Mesmo após a marcação da data das eleições, na CPLP continua em vigor a suspensão (que começa a soar a exclusão) da Guiné-Bissau. Parece-me vergonhoso que os procuradores da organização, como profissionais que deveriam manter a sua independência face ao poder político, alinhem nesta farsa, em vez de tentarem reforçar o papel dos seus colegas guineenses na sociedade, que tanto necessita que alguém se importe com a administração da Justiça. Estarão a procurar no sítio errado? Em Luanda, procurar Justiça, não será como procurar uma agulha num palheiro? (depois queixam-se que aumente a tentação de reduzir tudo a cinzas para facilitar a pesquisa)
Está na altura de repensar seriamente a CPLP, em termos de identidade própria, de forma a evitar instrumentalizações políticas (a soldo de interesses suspeitos) como aquela que conduziu à suspensão da Guiné-Bissau. Se um país tem problemas, ostracizá-lo será a melhor opção? Abandonar o povo para «castigo» de uma situação? Que «valor acrescentado» real tem apresentado a organização para exorbitar assim das suas atribuições? Vêem com facilidade o cisco no olho do parceiro, mas não a trave que têm pela frente e lhes torna a vista curta.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
CPLP coxeia por Luanda
sábado, 6 de julho de 2013
Didinho encontra-se com Ramos Horta
Graças a uma louvável iniciativa de Ramos Horta, de passagem por Lisboa, o Fernando Casimiro teve uma oportunidade histórica para transmitir o seu contributo ao processo em curso na Guiné-Bissau, que muitos, para além de um retorno a uma (nova?) ordem constitucional, esperam que se constitua também como uma viragem decidida em relação ao desenvolvimento, um despertar tantas vezes adiado.
O Doutor Ramos Horta está de parabéns e espero sinceramente que estenda o seu roteiro e o seu empenho pela Guiné-Bissau para além das eleições que se avizinham, pois, como muito bem disse, os problemas da Guiné-Bissau não se esgotam com esse acto. Com o afastamento de Paulo Portas abre-se uma oportunidade para uma reinvenção positiva da CPLP, projecto que procura um líder à altura...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Força 1150
O Movimento do(a)s Cidadã(o)s Livres (MCL) publicou o seu Manifesto! Viva a verdadeira democracia e a participação directa. Abaixo as farsas.
A pressa em apresentar o orçamento para as eleições e em fazê-las depender de ajuda externa não dignificam a Guiné-Bissau.
Paulo Portas golpista
O ex-Ministro Paulo Portas, tentou dar um golpe de estado; no entanto, a sua incoerência e inconsistência traduziram-se em timings desapropriados e conduziram a uma percepção da sua atitude, por parte dos portugueses, como de uma certa infantilidade. Com estatuto de demissionário, ainda conseguiu criar um último embaraço ao Estado português: como bom lacaio dos americanos, interditou o espaço aéreo português à passagem do avião presidencial boliviano (numa atitude claramente ilegal e desnecessária pois se não podia sobrevoar o espaço francês, nunca cá chegaria), sob pretextos fúteis (falta de condições técnicas…) Até a presidente do Brasil, que passou por Portugal há pouco tempo, exigiu um pedido de desculpas (que o presidente francês se despachou a fazer).
O Primeiro-Ministro não pode ficar refém da imaturidade política de Portas traduzida numa chantagem pública desadequada e inoportuna (no princípio das férias? não poderia ter esperado pela «rentrée»?). Qualquer que seja o resultado da crise política artificial criada pelo gosto das passerelles e holofotes que alimenta o Presidente do PP PP, este não terá condições políticas nem legitimidade para continuar à frente das Necessidades, onde o seu sucessor poderá aproveitar o balanço para corrigir o tiro em relação à política externa, nomeadamente no que toca à Guiné-Bissau e à CPLP, que carece de uma total reinvenção, em termos identitários, para impedir que fique à mercê de políticos irresponsáveis como Paulo Portas. É a boa estrela de Portugal que está em causa.
domingo, 30 de junho de 2013
Rispito na terra de Goiaba com Banana
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Emiliano libertado!
Nelson Mandela, quando saiu da prisão, depois de mais de um quarto de século, disse apenas uma palavra «Poder!»
terça-feira, 25 de junho de 2013
Bater no ceguinho
Pelos vistos, a Guiné-Bissau serve de bombo da festa para todas as ocasiões, saco de boxe para descarregar a má consciência generalizada da comunidade internacional, bode expiatório ideal para todos os males existentes no mundo.
Num encontro presidido por William Hague, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros inglês, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, contando com a presença do Secretário Geral (para além de uma linda e angélica estrela de cinema) e com mais de seis dezenas de oradores, destinada a «incrementar os esforços para acabar com a impunidade relacionada com a violência sexual associada a conflitos», o embaixador do Paquistão junto das Nações Unidas, depois de evidenciar como a violação pode destruir a vida das famílias envolvidas, referiu como exemplos negros a Líbia, logo seguida da Guiné-Bissau.
Para além de golpistas, traficantes de armas e de droga, terroristas e conspiradores contra os Estados Unidos, faltava esta, agora os guineenses também passaram a violadores de primeira.
