em Portugal a finalizar um curso junto das Forças Armadas portuguesas.

Já o senhor Almirante talvez devesse completar a sua formação académica americana, por exemplo em Saint Cyr, aproveitando para se afastar um pouco de Lisboa e da situação em Bissau... Invista no seu futuro!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Angola - Plataforma do capitalismo neo-liberal viola direitos humanos

O papel emergente de Angola, palavra-chave de um puzzle mais complexo, o redesenho do mapa «neo-colonial» de África, numa nova Conferência de Berlim «informal» século e meio depois, vem colocar novos desafios, traduzindo-se decerto em ameaças fulminantes, mas também em apetitosas oportunidades para o capital internacional, já habituado a uma forte dose de volatilidade no ramo. Petróleo e as riquezas minerais são o novo chamariz: quem lhe toma o gosto...

O Presidente Amadou Touré do Mali cometeu o erro de se esquecer da companhia francesa Total, na «avaliação» das potencialidades de petróleo e gás na bacia Taoudeni (entre a Mauritânia e o Mali), recebendo 70 milhões de euros da Petro Plus Angola Limited, a fim de esta poder fazer a pesquisa, exploração, transporte e refinação de petróleo: Angola parece subvalorizar o papel dos franceses da Total, preferindo as multinacionais anglo-saxónicas (Chevron, Exxon e Mobil), mas sobretudo esquecer que ainda há «áreas» de influência tradicionais.

Quando tenta alargar a sua área de influência além fronteiras, demasiado «além», numa ambição despudorada e desmesurada, Angola está a jogar um jogo identitário perigoso... por sua iniciativa ou mesmo quando chamada, como no Sudão do Sul, esta dispersão de interesses só poderá esgotar a vitalidade e o papel verdadeiramente promissor e construtivo que Angola poderia desempenhar no continente. Lamentável caso de estudo, o desperdício de uma nação...

Enquanto isso, o campeão da democracia, José Eduardo dos Santos, distribui uns kwanzas sujos a esquadrões da morte para eliminarem a oposição mais incómoda: num veemente e sentido apelo lançado hoje por antigos militares que apenas queriam manifestar o seu desagrado com condições de vida desumanas e falta de apoio do governo angolano, numa manifestação que acabou impedida pelas autoridades; mas pior, dois dos dirigentes do movimento desapareceram. Um dos promotores do protesto, Tomás Artur Maria, dirigiu-se à imprensa assinalando os raptos, afirmando temer que os seus colegas estejam a ser torturados ou acabem por desaparecer sem rasto: "O povo já sabe que no domingo foi detido o Álvaro Kamulingue e desde então não há rasto dele. Na terça-feira, foi detido o dirigente máximo, Isaías Sebastião Kassule. Estamos à procura em toda a parte, fomos a todas as esquadras da polícia, mas os comandantes estão a negar toda a responsabilidade."

http://www.portaldeangola.com/familia-de-alves-kamulingue-continua-ser-saber-do-seu-paradeiro/