A cimeira extraordinária da CEDEAO reunida esta noite em Dakar para tratar da questão da Bissau acabou por ser absorvida pela rápida e perigosa evolução da situação no Mali; o Comando Militar também não leva a mal que passem o «problema» da Guiné-Bissau para segundo plano. O presidente em exercício da organização lembrou, a propósito, que a principal vocação da Comunidade é «a construção de escolas» e não a arbitragem de conflitos políticos... Para bom entendedor, meia palavra basta.
Não gostou decerto da «marcação ao homem» que Paulo Portas e José Eduardo dos Santos lhe andavam a mover incluindo: «enviados especiais»; dos anúncios de auto-intitulados-ministros dos «negócios estrangeiros» fantoches, contrariando a organização (e com pretensões de falar em nome da ONU); das notícias orquestradas a partir de Luanda quanto ao peso dos franceses em África, escarnecendo a «FrançÁfrica»; e das afirmações tentando pressionar as decisões da organização por parte do presidente da CPLP. Banjul tinha sido de facto a última jogada dos partidários da guerra, com as tentativas ofensivas, mas falhadas de Jameh para destabilizar os intervenientes guineenses, ao recebê-los sempre em separado e apostando na intriga...
C'est la zizanie. E uma clara vitória do Comando, em especial do seu Porta-Voz. As leituras são óbvias: a transição foi legitimada pela CEDEAO, sem que esta conseguisse fingir sequer a aparência de um «retorno» à ordem, através da imposição do ex-Presidente. A força em espera, será mobilizada apenas para o Mali, onde há um conflito, mas ficará à espera de ser convidada para entrar. A organização passará a dar mais importância às questões do desenvolvimento económico e da integração regional. Lacónico.
Tal como Daba garantiu, não haverá qualquer intervenção de forças estrangeiras na Guiné-Bissau.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
La pagaille à Dakar
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Alarmismo barato
Notícia original:
Segundo a Lusa, citando por fonte o Ministério da Defesa, Portugal estaria a avaliar a retirada da força naval, que inclui, para além dos dois vasos de guerra e navio de logística já conhecidos, uma outra fragata, a Bartolomeu Dias, cuja presença na área não tinha sido anunciada à comunicação social. De acordo com a TVI, José Pedro
Aguiar-Branco recusa ter havido qualquer intenção de fazer segredo com
a última
fragata.
Mas o jornalista do Correio da Manhã não soube ler bem a notícia e anuncia na penúltima página da edição de hoje que «Ontem, partiu a terceira fragata», em lugar de destaque de «última hora»! Não foi ontem, foi há duas semanas; a notícia é de que vão voltar à base e não atacar; e não é a «terceira» fragata, mas a segunda, pois também lá anda uma corveta.
Guiné-Bissau: Fragata a caminho
Comentário mais votado (Natália)
terça-feira, 1 de maio de 2012
Diligências continuadas

Pretória, África do Sul. Exemplo mundial de tolerância. Quando Nelson Mandela visitou o homem que o mandou prender, deu um sinal claro, com essa atitude: se ele próprio, que tinha razões de sobra para odiar, perdoara, ninguém se sentisse com «legitimidade» para vinganças.
O presidente de Cabo Verde, que pertence ao Grupo de Contacto da CEDEAO para a Guiné-Bissau, reuniu com responsáveis de Angola, Namíbia e África do Sul... As suas declarações foram mais prudentes que as do Primeiro-Ministro, ao reconhecer que a Guiné é um «caso complexo». Precisamente. Obrigado, Nelson.
Nesse contexto, o investigador cabo-verdiano Corsino Tolentino deveria ser levado a
sério, quando põe em guarda o seu governo contra uma atitude demasiado
marcada na questão da Guiné, aconselhando prudência e distanciamento
relativamente à CEDEAO, que parece ter passado ao lado de uma grande
oportunidade de afirmação regional e internacional, calmamente e sem
violência, depois da vitória diplomática que obteve o seu «ultimato».
http://www.portugues.rfi.fr/africa/20120430-comando-militar-da-guine-bissau-nao-aceita-pressoes-da-cedeao
Após um bom augúrio inicial, e das provas de boa vontade dadas, foi de uma forma rígida e pretensiosa que
esta organização tentou encostar à parede o Comando Militar, sem
argumentos palpáveis, pois o que puseram no prato da balança, pior que
muito pouco, é uma ofensa às forças armadas guineenses: então, com 500 a
600 homens (de várias nacionalidades), pensam invadir a Guiné? Fazem
lembrar o «valente» Coronel senegalês que prometeu a Diouf tratar da
«questão» em 24h... a sua caveira foi depois mostrada na televisão em
mãos da Junta. E tiveram Nino para lhes garantir o desembarque...