Isto justifica, no mínimo, uma forte nota de desagrado a enviar ao Conselho de Segurança pelo MNE; o pronunciamento de Ramos Horta sobre o caso; uma viva reacção da opinião pública.
Ler a agência noticiosa paquistanesa sobre o assunto.
Sugere-se que, em vez de procurar, através de bodes expiatórios, branquear os problemas muito reais das mulheres violadas, os bem intencionados promotores dos Direitos dos Homens e das Mulheres, procedam à identificação de situações reais e não inventadas, o que só pode descredibilizar a Organização, bem como a própria iniciativa, em si louvável.
Apenas para ajudar, poderiam citar-se casos práticos, na própria CPLP, que deveriam merecer a atenção das Nações Unidas. Ainda hoje foi publicada uma notícia relacionada com a violência sobre as mulheres em Angola. Além disso, o regime tem utilizado sistematicamente e de forma continuada, a violação de mulheres pelos militares, como forma de castigar o povo de Cabinda.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Opinião
As duas eleições em simultâneo podem trazer uma nova crispação, absolutamente desnecessária! Parece-me claro que Cadogo vai querer candidatar-se, tem toda a legitimidade para isso e, se não aparecer uma figura consensual, não tenho dúvidas de que vai ganhar com toda a facilidade.
Convencê-lo a não participar será um acto falhado porque ele está com ganas de voltar e, na actual conjuntura, o regresso dele será o mesmo que atirar um fósforo aceso para um barril de petróleo. Ainda existem muitas etapas para queimar em Bissau antes de se avançar para as Presidenciais, isto se não quisermos dar um passo em frente para depois dar dois atrás!
Marcelo Marques
Lembrando o Didinho
Pouco antes das eleições presidenciais de má memória:
«Para mim, é urgente iniciarmos uma nova etapa na Guiné-Bissau, romper com figuras que simbolizam a apatia, o conformismo, a mentira, a divisão, a ganância, a corrupção, o crime de sangue, a injustiça nas suas múltiplas vertentes, etc. O Professor Emílio Kafft Kosta pode vir a ser (caso decida por isso) um alicerce de garantia segura na edificação de uma Guiné-Bissau Positiva, através de uma mudança que se impõe como corolário da afirmação de novos valores e referências nacionais dispostos a devolver a dignidade à Guiné-Bissau e em prol do bem-estar comum! Aos meus irmãos guineenses, peço que estimulem a mudança, apoiando e motivando valores nacionais que não enganam, tal como o Professor Doutor Emílio Kafft Kosta e muitos outros, que, contudo, têm sido "desconsiderados", impedidos até, de ajudarem com os seus conhecimentos, na busca de soluções para a Guiné-Bissau! Caro amigo de longa data, Emílio Kosta, gostaria de te ver a ocupar o mais alto cargo da Magistratura guineense, o de Presidente da República!»
Perfil do futuro Presidente
Antes de começar a discutir nomes, talvez valesse a pena lançar um debate mais «anónimo» acerca do perfil indicado para o cargo, à semelhança do que o Progresso Nacional em tempos fez para o cargo de Chefe de Estado Maior das Forças Armadas.
Avanço já com a minha opinião. Com toda a recente conversa de «inclusividade», seria um equívoco pensar que o Presidente deve ser um homem de consensos; pelo contrário, julgo que deverá ser um patriota intransigente. Um homem que saiba bater o pé, encarnando uma legitimidade consubstanciada num projecto claro de extirpar da sociedade guineense a condescendência para com «quadros» políticos medíocres, corruptos e prepotentes. É preciso um grande empenho na consistência (já chega de brincar aos países) e transparência (para a credibilidade); esse desafio não é fácil, vai ser preciso uma personalidade férrea (para não dizer ferrenha e teimosa) e conhecedora do país, para não se deixar enganar. Como terá pela frente imenso trabalho, será preciso não deixar em mãos alheias os seus créditos e arregaçar as mangas, mesmo sem ar condicionado.
Para já, uma «pré-candidatura» de Paulo Gomes seria um tiro no pé. A acreditar no Progresso Nacional, parecem haver movimentações no sentido da recolha de apoios... tentando eventualmente antecipar-se na «sugestão» de uma terceira frente «sociedade civil», para fazer frente aos candidatos do PAIGC e PRS. Nos provérbios bíblicos recomenda-se a humildade, para não tentar ocupar lugar de prestígio à mesa, pois pode chegar alguém mais importante, e sermos obrigados a levantar para lhe ceder o lugar... mais vale que nos sentemos lá atrás e depois nos chamem para os lugares da frente. O problema será, obviamente, o «milagre» da multiplicação das terceiras vias, que só servirão para reforçar o partidarismo bipolar. Essa poderia ser uma iniciativa do Fórum dos Partidos, discutir perfil e projecto, encontrar uma personalidade consensual para o cargo, convidá-la, sugeri-la aos eleitores e apoiá-la nas urnas, encarnando assim um projecto sério de mudança.
Já há dez anos Paulo Gomes era o «mais falado»...
