Depois de todas as asneiras que fez no processo recente da Guiné-Bissau, já não há saídas airosas para Paulo Portas, já não há sorte que lhe possa valer. O projecto de resolução, que pretendia estabelecer uma «força de reposição» da ordem, rapidamente se viu retrogradado a um humilde pedido de sanções contra os golpistas; mas mesmo conceder isso já parece demais perante tão mísera performance... porque não deixa de incomodar as pessoas? Uma Comissão terá de analisar o pedido. O projecto é obviamente remetido para as calendas gregas. E Paulo Portas recebe ainda a suprema humilhação de ser retro-condenado: há fortes «reticências» na organização quanto à insistente tentativa de impor a designação de «Governo legítimo» aplicada a cidadãos no exterior (cuja libertação, aliás, devem à CEDEAO e àqueles em quem tanto condenam a violação dos Direitos Humanos...), sem qualquer ligação com a realidade. Veja-se o jornal da ONU:
http://whatsinblue.org/2012/05/negotiations-on-a-guinea-bissau-sanctions-resolution.php#
O Togo acusou Portugal de deturpar o texto submetido, relativamente ao acordado... Agora Paulo Portas até já faz batota? Conhece a história de Pedro e do Lobo? Também o Expresso noticiará amanhã como o Conselho de Segurança deixou cair a exigência de «reposição» do «governo legítimo»...
Talvez seja altura de pensar como os portugueses do outro lado do Atlântico, ou seja, em colocar pelo menos um ovinho noutro cesto... é que o cestinho de Paulo Portas já ab...arrota, temo que alguns se tenham partido (suspeito mesmo, pelo cheiro, que alguns já estão a apodrecer...)
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Portas do cavalo na ONU
Brasil desmarca-se da CPLP e reconhece Comando
Ontem, num claro gesto de boa vontade, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil referiu-se à disponibilidade do Brasil para participar numa missão internacional conjunta de observadores da União Africana com a ONU, para a Guiné-Bissau, frisando insistentemente «que o Brasil não apoia uma intervenção
militar na Guiné-Bissau, mas sim o envio de observadores» ou «que a posição do Brasil é a de defesa do diálogo». Defende ainda que qualquer acção deverá ser «acordada com as autoridades guineenses», estendendo a Lisboa e Luanda uma pequena ponte para o diálogo, dando um sinal para a saída do isolamento e beco sem saída a que estas diplomacias se votaram, ao defenderem intransigentemente um impossível retorno ao passado. Come back to the future!
Diplomático ultimato
Ouattara fez ontem um ultimato a José Eduardo dos Santos através do seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, que enviou a Luanda: consonantemente, este não estará em posição de o recusar; a MISSANG terá de começar a sair já este fim-de-semana de Bissau. Esta ordem de despejo é uma prova de força instantânea para a CEDEAO e um sinal claro para o Mali: a organização não está para contemporizar com o apodrecimento das situações e pretende demonstrar a sua capacidade operacional conjunta e prontidão.
http://www.gbissau.com/?p=843
Garante-lhe «pessoalmente» uma saída ordeira, com a segurança garantida pelas forças da CEDEAO. Uma evacuação de POWs não teria melhor protocolo!
Falta apenas delimitar a missão da CEDEAO a esse ponto único, urgente, e a despachar rapidamente, para depois dispensar essas forças tornadas desnecessárias por uma transição de sucesso e evitar à organização regional incorrer em mais custos por causa da Guiné-Bissau; para retribuir o apoio agora prestado ao processo político guineense talvez seja mesmo possível, no âmbito do novo governo, disponibilizar um contingente para outras operações regionais de manutenção de paz.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Esquadra Burkinabé em Cumeré
http://noticias.pt.msn.com/Saude/article.aspx?cp-documentid=250018085
No artigo, um belo instantâneo, com Daba Na Walna em primeiro plano meio desfocado, para focar os soldados um pouco mais atrás. A bonomia e descontracção reinam, em contraste com a crispação diplomática em torno da questão.