Antigamente, enviavam-se forças de paz para zonas em guerra; agora,
pelos vistos, falam em enviar forças de guerra para zonas em paz! O Comando Militar não podia dar o que não lhe pertence: a sua única
legitimidade, para além da força, nesta situação, foi o ter-se oposto,
com razão, à intenção de envio de forças estrangeiras. Em relação a esse ponto, pelo menos, os guineenses parecem estar de acordo, pois ninguém vê com bons olhos a presença de forças estrangeiras, mesmo se alguns defendem ser esse um mal menor.
Depois da Costa do Marfim, está mais que visto que a ingerência, através de missões de «cooperação» técnico-militar, nos assuntos internos de outros países, só pode prejudicar: é que qualquer visão exógena é forçosamente redutora. Nenhum soldado estrangeiro tem legitimidade para se imiscuir em questiúnculas internas de um país independente e soberano, sob risco de mal entendidos galopantes...
sábado, 28 de abril de 2012
Caçada ao elefante II
Não nos vamos precipitar a fazer leituras apressadas... Daba Na Walna é uma maravilha política, extremamente selecto na escolha das palavras. Na sequência da aceitação, logo no início do prazo dado, de todas as imposições da CEDEAO:
Foram ex-patriados o ex-Presidente interino e o ex-Primeiro-Ministro. Foi mesmo admitida a hipótese de poderem vir a ser nomeados respectivamente Presidente interino e Primeiro-Ministro do Governo de Transição (cuja duração foi acordado reduzir para um ano); sublinha-se que a legitimidade governativa lhes vem do Comando Militar e não de qualquer eleição ou situação anterior.
O novo Governo legítimo a constituir, com o apoio da CEDEAO e do Comando Militar, graças ao presente protocolo, ao consolidar as perspectivas de consolidação da paz, segurança e estabilidade governativa no país, permitirá decerto rentabilizar esta oportuna iniciativa diplomática e poupar maiores esforços no futuro à Comunidade, estando previsto, no âmbito da sua «Force en attente», mobilizar, nos respectivos países, no espaço de três a quatro semanas, uma força de 500 a 600 homens (dont le deployement devra être mis au point entre les signataires).

É uma grande vitória do legítimo presidente da Costa do Marfim, anfitrião da reunião de Abidjan, aliás conhecedor das questões geo-políticas em questão, depois de uma transição complicada ainda há relativamente pouco tempo no seu próprio país, com o seu rival a recusar-se a acatar os resultados eleitorais, contando mesmo para isso com o apoio de forças estrangeiras presentes no terreno.
Portugal «estuda» a retirada da sua Força. A ONU delegou na CEDEAO, portanto, face ao sucesso desta, qualquer iniciativa no Conselho de Segurança acerca da Guiné-Bissau perdeu oportunidade e será adiada para as calendas gregas. Os Estados Unidos, até aqui discretos entraram de cabeça para salvar Angola: declarações do Embaixador, a senhora Clinton endereçou um convite a Georges Chicoti para lhe fazer uma «visita de alto nível», com o objectivo (quase hilariante) de o desagravar das injustas acusações de que, na sua opinião, tem vindo a ser alvo no âmbito da questão da Guiné.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
i = 0 em geografia
http://www.ionline.pt/opiniao/catch-22-golpe-militar-na-guine-bissau
http://ditaduradoconsenso.blogspot.pt/search?q=22+catch
mas a sua superficialidade jornalística deixa muito a desejar, pois, ao contrário do que presume quem o lê, a Guiné Equatorial, mal grado a sua proximidade onomástica, é encostada a Angola e não à Guiné-Bissau. A não ser que «região» seja África inteira! Olhe primeiro para o mapa, recolha informações e veja as notícias, antes de fazer «apostas» desinformadas e mal aconselhadas para o futuro.
