Didinho insurgiu-se! E com razão. Chama «terrorista» a Miguel Machado, autor de uma triste (senão mesmo ofensiva para os guineenses) coluna de OPINIÃO no DN desta segunda-feira.
Este, se tem razão quando faz o diagnóstico da situação: nomeadamente quanto ao ridículo em que caiu o «inicial tom ameaçador do Ministro dos Negócios Estrangeiros português», apontando ainda «a precipitação inicial» e «uma politica de comunicação confusa, senão
perigosa»; por outro lado, quando acaba esse diagnóstico e emite a sua OPINIÃO, vira uma verdadeira desgraça, entrando em puro delírio militarista, sugerindo a Paulo Portas que accione a NATO! A NATO foi desenhada como uma organização defensiva (e é um pouco forçado situar a Guiné no contexto geo-estratégico do Atlântico Norte)... aliás, tal como a CPLP nunca teve (até à era Paulo Portas), nos estatutos ou na prática, qualquer competência seja de «restabelecimento da ordem constitucional», seja sequer de «interposição» ou «manutenção de paz» (ainda para mais através da força das armas). Pelos vistos, a missão no Afeganistão deu-lhe a volta à cabeça, sr. Tenente-Coronel! Aterre com os pés no chão...
«Só falta convencer a NATO»?
Sem comentários.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Arrombar Portas à machadada, Miguel?
Zamora desaparecido entre Ziguinchor e Banjul
A Gâmbia acaba de negar oficialmente a entrada de Zamora. Por exclusão de partes, Zamora parece estar realmente retido no Senegal, que faria bem em confirmar a recepção da encomenda: o novo Presidente deverá pessoalmente garantir a segurança do seu convidado (tal como parece ter ordenado a sua captura) não vá entretanto acontecer-lhe alguma coisa, pois há muita gente em Lisboa que, à falta de poder desfrutar da sua companhia, estaria interessada na sua eliminação física...
http://thepoint.gm/africa/gambia/article/gambia-has-no-knowledge-of-g-bissau-ex-army-chief-minister
O coitado do Sr. Almirante já deve estar farto de ser interrogado... a esta hora deve estar um pouco confundido: as informações, para além dos dois anos de «décalage» devido ao seu afastamento, sofrerão decerto com isso.
Preocupação justificada
A Guiné-Bissau, pela voz da Alta Comissária das Nações Unidas para os
Direitos Humanos, Navi Pillay, ocupou hoje, Segunda-Feira, a uma do
Centro de Imprensa das Nações Unidas.
A situação parece realmente preocupante, mas talvez se devesse reflectir em torno das suas causas. De quem é a culpa da situação?
Será de Angola? Pela ingerência grave? Será de Portugal? Por seguir canina e obedientemente o seu retro-colonizador e ter criado um clima de medo e insegurança? Dos restantes membros da CPLP que «deixaram andar» num primeiro tempo e estão custosos de emendar a mão? Dos arredados do poder, aqueles que tentam radicalizar as posições, inviabilizando consensos, tentando desesperadamente recuperar «na secretaria» o poder que perderam por inépcia criminosa e que agora apelam à desobediência e à guerra civil? Dos comerciantes que açambarcam as mercadorias?
O Comando Militar, como cooperante do Acordo Político, se não detém já toda a responsabilidade pela calma e paz social, que agora partilha com o Governo de Transição, continua responsável pela ordem pública, que tem religiosamente conservado, com o apoio da maior parte da população, cuja maior aspiração é a de que não haja vítimas a lamentar. Essa é, até agora, a maior coroa de glória do Comando Militar.
Lembre-se que a actuação do Comando tem sido firme e clara: mantém-se, sob a sua responsabilidade, toda a liberdade de opinião e de expressão, mas está proibida qualquer manifestação pública. Quando a Alta Comissária afirma que tem conhecimento de relatos «de violações dos direitos humanos» incluindo:
1) «a repressão violenta de uma manifestação pacífica»: estará decerto a referir-se à «oportunamente» ocorrida esta sexta-feira, 25 de Maio, à frente da sede das Nações Unidas em Bissau; no entanto, essa manifestação era tudo menos «pacífica», destinava-se a perturbar as negociações em curso nesse momento, nessas instalações, apoiando uma das partes (note-se que o Comando também proíbe manifestações de apoio), tendo-se registado apenas um ferido com pouca gravidade. Grave seria expor os senhores diplomatas e negociadores, por quem o Comando era responsável.
