sábado, 26 de maio de 2012

Reuniões «frutuosas»

O mesmo adjectivo foi usado, em Lisboa e em Bissau, para descrever os trabalhos de reuniões em torno da situação na Guiné-Bissau. Manga di fruta. Ou seja, bué em angolano.

Em Bissau, concretizou-se a reunião entre CEDEAO e CPLP, sob os auspícios da ONU, os tais «novos canais»; no entanto, não foi autorizada qualquer entrevista dos participantes, tendo apenas sido referido o aspecto «frutuoso» das conversações. Parece um silogismo adequado para descrever um encontro com surdos (mas não mudos: são donos do mundo e não mudam uma vírgula).

Em Lisboa, uma iniciativa organizada pela eurodeputada socialista Ana Gomes no Centro Jean Monnet juntou eurodeputados e os 4 da vida airada (numa representação de luxo de ex- tudos: Presidente, Primeiro-Ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Embaixador) os quais de Belém ao Rato não se cansam de marcar presença. No final Carlos Gomes Júnior declarou aos jornalistas que "Esta reunião foi bastante frutuosa para demonstrar que o povo guineense está a exigir o retorno do governo saído das urnas".

Note-se a incongruência de exigir o «retorno do Governo saído»: podiam também pedir ao contrário, a saída do Governo entrado, que ia dar ao mesmo... Parece pouco adequado estarem a decorrer conversações em Bissau e conferências paralelas «contraditórias» em Lisboa. Já quanto ao ex-Primeiro-Ministro, não se compreende em que se baseia para a sua afirmação quanto às «exigências do povo»: pubis ka burro.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Remake II

O porta-voz dos insurrectos, Daaba na Walna (sim, há imensas versões do nome) acusou Carlos Gomes Junior de...

«abuso de poder, infidelidade aos princípios, uso indevido das instituições militares, violação da constituição, perseguições e atentados contra a integridade física de oficiais da classe castrense, entre outros, motivos da insurreição levada a cabo na Guiné Bissau».

Estão todos a pensar que isto é de Abril de 2012: pois enganam-se.

É sim uma «mentira» de 1 de Abril (mas de 2010)!

Como começou esse dia? Com uma «assembleia» de altas patentes em Amura, para o confronto directo entre CEMFA (Zamora) e seu Vice (Injai), na sequência do mal-estar que se vinha vivendo desde Janeiro, quando Zamora chamara Injai a São Vicente para o acusar de cumplicidade no retorno de Bubo da Gâmbia onde se encontrava refugiado; a coisa acabou a murro, com a grande maioria dos oficiais a darem razão a Injai, tendo sido imediatamente desarmados e presos Zamora e Samba, o chefe da sua sinistra secreta, o qual aparentemente urdira toda a intriga, nela acabando por enredar o seu próprio chefe. Injai estava a ser vítima de uma «inventona» («crioulo» guineense derivado de intentona) que teria tentado prevenir no dia anterior telefonando aos mais altos responsáveis da Nação, Presidente, Primeiro-Ministro e Procurador-Geral, que se negaram a ouvi-lo. Toda a cena depois, que a comunicação social apanhou, foi feita «a ferver», assumindo a forma de uma «explicação» não agendada com o Primeiro-Ministro, na qual não houve outro estrago senão um par de óculos de um ministro. 

Apertado, Samba terá chegado a deixar cair um nome relacionado com a Embaixada de Angola... Mais recentemente, quando foi morto (curiosamente na véspera de ser ouvido em Tribunal), como o Aly constatou, a surpresa da tropa foi total (I Samba!), até porque se tinham responsabilizado pelo desenrolar tranquilo do processo eleitoral, conforme justificação do «eterno» porta-voz. Quem poderia Samba denunciar? A quem aproveita o crime? Terá sido a gota de água que fez transbordar o copo da classe castrense? Se Zamora foi mais vítima da sua ingenuidade do que propriamente cúmplice, o seu testemunho será importante (o mais importante talvez nem seja o assassinato de Nino): deverá talvez, neste momento, evitar Lisboa, para manter a sua imparcialidade perante Bissau.

