domingo, 15 de setembro de 2013

Nuno Rogeiro entrevista Cadogo

Cadogo continua a revelar a sua confusão identitária e inconsistência temporal:

Fala sempre no plural, como Júlio César, utilizando o «nós», mesmo nos assuntos mais desadequados, como a luta de libertação (não fazendo parte desse «nós», deveria usar o «vós»).

Acerca das acusações da DEA a António Injai, disse que está à espera que os americanos entreguem as provas ao «governo» (entenda-se o seu, claro, o legítimo, embora seja candidato presidencial).

Mal conseguindo disfarçar o gozo, Nuno Rogeiro desejou-lhe, para terminar, boa viagem de retorno a Bissau e longa vida...

sábado, 14 de setembro de 2013

Outro PP!

O ex-Comandante Pedro Pires sente-se indesejado na Guiné?

Ainda há pouco tempo vinha com falinhas mansas, oferecendo-se para «mediador». Esta semana, com uma entrevista ao Expresso, opta por um dos lados de um conflito que se propunha mediar? Poderá aferir-se, por esta atitude, a sua boa fé (e imparcialidade para árbitro).

Que é feito do pote de mel? Não se caçam moscas com vinagre. O lobo despiu a pele de cordeiro? Que pretende com esta entrevista? Atirar mais achas para a fogueira? Como lembrou o Didinho, quantos mais entraves colocarem à normalização da situação, mais tempo durará a transição.

Ah, e está a estragar o trabalho tranquilizador da Associação de Amizade entre os dois povos.

PIRE-Se.

Já o jornalista que assina a entrevista, José Pedro Castanheira, enxerta também, no final da entrevista, a sua opinião e preconceito: em que é que se baseia para afirmar que «Os EUA estão mesmo decididos a capturar o atual Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, general António Injai»? Entrevistou o Obama? Ou foi o ex-Comandante que lhe segredou?

E, já agora, confundiu 7 de Junho de 1998 com «Maio de 1999»; e Ansumane Mané não só «tentou depor o Presidente da República, Nino Vieira», como o depôs mesmo... Ele é que depois voltou (mesmo a pedi-las). Enfim, não há nada mais irritante que candidatos a jornalistas a quererem parecer entendidos, debitando postas de pescada, sem fazerem o trabalho de casa como deve ser.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Esperança poética

Já ontem, ao ler o Dautarin da Costa, tinha ficado fortemente emocionado.

Mas hoje, a leitura de dois artigos de Branca Clara das Neves, publicados pelo Didinho, fez rebentar os diques de contenção, e chorei de emoção.

Nestes momentos conturbados, os melhores filhos e filhas, amigos e amigas da Guiné-Bissau, elevam a nota de esperança!

Oportuna, a visão interna de uma máscara de tubarão, para assustar os candidatos à iniciação! Está-se a ver para quem é o «barrete»... do tubarão azul.

Canto Suspenso

Três vezes atrás

Adjarama pela poesia, 3 x Branca, preto, preto, preto.

Parabéns ao Progresso Nacional!

Parabéns ao Progresso Nacional pelo meio milhão de visualizações! E também pela grande reportagem sobre os fosfatos de Farim. Farim quer dizer governador em guineense (lembrança toponímica de uma organização política de tempos pré-coloniais)… mas parece-me evidente que os fosfatos representam um caso típico de má governação em África.

No Ministério e Direcção Geral envolvidos, não têm conhecimento do caso? Muito estranho…. Então quem emitiu os documentos que o Progresso Nacional desencantou? Serão falsificações? Onde param os vinte milhões de euros que a empresa afirma ter gasto em 2009? Terão alguma coisa a ver com o carácter draconiano e predatório da concessão?

Não se consegue discernir quais as vantagens para o país de um projecto associado a custos (e riscos) ambientais elevados, sem quaisquer contrapartidas para o Estado. Tal como com a bauxite de Boé, parece que as empresas promotoras não estavam a negociar com a Guiné-Bissau, como Estado, mas tão só com Cadogo, a título pessoal, o «proprietário».

Por isso o preço das acções da GB Minerals está tão deprimido, reflectindo as probabilidades, antecipadas pelos accionistas, de Cadogo voltar ao poder (um décimo do valor nominal!). Consideram pois que a «aposta» (de manutenção no poder do seu «campeão») está perdida, tal como, aliás, a «entrada» ou «sinal» que deram para o negócio…

De certa forma, é «bem feito». Está na altura de os candidatos à exploração dos recursos do continente começarem a respeitar os africanos, como povo (e a mãe terra que pisam): devem respeitar as instituições (por frágeis que sejam) e regras claras de transparência (como nos seus países), deixando de especular com a corrupção dos seus líderes.

