quarta-feira, 16 de maio de 2012

Aguiar-Branco lava as mãos e chuta para Portas

A ida ao Parlamento de Aguiar Branco para justificar a Missão Manatim, que afinal se saldou em quase seis milhões de euros, foi realizada à porta fechada e acabou com um discurso contemporizador do P.S. que, no entanto, não quis deixar de lembrar que será necessária a presença de Paulo Portas para esclarecer os aspectos diplomáticos e a sua opinião quanto ao evoluir da situação. Segundo a Lusa:

Sublinhando que "os golpistas ainda controlam a situação", Marcos Perestrello disse que "o ministro da Defesa entendeu ainda não prestar nenhum esclarecimento, talvez porque sejam questões que essencialmente o ministro dos Negócios Estrangeiros tenha que esclarecer".

O P.S. afirma ainda que é constrangedora a falta de perspectivas do Governo português quanto a um evoluir claramente desfavorável da situação. Enquanto isso, a farsa que se prepara no Palácio de Belém, com a recepção «oficial» de exilados políticos a título de chefes de «estado», não poderá melhorar muito essa confrangedora situação. Julgo que haverá reportagem fotográfica da encenação para logo ao fim da tarde.

Afim de minimizar os estragos do indesejável ostracismo a que parecem querer votar a Guiné, talvez seja melhor não alinharem de cabeça perdida no plano de Guerra Civil que se prepara a partir de Lisboa. Os guineenses na Diáspora deverão evitar escutar ou sequer conviver com este género de parias e agitadores, com planos de governarem a partir do «exílio»... Quanto a Portugal, só tem a perder e nada a ganhar. Um erro de avaliação inicial de um Ministro mal informado (ou bem comprado) está-se a transformar, por via da sua teimosia e autismo, não apenas num sorvedouro de dinheiros públicos, como num desastre diplomático, que só não é também militar porque a tropa já percebeu quem é Paulo Portas e o Ministro da Defesa deixou bem claro que não está prevista qualquer outra operação!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Bu ta sai da pilon, bu cai na balai?