Neste contexto, o recente comunicado do dia 23, da Liga Guineense dos Direitos Humanos, para além de suspeito, contradiz-se na forma: como podem pedir, no ponto 2, a libertação de Bubo invocando a Amnistia a aprovar pela ANP ao abrigo do Acordo Político, se esta se refere, na letra, exclusivamente ao dia 12 de Abril deste ano? Se invocam o texto, se pretendem um alargamento do seu âmbito, estão a reconhecê-lo. Mas não: logo no ponto seguinte denunciam o Acordo Político, para no ponto 4, apelar à rejeição da Amnistia. Em que ficamos? Tristes encenações, a juntar-se ao coro de protestos internacionais visando a situação no país ao tempo do governo de Carlos Gomes Junior...

Fernando Gomes, o ex-Ministro do Interior, faz curiosamente lembrar um seu homónimo ex-Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos. O primeiro, na sequência de mais uma «inventona» ou «intentona», conforme se queira - ou der mais jeito (na Guiné os dois termos acabam sempre por se assimilar na confusão) - do último Natal, negociou a rendição de Iaia Dabó (irmão do falecido antigo ministro do Interior e deputado Baciro Dabó - outro sinistro personagem e narco-barão), o qual foi abatido a tiro a sangue frio no interior do carro em que pensava entregar-se (depois de negociações envolvendo vários personagens) por elementos da Polícia de Intervenção Rápida (força formada em Angola, que já chegara no tempo de Nino, para o «proteger»), facto também noticiado pela Ditadura do Consenso. Gomes consta da lista de elementos do ex-Governo proibidos pelo Comando de deixar a Guiné-Bissau.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Doka Internacional versão Serifo

A mosca tem estado relativamente em descanso, muito poucos contactos locais (ao invés de 1998), quase tudo com origem na internet e no coração.

Mas hoje, justificava-se uma violação do protocolo.

O Presidente da República lembrou o nome do Pai (morto) do Doka; quase um elogio ao Filho (vivo).

Com o pai elogiou a seriedade e a força. Com o filho, a opinião actual e o «poder ser»...

Não partilho da opinião de certas pessoas, que se recusam a especular o passado, em conversas sobre História, puxando dos lugares comuns:

«Se cá nevasse, fazia-se cá ski» ou «Se a minha avó tivesse tomates era o meu avô»...

Como pode o futuro ser um imenso campo de possibilidades em aberto, se, por outro lado, nos recusamos liminarmente a discutir o que «poderia ter sido», afunilando o passado à vulgar e miserável realidade que foi?

Ler a história...

http://dokainternacional.blogspot.pt/2011/03/paigc-depois-de-35-anos-do-seu_09.html

Ouvir Ke ki mininu na tchora
de José Carlos Schwarz    ke ki mininu na tchora

Portas impinge Bissau (também) em Estrasburgo


http://www.dw.de/dw/article/0,,15968891,00.html

Lamentável performance, uma vez mais, do (des)«Governo» português, esta quarta-feira na questão da Guiné-Bissau, desta vez no Parlamento Europeu. Paulo Rangel, eurodeputado do PSD e Diogo Feio do CDS, os lacaios de serviço, chatearam-se sozinhos porque ninguém os leva a sério: tiveram de se dirigir a uma Comissária propositadamente ausente, e constatava-se um forte tom de agastamento bem perceptível nos poucos euro-deputados presentes no hemiciclo quase vazio... bom exercício de «democracia».

O cão feioso EMI (his master voice)... para pior ainda, que horror, o homem nem falar sabe, cada vez que tenta levantar a voz, engasga-se a cada duas palavras! Olhe que parece um comunista, a berrar pelos «direitos»! Estado frágil? Deveria estar a referir-se ao seu próprio país... Quem quiser que veja a triste amostra de um minuto em video:

http://videos.sapo.pt/d4sMRMYNmYVoGEwGbaZH

Qualquer dia ninguém pode ver os portugueses: «Fujam, lá vêm os chatos com a mesma conversa»...

P.S. Quem tenta salvar a face (arranjar outros canais, deslocar-se a Bissau) não alimenta este género de diversões de mau gosto.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Jair Jaló : Que Deus ajude o povo da Guiné pensar para Bem!

Jair:

Não te conheço, mas tenho por justo fazer-te um grande elogio. Um jovem sem complexos que escreve português como o sente (independentemente de um ou outro erro: continua a «errar» assim)...