Não deu parte da encomenda, pois trai-se uma segunda vez quando acrescenta o epíteto de «ditador» ao recente aliado de José Eduardo dos Santos. Vamos ter de lhe dividir o crédito (22 cachas) para um sétimo... Piiiiiiiiiiiiii
Crónica de um golpe anunciado
Daba Na Walna continua a somar pontos. Atenção aos seus discursos, que são muito prudentes: quaisquer palavras, retiradas do contexto, podem induzir em erro. Antes de dar especial relevo a qualquer das suas afirmações, os jornalistas deverão atentar bem nas frases pos e pre-cedentes. É claramente uma arte da nuance. E Angola, face à alta qualidade diplomática e jurídica da face visível do Comando Militar guineense? Há um novo contexto geopolítico em desenvolvimento... Não arranjam nada mais original do que acusar os militares guineenses de serem manobrados por Kumba Yalá, numa base tribal, na feitura deste golpe de estado? A troco de uma «grande soma em dinheiro» entregue em pleno Estado Maior?
http://www.zwelangola.com/politica/index-lr.php?id=8754
Estão desactualizados: Daba foi bastante claro quanto a isso, na entrevista dada por à RTP em Bissau, há uma semana, quando a jornalista lhe apresentou essa questão «Não andamos aqui às ordens de ninguém». A «inventona» é grosseira demais e foi desmentida, sem sombra para dúvidas, uma semana ainda antes de formulada.
Resumindo o conteúdo das acusações, mesmo sem nexo: corruptos, tribalistas... Traficantes de droga e agora, pela voz da América, parece querer juntar-se-lhe mais um espantalho, o «risco de terrorismo», numa associação (muito es)forçada ao fantasma da implementação forçada da Charia no Norte do Mali, país que aparentemente implodiu e constitui agora a principal preocupação da CEDEAO (por razões diferentes, pois na Guiné-Bissau tem sido conservada a ordem e soberania nacional).
http://www.voanews.com/portuguese/news/trafico-de-droga-na-guine-bissau-podera-ajudar-terrorismo.html
Ora, já que falamos na VOA, para documentação, atente-se nos precedentes da actual crise, para melhor informação, graças a um seu artigo de 28 de Dezembro do ano passado: numa conferência de imprensa, Victor Pereira, porta voz da oposição
guineense acusou o
primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior de ter vendido "a alma" e
recursos do país a Angola, afirmando que a presença de militares angolanos na Guiné-Bissau constituía uma
"força de ocupação", considerando inadmissível que o
primeiro-ministro tenha sido resgatado da sua residência por "forças de
ocupação estrangeira" provenientes de Angola, fazendo uso de armas de fogo.
http://www.voanews.com/portuguese/news/12_28_2011_angolaaccusedofinereference_voanews-136318378.html
A hipocrisia recente (associada a uma memória convenientemente demasiado curta) no tratamento desta crise, na tentativa de submeter a Guiné, tem distorcido substancialmente os acontecimentos, regra geral subvertendo mesmo o seu próprio sentido, numa clara intenção de diabolização primária dos acontecimentos em Bissau, aparentemente orquestrada a partir de Luanda. O «presente de Natal» que Bissau teve no sapatinho pareceu antes uma moralização da situação, com a prisão do ex-Chefe de Estado Maior da Armada Bubo, recorrentemente apontado, tal como Nino, como conotado com o tráfico de droga. Recuando um dia e recorrendo à mesma fonte...
http://www.voanews.com/portuguese/news/12_27_2011_-136258333.html
Mas para refutar a interpretação de Guilherme Correia da Silva, ontem na VOA, em torno do espectro do terrorismo, veja-se a sua própria fonte, um livro do IISS, Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, com o sugestivo título de «Drogas, insegurança, Estados falhados e os problemas da Proibição» e constatar-se-á que a sua apresentação do assunto é, no mínimo, bastante pessoal. O grande desafio, para os investigadores, parece ser o de fomentar uma outra concepção para o «inerradicável» cancro (por mexer com dinheiro) que constitui o tráfico de drogas, ousando mesmo sugerir novas abordagens mais permissivas (citando mesmo como bom exemplo o caso de Portugal), senão mesmo uma liberalização que resolveria o problema de vez, pela raiz.