O Aly Silva tem razão: seria ridículo para os intervenientes neste Golpe de Estado que a emenda fosse pior que o soneto! Está provado que, no actual contexto, as tropas estrangeiras são O problema. E ninguém quer mais problemas na Guiné; problema, problema, e bem mais grave, é no Mali, e para já a CEDEAO retraiu-se na reunião de ontem, Segunda-Feira, em Abuja, afinal já não envia tropas… Ao contrário do que alguns parecem querer fazer constar no seio da organização, de a Guiné configurar um caso «mais simples» que o Mali, isso não é decerto verdade visto pelo prisma da eficácia militar. E nada justifica uma mesma bitola no tratamento das duas situações, que apresentam características muito diferentes.
Podem mobilizar forças «para a Guiné», isso ficou acordado. Mas estão a esticar-se, pela voz da Nigéria (quererão mostrar ao académico angolano que os acusou de medricas que não têm medo dos militares guineenses?) quanto ao enviá-las, pois não há esse compromisso (na última reunião com a CEDEAO ficou acordado que teria de ser o novo Presidente a solicitar essa intervenção); até podem enviá-las, mas sem material de guerra (o Comando deveria talvez formalizar a regra em comunicado estilo «Embargo» à importação de armas, um ano de interdito sem excepções), venham armados da sua boa vontade (talvez uns ramos de flores), para confirmarem com os seus olhos que as Forças Armadas da Guiné-Bissau dão bem conta do recado, em termos da defesa da soberania e do território nacionais, e que não alienam nem delegam as suas responsabilidades.
As últimas iniciativas da CEDEAO colocaram sobretudo a nu uma grande salganhada e uma miríade de interesses divergentes, não apenas entre países francófonos e anglófonos, cenário ainda complexificado por várias tramas regionais e mesmo continentais. Ouattara foi recebido em Paris por Sarkozy, a título privado, por duas vezes no último mês; na última dessas visitas o presidente cessante recebeu o seu convidado à porta, violando o estrito protocolo do Eliseu; mas agora, como irá reagir a nova Paris de François Hollande?
 La France ne change pas du jour au lendemain à cause d’un homme. L’interêt de la France est clair et au dessus de ce genre de contingences: il y a que maintenir l’effort d’affirmation autour des voies du developpement economique et de l’integration regionale en dépit du caractère militariste et interventioniste dont quelques états (les plus egarés de la situation, d’ailleurs) veulent impregner la CEDEAO: un état de guerre ou même seulement de tension prolongée en Guinée-Bissau, n’interèsse personne; en ce moment la mise la plus rusée semble être sur la capacité des autorités militaires actuellement en place non seulement pour la conservation de l’unité de l’armée et de l’ordre public (tel étant le cas jusqu’à present), mais aussi le maintien de l’orgueil national, sans quoi la dissolution de l’état pourrait se reveler bien plus dangereuse, tel le mal qu’atteint le Mali. La maintien de l’integrité de l’armée nationale est de loin la solution la plus economique; autrement, ce serait comme sauter du chaudron pour tomber sur le feu… Plus que devant une menace, l’alliance France-Afrique est nettement devant une opportunité à ne pas gaspiller, de stabilization de la sous-région et d’élargissement de ses horizons. Ce n’est pas le moment de perdre prise sur les evenements et d’accepter de pactuer avec la pretension d’hegemonie et de mainmise du Nigeria dans le processus (à quels risques?), en violation de l’esprit des conversations maintenues: celà ne pourra qu’amener le Commandement Militaire à l’egarement vis à vis de la table de negociations, jetant par terre tous les efforts conduits avec succès par la bienveillance de Monsieur le Président de la Côte d’Ivoire et président en exercice de la CEDEAO. À titre d’organisation pacifique, la CEDEAO pourrait proposer l’evacuation de MISSANG assistée par une délegation de personalités africaines de prestige, presidée par Nelson Mandela, par exemple, ou même, à la limite, par des joueurs de football appartenant aux selections africaines les plus connues. Originalité, s’il vous plait… pourrait on oublier les armes?
Depois de o Comando ter dissuadido a indesejada presença de Angola e de Portugal, nem que ao abrigo da ONU; a CEDEAO precisaria de bem mais do que os 3500 homens (de que supostamente dispõe para o conjunto das situações, Guiné e Mali, números ultimamente muito inflaccionados - para pressionar o Comando?) para iniciar qualquer acção ofensiva com hipóteses de sucesso (mesmo que obviamente demorada e com alto risco de baixas substanciais); o Comando nunca permitirá, sob risco de perder o seu único trunfo e consequentemente a sua base de legitimidade interna, que tropas estrangeiras penetrem em território nacional, vindo assim agravar substancialmente o problema já existente, o qual deu origem à própria constituição e acção deste Comando. Se for preciso, recorrerá ao argumento dissuasivo, que já desmoralizou todos os outros candidatos: «Serão tratados como inimigos».
Em conversações bilaterais, não faltarão, a prazo, estados para reconhecer a justeza e a boa fundamentação das asserções do Comando, cuja inalienável legitimidade reside cada vez mais (se é que alguma vez teve outra base) na «resistência ao invasor» (qualquer que ele seja). Os Estados Unidos, numa surpreendente jogada de antecipação, quiseram tomar a dianteira do pragmatismo, fora do âmbito regional, e reconheceram, através de discreta nota oficiosa emanada da Embaixada para a Guiné-Bissau e Senegal, o novo poder em Bissau, enfraquecendo grandemente a posição não só da própria CEDEAO (mensagem clara dos Estados Unidos: essa organização passa a ser claramente dispensável para o Comando), como as do ex-PAIGC, de Angola e de Portugal. Também na ONU, a rotina do reconhecimento «informal» já tomou conta do aparelho administrativo, no que toca à Guiné-Bissau...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Encenações frustradas

Numa triste encenação, pouco mais de uma dúzia de guineenses, erguendo cartazes impressos, standartizados e muito pouco «espontâneos», participaram (por obrigação, decerto) numa nano-manif em Paris, no sábado dia 12.

Ver foto

A expectativa dos organizadores saiu claramente gorada com a sua fraca capacidade de mobilização. Por mais que se esforce no seu «internacionalismo» o ex-PAIGC já não consegue mobilizar ninguém, para além de funcionários de embaixada. Boa amostra para evitarem qualquer «demonstração de força» desse calibre em Portugal, pois cairiam no ridículo pela mísera adesão que conseguiriam entre a Diáspora guineense: les gens ne sont pas dupes.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Adivinha do Didinho

Quem foi o jornalista que pediu 3 milhões de francos CFA para promover a candidatura de Serifo Nhamadjo na blogosfera e, perante o Não, resolveu apoiar a campanha do candidato do Governo?

Espero que Didinho não se esteja a referir ao Aly, pois tenho-o em alta consideração como jornalista sério e corajoso.

Mas também espero que o Ditadura do Consenso, para não hipotecar os seus altos créditos e não se sujeitar à sujeira de tais suspeitas, possa rever em breve a sua linha editorial, pois algumas das suas últimas tomadas de posição pecam, na minha opinião, por demasiado parciais e emocionais para um jornalista (isso tolera-se apenas num blogue partizan como este e não no Ditaturadoconsenso de quem todos esperam imparcialidade, notícias objectivas, cobertura na hora, boas fotos, como sempre nos habituou).