Que o teu desejo seja exalçado. Deus não dorme.

http://www.didinho.org/vamos_participar_na_busca_de_solucao.htm

Portas do Cavalo II

Paulo Portas está tão curto de argumentos, que já só os apresenta um a um: neste momento, o único que tem em cima da mesa, é a acusação de na Guiné-Bissau estarmos perante um golpe de estado pelo controlo do tráfico de droga. Está enganado (ou então está a querer enganar-nos). Como toda a gente sabe, Nino estava envolvido até ao tutano e nunca ninguém se lembrou de o acusar, quanto mais de pedir a sua deposição. Foi substituído por Carlos Gomes Junior no cargo de Barão Senior: quem não se lembra de Zamora, quando foi «espremido», o ter acusado de ordenar pessoalmente uma «desapreensão»? E Paulo Portas, como Ministro de Portugal, a porta de muito desse cavalo, deveria ter mais cuidado com as suas afirmações, pois o nível de hipocrisia está a alcançar níveis estrato-esféricos: talvez faça melhor, antes de falar, em inspeccionar os porões das traineiras que se dedicam à «pesca» nas águas da Guiné; já agora, podiam pagar as licenças... Sem ofensa para os comerciantes da especiosa mercadoria, vítimas da hipocrisia mundial, pois apenas aproveitam as oportunidades que a satisfação das necessidades desse mercado proporcionam. Aliás, uma solução desejável, segundo as conclusões do IISS, num estudo recente já aqui referido, seria a liberalização desse comércio: a luta ideal e eficaz contra o tráfico é a sua conversão em comércio legal, sob apertado controlo fiscal e sanitário.

Foto infeliz II

Depois de muito procurar, finalmente encontrei o Wally! Estava bem disfarçado na paisagem, desta vez. Só se via o contraste do fato, preto e branco. Deposto pelo Comando e decapitado pela escolha de um belíssimo fundo... «desadequadamente» feito ainda a Guiné não tinha sido «descoberta» pelos tugas (os primeiros dos macacos brancos sem pelo a chegarem ao continente)...

Hollande dá continuidade a política africana de Sarkozy

O papel da Missão Licorne na Costa do Marfim, não foi questionado, tal como as grandes questões de fundo, que não passarão pelo Parlamento, devendo manter-se como prerrogativa presidencial.

http://koaci.com/articles-75089

domingo, 20 de maio de 2012

Nova constituição

No site do Didinho foi publicado em primeira mão o texto do novo acordo político que deverá reger o retorno à normalidade democrática, assinado e promulgado pelo Comando Militar na última Sexta-Feira, configurando a integral entrega do poder aos civis, consagrando suas principais reivindicações, entre as quais se destacam preocupações de:

Garantir a autonomia e independência da Justiça e da Comissão Nacional de Eleições.

Garantir o combate à corrupção e ao tráfico de drogas.

Garantir o restabelecimento da confiança nas Instituições do Estado, a nível interno e externo.

Garantir a qualidade técnica dos envolvidos em questões de governação.

Garantir a transparência das Contas do Estado, promovendo auditorias independentes ao anterior Governo e ao próprio Governo de Transição (uma vez findo o seu Mandato).

Garantir uma Amnistia (prova de humildade da tropa, que reconhece assim que teve de optar entre dois males - enveredando pelo menor) a favor dos promotores da clarificação da situação política e elementos do Comando (mas porque não alargá-la, em prol da reconciliação e do apuramento da verdade, a todos os implicados em crimes políticos dos últimos anos? mesmo o principal beneficiado sendo Cadogo, de outra forma são feridas que nunca sararão e só podem trazer mais desentendimentos e complicações; perdoar, aliás, facilitará o seu esclarecimento - até porque muitos culpados, tal como as suas vítimas, estão mortos - e este é o momento ideal para uma pacificação «forçada»; vamos acabar com violência e ressentimentos? violência só pode atrair mais violência).

Do documento final constam 25 assinaturas: destas, a maioria (simples, presuma-se, ou seja uma dúzia mais uma), poderá exonerar o referido Primeiro-Ministro (ouvido o Comando Militar, claro, num entendimento alargado do Artigo 4º). 

Na ANP, talvez se devesse consagrar a sessão permanente. Os deputados que forem caindo, ao abrigo do regimento, deveriam ser substituídos por uma lista a elaborar, de figuras notáveis da sociedade civil, a começar talvez pelo Bispo de Bissau, que tem demonstrado caridade e disponibilidade para se envolver numa solução partilhada e realmente participada, bem como outras autoridades religiosas, civis respeitados, representantes de ONGs no terreno, etc.