Talvez essa, como defende o Progresso Nacional, seja a melhor forma de lidar com os elevados «riscos políticos», que são o seu maior calcanhar de Aquiles. Um negócio que se paga em dois anos de exploração? Sem contra-partidas (pelo menos, públicas) para o Estado receptor, dono do sub-solo? Tudo feito na maior discrição e quase em segredo?

Baseado em notícias recentes, publicadas pelos irmãos intelectuais balantas e pelo Samuel Vieira no Nô Djemberém, gostaria de apresentar dois casos de mineração do ouro na África ocidental (que tem um longo historial, tendo feito a riqueza dos impérios que por aqui gravitaram): um bom e um mau exemplo, dos quais se podem retirar valiosos ensinamentos.

Primeiro, o mau exemplo: o encerramento compulsivo de uma mina no Ghana, de capitais chineses, depois da ocorrência de uma catástrofe ambiental. A apetência pelo lucro fácil e a ganância, desrespeitando normas básicas de segurança e descartando preocupações ambientais, não são sustentáveis a longo prazo, pela sua inevitável falibilidade.

O bom exemplo vem do Senegal, onde uma importante fatia da actual receita fiscal do Estado provém da exploração desse mineral por uma empresa canadiana, a qual, para além disso, faz questão de invocar responsabilidade ambiental e social, promovendo projectos de desenvolvimento em várias áreas, desde a educação, saúde, agricultura, economia.


Este caso deve constituir-se como um aviso sério ao capital especulativo candidato à exploração dos recursos africanos: só têm a ganhar em abandonar preconceitos «selvagens» ferozmente neo-colonialistas; em fazer as populações beneficiar de uma (pequena) parte do imenso valor que pode ser sustentavelmente criado num clima de confiança mútua.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Clarificação de Fernando Vaz

Fernando Vaz defendeu que a ante-proposta de Amnistia seguiu por caminhos errados, ao centrar-se na figura dos autores do (contra)golpe; o esclarecimento, se tardio, é bastante feliz, pois o que está em causa é a amnistia do próprio golpe, independentemente dos seus autores. Dada a composição do hemiciclo, seria improcedente defender um voto de louvor aos executantes, que aceitaram dar a cara, no desempenho dessa patriótica e inadiável missão, que se impunha.

O PRS prepara já uma revisão, para que nova proposta, reformulada, suba de novo ao hemiciclo. Uma vez que esse voto se destina simplesmente a confirmar anteriores compromissos, o PRS, claramente minoritário e ao sabor dos caprichos, jogos e intrigas dos deputados absentistas, poderia inverter o ónus: uma proposta de simples validação da Lei da Amnistia, que, não sendo chumbada, daria os anteriores compromissos por assumidos. Qual a vantagem? Acabavam-se as férias, haveria quórum, para os deputados da maioria deixarem de se refugiar hipocritamente uns atrás dos outros, à vez. É que assim os absentistas contariam a favor da proposta!

Quanto à Liga e aos blogs que têm defendido que se tratou de uma «grande vitória» do CHUMBO, não se percebe como é que, quem se diz democrata (não sou eu) defende tal sofisma, que de outra coisa não se trata. 40 deputados votaram a favor da amnistia, 25 contra.

Em democracia, 8 ganham a 5! Azar a soma dar 13.

Grito de Revolta

Sobre a questão da nacionalidade guineense, Dautarin da Costa, apresenta-nos uma magnífica reflexão, a de um jovem e cosmopolita guineense, a quem insultaram e ultrajaram no seu mais profundo sentido de pertença e de identidade. A não perder!

Obrigado Progresso Nacional! 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

ANP fora da lei

A ANP, ao não aprovar a Amnistia prevista no Pacto de Transição assinado com o Comando Militar, coloca-se fora da lei. A violação dos acordos assinados nessa própria Assembleia, cria um facto político desnecessário, é manifestamente infeliz e arrisca-se a tornar-se um grave factor de desestabilização da actual situação política, já de si periclitante.

Uma ANP fora do prazo de validade, opta pelo incumprimento dos compromissos assumidos, numa clara atitude de desafio, perante a figura do Comando Militar. Tratando-se de um plano bem estruturado para criar confusão e empurrar o país para a Ditadura Militar, não faria «melhor». Pretendem encostar à parede os militares, de quem receberam o poder?

Os deputados do PAIGC à ANP colocam-se deliberadamente numa situação ilegal e sem saída? Espicaçar o leão com a vara curta nunca foi prova de inteligência. O PAIGC continua a pretender arrestar a nação e criar instabilidade, apenas porque as coisas parecem não lhe correr de feição? Seria útil conhecer a posição dos vários candidatos à liderança sobre o assunto...