Crispação facial
Certos analistas internacionais começam a desconfiar dos reais interesses de Paulo Portas nesta questão. Para nos cingirmos a uma fonte utilizemos Radio France Internationale:
«Reste à comprendre pourquoi l'Angola et le Portugal tiennent autant à jouer un rôle en Guinée-Bissau. Certains évoquent des intérêts économiques et notamment des accords secrets passés avec l'ancien Premier ministre à propos de l'exploitation pétrolière.»
http://www.rfi.fr/afrique/20120509-guinee-bissau-grandes-manoeuvres-diplomatiques-poursuivent
Quanto à força anunciadamente a enviar pela CEDEAO, constituída quase exclusivamente por soldados nigerianos, reconhece-se o parecer negativo da imensa maioria das pessoas em Bissau:
«À Bissau, l’arrivée de la force de CEDEAO est sur toutes les langues, dans les lieux de travail, dans les quartiers et les coins de rue: Les gens pensent que cette force ne résoudra pas le problème : "En termes de stabilité, je pense que cette force ne saura pas résoudre le problème. Ce sera pire ! La Missang était ici, cela n’a rien changé. Au contraire, elle crée une crise, une polémique. Je crois que ce sera la même chose avec cette force".»
http://www.rfi.fr/afrique/20120516-guinee-bissau-cedeao-missang-abidjan
Sim, para que serviria essa força? Supostamente para proteger as instituições, fazer a protecção a VIPs & last but not the least, «substituir a MISSANG».
A MISSANG precisa de sair apenas, não de ser substituída. Angola está a começar a cansar todos os diplomatas que lidam com a questão: o burkinabê Kadré Ouédraogo mostrou-se agastado com o antagonismo de Angola e da CPLP relativamente à boa vontade da CEDEAO, sugerindo mesmo à VoA que se trata de clara ingratidão: depois de acumularem erros e hipocrisias em torno da «democracia», omitindo o verdadeiro problema, que surgiu quando a «CEDEAO ficou a saber da extrema tensão existente entre as tropas da Guiné-Bissau e as forças angolanas presentes no seu território», tendo-se prontificado a «ajudar a evacuar» essa força.
Quanto à protecção das instituições e VIPs, não será necessário, pois o Comando Militar já deu provas da sua capacidade para a manutenção da ordem interna (a menos que estejam a pensar como Portugal e Angola, em instituições «democráticas» do passado, nesse caso o melhor seria irem directamente para Lisboa).
Dia D (ezoito)
Afinal não chega amanhã qualquer força estrangeira a Bissau. A CEDEAO ponderou e julgou que uma composição dessa força baseada apenas em soldados da Nigeria poderia ter problemas de comunicação com a população local... Dada a preocupante situação no Norte do Mali, os Ministros da CEDEAO vão reunir de novo depois de amanhã, Sábado, em Abidjan, para reavaliarem a situação, ali e em Bissau.
A Nigeria lamenta, mas confessa que também não seria possível cumprir o prazo inicialmente estipulado, dia 18, por dificuldades de logística: o responsável adianta mesmo que a única possibilidade seria o envio dos soldados desarmados, o material a (não) utilizar seguiria depois... segundo o Ministro da Defesa nigeriano na PANA: ''We don't want a situation where the soldiers will arrive ahead of the necessary equipment.''
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Encenações frustradas II
Desta vez em Lisboa:
http://www.socialaicos.com/index.php/media/videos/pesquisar/595-ana-rita-caneira-monteiro/video/10600-guineenses-em-manifestacao-de-apoio-ao-primeiro-ministro-deposto-da-guine-bissau?groupid=0
Meus caros adeptos do ex-PAIGC e alguns curiosos que se vêem neste vídeo: uma dúzia de pessoas não é uma manifestação, sobretudo nesse sítio, à hora de ponta! Todos os dias a essa hora, para além de alguns camones para a Ginginha, costumam estar nesse sítio mais guineenses que esses que se vêem «em directo» na imagem. É a pequena Bissau, sempre tolerante; de outra forma, a enorme, discreta, paciente e silenciosa maioria teria inibido essa manifestação pouco representativa do sentir autenticamente guineense.
Pontualidade britânica
E mal estar na sala. Bem sentadinhos e congestionados nos seus fatos e gravatas (e as mãos? todos com o mesmo tique entrevadinho) cinco minutos depois da hora de chegada ao Palácio de Belém (segundo o relógio de cuco), segundo o protocolo. Fazia calor em Lisboa...
O banco do meio ficou grande demais... será para assinalar a ausência de alguém? Infelizmente Daba não pode viajar... mas o lugar de honra, no centro das atenções, ficou reservado para ele.
Nas declarações para os telejornais, mantém-se a irredutibilidade do discurso... agora publicitados com renovado vigor pelos media portugueses. Tanto os Estados Unidos como a China já apelaram ao diálogo, criando um novo cenário político. O ex-PAIGC continua a esticar a corda, com consequências imprevisíveis, recorrendo à cobertura de Paulo Portas, numa inconsiderada aposta do «tudo ou nada» já apenas destinada a salvar a própria face. Chega de hipocrisia!
PS Com os devidos créditos ao repórter fotográfico da Presidência, através da respectiva página oficial. Cenas dos próximos capítulos, amanhã, nas Necessidades.