http://www.iiss.org/publications/adelphi-papers/adelphis-2012/drugs-insecurity-and-failed-states-the-problems-of-prohibition/
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Declarações extemporâneas em Assembleia ordinária
José Eduardo dos Santos, que não pediu licença à «sua» Assembleia para enviar Blindados e Forças Especiais para assegurarem os seus interesses na Guiné, mas para «sair» já precisa de se legitimar perante a Assembleia (ordinária)? Mais valia acrescentar à lista de segredos e tabus a conservar. Mas se é para «sairem», para que é que a sua secretária de Estado das Relações Exteriores para a Cooperação, Exalgina (parece nome de medicamento; ah, deve ser terapia do mau hálito: _Não exale, Gina, tanta barbaridade, se tivesse um filho em Bissau não falaria assim...) acabou por declarar que a missão militar de Angola na Guiné-Bissau, MISSANG não será retirada
enquanto não for restabelecida a «legalidade» constitucional neste país?
http://www.club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=10857:missang-nao-sai-em-breve-da-guine-governo-angolano&catid=23:politica&Itemid=123
Presume-se que seja essa mesma MISSANG, já enterrada mas agora ressuscitada, que vai aplicar a terapia proposta por Georges Chikoti (que chacota), ex-UNITA... para a Guiné. Aparentemente a ex-ex-MISSANG passou de novo a estado de prontidão, só espera os reforços da Comunidade Internacional para ir buscar pelas orelhas os chefes desta revolta militar tão veementemente condenada no cenário mundial; ou José Eduardo dos Santos descobriu algum supositório especial para a malvadez dos militares guineenses?
Quanto ao documento pelo qual a aliança Paulo Portas / José Eduardo dos Santos tanto anseiam na ONU, arriscam-se fortemente a que a sua formulação esteja claramente aquém do que esperam. É que o Conselho de Segurança, para além, claro, de Portugal e dos Estados Unidos (veja-se Nota Prévia da declaração da Presidência desse orgão: a declaração não obriga o Conselho) tem mais países... alguns dos quais, aliás, ultimamente muito susceptíveis (gato escaldado da água tem medo) no que toca a mandatos «em branco» ou a redacções demasiado vagas. Face às divagações sem nexo das diplomacias portuguesa e angolana, que têm empregue tesouros de retórica para esconder o osso que têm atravessado na garganta (comâ lobu co sê okessa comê um dia tork oss trabessal na gargante...), o mais provável mesmo é que o Conselho opte pelo bom senso a que se referia Daba, e se limitem à condenação vaga e improcedente da praxe, para não hipotecarem mais o já muito abalado crédito da ONU. Em diplomacia, nunca esperem ouvir um rotundo e terminante «NÃO»; hão-de sempre arranjar maneiras para vos «empatarem».
Talvez possamos dar uma ajudinha, na clarificação da situação: a questão gira em torno da dialéctica (redutível à teoria dos jogos, quanto à forma do emprego da força: passiva ou activa?), muito precocemente e bem apresentada (em nome do Exército português) por sua Excelência o Almirante na reforma Melo Gomes, herói da evacuação, debaixo de fogo senegalês, do Ponta de Sagres, em 1998, desmentindo assim imediata e categoricamente a arrogância belicista de Paulo Portas que transpareceu para os Telejornais que assustou tantos guineenses.
Se houvesse algum conflito local (o que há realmente, foi importado) talvez conseguissem uma força de manutenção de paz; se conseguissem encontrar uma «facção» para organizar em segurança um «comité de boas vindas», talvez fizesse sentido pedirem uma força de interposição; agora, inventarem uma figura que não existe: «força de reposição da ordem»? Parece-me exalar um odor demasiado «activo»; o Conselho não é muito dado a novidades, terão decerto de pedir um parecer a uma qualquer comissão jurídica, de qualquer forma isso arrisca-se a constituir um precedente perigoso, pelas múltiplas leituras que poderiam ser feitas no futuro no sentido de agredir outras soberanias; ou seja, têm muito pouco futuro no Direito Internacional, talvez devessem contratar Daba para vos dar umas explicações. Só a dor de cabeça que seria estudar e detalhar as condições e modalidades de um Mandato desse género...MISSING MISSANG?
terça-feira, 24 de abril de 2012
Poesia com ALMA
Estão todos convidados para Santarém, no próximo dia 2 de Maio.
O 7ze vai declamar poesia portuguesa, sem microfone, no Bar Xantarim.