Equívoco ou provocação? De momento, não me ocorre outra solução legal e pacífica a não ser os militares aceitarem submeter-se a um julgamento rápido (se a Justiça civil não estiver pelos ajustes, remeta-se para o Tribunal Militar), no qual possam validar as suas razões. Ninguém pode ser julgado duas vezes pelo mesmo «crime». Depois de este tiro no pé, resta a dissolução!

Gomes Sénior

Felicitações a Paulo Gomes, guineense na diáspora, pela sua corajosa decisão, neste momento difícil, assumindo a dívida que tem para com a Nação, pela sua identidade e formação.

Agradeço ao seu staff o convite para a apresentação da candidatura, que publicaria de imediato se ainda não tivesse já sido (para evitar redundâncias na rede guineense).

Aceite os desejos de felicidades na missão que se impôs, de regresso ao País, para dar o seu contributo, valorizado pelo grande sucesso obtido na sua carreira profissional.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Duelo em alegorias animais

Depois de um magnífico artigo, no qual a alegoria era digestiva (e os maus da fita não eram os necrófagos); Filomeno Pina volta à carga, com mais uma «deliciosa» análise em torno da luta titânica que opõe mar e rio, precisamente na Guiné-Bissau, onde a terra depende sobretudo da maré.

Desde já agradeço ao Filomeno o envio por email do artigo, que teria publicado de imediato se ainda o não tivesse já sido, pelos Intelectuais Balantas. Bravo, Filomeno! Esta sequência de alegorias fez-me lembrar Átila, o huno, que ficou conhecido na Europa medieval por «flagelo de Deus».

Efectivamente, este afirmava que, onde o seu cavalo pisasse, a erva não voltaria a crescer. Que comia este bruto ao jantar? Um bife que, de manhã, colocava debaixo da sela, para «assar» (mas não muito).

Kamarada K7

Desde 12 de Abril do ano passado que, volta não volta, o kamarada kassete Karlos Lopes Pereira, jornalista do Avante, tem publicado umas notícias inteiramente parciais sobre a situação na Guiné-Bissau, desinformando sem escrúpulos os já parcos leitores do seu boletim.

Desta vez, a pretexto (quinze dias antecipado, para coincidir com a Festa do «Avante», quando tem mais uns tantos tansos a ler as suas bacoradas) da comemoração das quatro décadas da declaração unilateral da independência, de 24 de Setembro de 1973...

Começa logo pelo sub-título: «os patriotas da Guiné-Bissau vão comemorar (...) empenhados em libertar-se da ditadura militar e retomar os caminhos do progresso». Retomar os caminhos do progresso? Qual progresso? Aquele que promoveu o PAIGC?

Continua pela mentira «agentes dos colonialistas portugueses assassinaram Amílcar Cabral»... Essa «notícia» é de 1973, está um pouco desactualizado em relação à verdade histórica. Recomenda-se o longo documentário que passou na RTP sobre o assunto.

Que o PCP puxe a brasa à sua sardinha, já se espera «A longa e heróica resistência antifascista portuguesa e o descontentamento provocado pelas guerras coloniais conduzem ao golpe militar de Abril, seguido pela Revolução dos Cravos». Causa primeira?

Sim, sim. Não fosse a derrota militar na Guiné-Bissau, a «longa» resistência teria continuado por mais outras tantas décadas... Não tiveram qualquer peso no assunto; tentaram depois manipular a revolução, até lhes porem o freio, noutro dia 25, este de Novembro de 1975.

A ultra-ortodoxia do Partido Comunista é mais aguda que a da Igreja Católica: continuar a apoiar acriticamente todos os «PCs», independentemente das suas piores derivas. Já em 1998, nunca deixaram de apoiar Nino, mesmo contra todas as evidências de apoio popular à Junta.

Lançar apelos bélicos aos «patriotas» guineenses? Para lutarem contra «generais narco-traficantes»? Não estarão a simplificar um pouco a situação? Os leitores do Avante não são propriamente conhecidos pelo seu espírito crítico, mas mesmo assim...

Não deixa, no entanto, de afirmar a identidade do Partido Comunista Português, pouco dado a internacionalismos e sempre claramente nacionalista: mostra-se preocupado com a integração da Guiné-Bissau na sub-região, «de forte influência neocolonial francesa».

Termina afirmando que «a Guiné-Bissau independente está em perigo». Nacionalistas como são, lá no Partido, poderiam colocar-se na pele dos guineenses: será que continuariam a achar que decapitar a classe castrense e deixar invadir o seu próprio país é solução que se preze?