Julgo mesmo que se terá excedido nas suas expectativas em relação ao poder do seu blog (e somos os primeiros a reconhecer o seu corajoso e mesmo ferozmente independente trabalho) e no desejo de passar uma ideia de unanimidade no seio dos guineenses, no âmbito da blogosfera, não obstante o seu modo de sentir pessoal seja contrariado por todos os outros bloguers (de entre os mais relevantes e ultimamente interventivos) de intelectuais guineenses como www.didinho.org ; www.gbissau.com ; dokainternacional.blogspot.com ; djemberem-samuel.blogspot.pt perdoem-me se esqueci alguém.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Bofetada de luva branca


Daba dá bofetada de luva branca em Paulo Portas e no Chefe de Estado Maior das Forças Armadas de Portugal:
1) À retirada da força portuguesa, respondeu que não sabia, só sabia que tinham ido para resgatar portugueses, mas que sempre lhe tinha parecido que isso não se justificava por causa da abertura das fronteiras aéreas (quem quer ir aos trambolhos? de barco? isso era há meio século… para quê, se pode apanhar confortavelmente o voo da TAP?), além de que, claro, se os portugueses não querem voltar para Portugal, não podem obrigá-los a sair… eheh
2) À ridícula justificação apresentada para a impo(t)nente missão Manatim, de ter contribuído para a dissuasão de uma violência de maiores proporções, respondeu que os militares guineenses estiveram debaixo de fogo na casa do Primeiro-Ministro e que nunca dispararam. Ainda não correu uma única gota de sangue (humano, pronto) desde há um mês. Maiores proporções que nada? Sabe quanto é zero multiplicado por qualquer número? Lá na Academia não se aplicou muito em Matemática, está-se a ver. Limite-se a cumprir bem o seu dever; se acha que é um herói e merece uma medalha (por uns dias de férias à pesca nos trópicos), faça um requerimento a quem de direito, mas poupe-nos às suas lucubrações infelizes, que pouco vêm ajudar ao apaziguamento da situação, e podem prejudicar a imagem de Portugal,  podendo ser vistas como inseridas na campanha de mistificação em torno da «democracia» promovida por José Eduardo dos Santos (com que moral?) em conluio com Paulo Portas, um par cujas motivações dariam decerto uma boa reportagem independente no Expresso. Senhor CEMFA.pt: deploráveis são as suas afirmações; convir-lhe-ia mais estar calado e fazer-se esquecer. Foi de facto um bom exercício militar de mobilização intempestiva, conseguiu demonstrar a prontidão que se requer de uma força criada para isso; mas já que se recusa a entrar no campo financeiro, que não é da sua competência, não enverede também por distribuir avulso opiniões políticas pessoais, pouco fundamentadas e avalizadas, pois já chega a irritante incompetência de quem o mandou para lá. Dissuasão? Não seja ridículo. Se não tivessem acudido tão prontamente nem o canário do Sr. Ex-Primeiro Ministro teria escapado! Um banho de sangue...

O Chefe de Estado Maior da Marinha angolano está agora junto dos seus congéneres da CPLP: numa reunião «menor» no Brasil, hoje dia 8 de Maio, abordado pelos jornalistas, falou na esperança depositada na CEDEAO para resgate da MISSANG. Pelos vistos o tema deixou de ser tabu: o Senhor Almirante referiu-se humildemente ao desejo de Angola de obter segurança para a retirada da força. O discurso parece estar a mudar, no bom sentido.

O cerco de Zedugrado


José Eduardo dos Santos, homónimo de José Estaline. O cerco de Estalingrado constituiu o ponto de viragem da segunda guerra mundial. A uma escala mais pequena, o cerco da «bolsa» de Zedugrado faz dentro de dois dias um mês que dura já.
Sim, seria fácil matar a fome. Zut. Uma bala certeira. Depois disso, nunca mais ninguém tem fome.
Mas quem pode ter razão diante de um morto? Quem pode ralhar para um pobre corpo tombado, crivado de balas? O seu último adeus, grito que ninguém percebeu porque as balas zut! zut! … silvam alto e fosse o que fosse que ele queria dizer zut! zut! zut! não chegou a fazê-lo.
Perguntar-lhe-emos depois «Que estavas aqui a fazer numa terra estranha?» ou «Sabias o que estavas a defender, ao certo?»?
O Comando Militar tem usado da maior humanidade para com os militares angolanos que estão neste momento nesta posição desesperada por culpa dos seus políticos e diplomatas (mas pouco), os quais, depois de fazerem asneira, lhes prometeram resolver a situação num curto espaço de tempo. Passados todos os prazos, ninguém os poderá acusar de não terem cumprido o seu dever até ao limite do humanamente possível. É fácil sentirmo-nos solidários com estes soldados que apenas cumpriram ordens, como julgam ser o seu dever. Face às necessidades por que estavam a passar, o Comando Militar facilitou-lhes o abastecimento em pão.

Estou-me a lembrar do gesto desesperado de Hitler, enviando o bastão de Marechal a Von Paulus no último Junkers que aterrou em Estalingrado, pedindo-lhe para se sacrificar e aos quase um milhão de soldados por quem era responsável; quando Hitler soube da rendição, teve uma crise de fúria, vituperando Von Paulus, gritando que era uma desonra «caminhar ao lado dos seus soldados» e que deveria ter optado pelo suicídio, como bom prussiano. Foi quando Rommel se levantou, ousando desafiar o ditador (acabaria por pagar com a vida) e disse que achava muito mais digno «caminhar ao lado dos seus soldados», partilhar a sua sorte, do que um suicídio. Rommel estava habituado a desobedecer: fê-lo em Junho de 1940 na sua louca cavalgada para Paris, quando Hitler julgava que a brecha aberta na Linha Maginot era uma armadilha e transmitia ordens incessantes do QG, pela rádio, mandando parar e consolidar posições, Rommel pura e simplesmente sabotou o rádio e continuou (com o enorme sucesso que se sabe); ou quando, ao abandonar (com um peso no coração) os seus homens do Afrika Korps, ao receber ordens terminantes para fuzilar os oficiais ingleses, rasgou pelas próprias mãos a mensagem e deu ordens para serem libertados de imediato.
Quando as ordens são estúpidas… nenhum militar se deve sentir obrigado a obedecer. Coisa mais fácil de perceber para um guerrilheiro guineense do que para um soldado convencional, admitamos. Claro que a carreira do oficial que assumir o acto estará acabada (pelo menos enquanto durar a carreira de José Eduardo dos Santos), mas será de longe a melhor opção militar e humana.

P.S. Faz hoje 67 anos da queda de Berlim e da rendição incondicional da Alemanha nazi.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Factura da estupidez

O Expresso está a conduzir uma investigação para apurar o custo da «desinquietação» da Força de Reacção Rápida. Contas muito por baixo, e só até agora, será superior a
2 000 000 €
Dois Milhões de Euros

(custo, só de si, superior ao Orçamento de Boa Vontade, submetido a José Eduardo dos Santos neste mesmo blogue). Mas o título provisório é desadequado: «Golpe na Guiné» não; estupidez de Paulo Portas, isso sim!

Golpe na Guiné custa milhões de euros a Portugal

Discurso vão para orelhas moucas

Agora o Conselho de Segurança ouve tagarelas que fazem tabu do que os traz? Depois de um discurso muito bobo do eterno representante da UNOGBIS; segundo o PAIGC, que alçou a voz para impor sete condições ao Conselho, estão em curso as «maiores barbaridades» contra civis na Guiné. A que se refere? Ah, mataram o cão ao Primeiro-Ministro! Segundo o piroso Jaló, a CEDEAO está «objectivamente a legitimar um golpe de estado». Ainda bem que também reconhece, mas por favor, não tchore más que djá endjooa...

O chicote angolano foi-se um pouco abaixo, os estalidos soam a falso: embora o discurso continue desadequadamente high-profile, o tom e o ritmo da voz já não conseguem acompanhar, pois o próprio já não acredita... Lamentável performance. Um novo ditado: «Quem entra de chicote, sujeita-se à chacota.»


A vermelho, o perímetro do Palace Hotel, a amarelo o aeroporto.

A representante da CEDEAO deu conta, numa voz mais alegre que as anteriores, do essencial do que ficou acordado em Dakar, ou seja que «le deployement de la force devra être convenu avec les autorités militaires». Sim, bastarão dois generais de países da CEDEAO para acompanhar ao aeroporto estes turistas políticos que acidentalmente se encontram em território guineense, ninguém lhes vai fazer mal, desde que respeitem os anfitriões. Quanto ao adjectivo utilizado, «iminente» (mesmo que fosse para uma força com mais de 50 soldados), não acreditem muito; financiamento... (CPLP? UE? Angola?) mobilização (três a quatro semanas, segundo a própria organização), discussão das modalidades (ui...)... Mas também não será preciso tanto mais tempo assim, porque caem de maduros antes disso. As mangas amadurecem primeiro, mas não as comam já porque ainda estão um bocadinho verdes... incha barriga.

P.S. Faz hoje 13 anos que se resolveu o que tinha sido começado 11 meses antes.