2) «liberdade de expressão?»: o exemplo da Ditadura do Consenso (claramente anti-Comando, e estou a ser simpático) fala por si
3) «saques»? só no próprio dia 12 de Abril, por o Comando ainda não ter assumido a sua responsabilidade, tendo desde aí agido em conformidade
4) «detenções arbitrárias»? mesmo considerando arbitrárias as prisões do Presidente e Primeiro-Ministro, como dar um golpe de estado responsável de outra maneira? além disso, já foram libertados, devemos portanto concluir pelo «non lieu» da acusação; a única detenção que continua, de um Secretário de Estado, foi justificada pelo Comando por subversão activa e tentativa de contratação de agitadores guerrilheiros na região de Casamança.
Talvez a Alta Comissária, com tanto trabalho por outras bandas do mundo (não resisto a apontar Angola, como exemplo, onde o seu trabalho poderá ser bastante útil, para onde deveria mandar já observadores com o objectivo de prevenir violências estatais pré-eleitorais) se acanhe um pouco nestes comunicados bastante vistosos e alarmistas mas muito pouco rigorosos...
segunda-feira, 28 de maio de 2012
CPLP = Fantoche
Sim, Zédu$ compra tudo: quintas, bancos, economia, consciência...
http://dokainternacional.blogspot.pt/2012/05/cplp-nao-passa-de-uma-marionete-de-jose.html
Mas terá de responder: depois da humilhação pela qual passará em Bissau, já nem em casa o vão aturar.
Apoio alimentar da China
domingo, 27 de maio de 2012
Chegada do contingente nigeriano
Chegaram hoje a Bissalanca, num charter fretado pela Nigéria, os polícias nigerianos e senegaleses para se juntarem aos burkinabés, já em Cumeré, para uma curta missão de baby sitters, sob a bandeira da CEDEAO. As armas deverão chegar amanhã. Estão finalmente criadas «condições de segurança» para a retirada da kambada da MISSANG... Entretanto, a confusão quanto ao destino de Zamora continua, com versões contraditórias. No entanto, o diário senegalês de referência Le Quotidien, mas também Le Senegalais, acrescentaram na edição de hoje pormenores que parecem credíveis, referindo que terá sido uma das primeiras ordens directas (e instantâneas) do próprio Presidente, Macky Sall, no seu novo cargo. O que parece ter existido foi uma verdadeira corrida na caça ao homem, entre Sall e Yammeh, pela obtenção de informações... com jogadas de contra-informação pelo meio; neste contexto, no mínimo estranha parece ser a «informação» de que Zamora procuraria «nova identidade» em Ziguinchor, o que revela indícios de que a Gâmbia terá escritórios «para-diplomáticos» em Casamança... Sall parece querer dar um sinal claro de que não quer ficar a ver «passar os navios»: homem bem informado sobre as questões geo-políticas-estratégicas-económicas, que fez a sua carreira em torno do Petróleo dessa zona, «roubou a chupeta» a Yammeh... Terá de se haver agora com os Estados Unidos, pois Zamora era o seu menino bonito. Zamora caiu claramente numa armadilha, tendo medido mal as consequências da sua desadequada e mal preparada fuga: bu ta sai da pilon, bu cai na balai?
http://www.lesenegalais.net/index.php/actualites/items/macky-ordonne-larrestation-de-lex-cemga-de-bissau.html
sábado, 26 de maio de 2012
Senegal prende Zamora e Fernando Gomes
Apanhados pela Polícia num carro com mais duas pessoas, sem documentos legais de saída da Guiné-Bissau, onde estavam refugiados na Delegação da União Europeia, deverão ser extraditados de volta para as «raízes», a pedido do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, através da embaixada em Dakar. Notícia insuspeita no Le Monde.
http://www.lemonde.fr/afrique/article/2012/05/26/l-ancien-chef-de-l-armee-bissau-guineenne-arrete-au-senegal_1707953_3212.html
Refira-se que Zamora, ao contrário de Fernando Gomes, não consta da lista de pessoas proibidas de sair do país... De qualquer forma, existem agora no país condições de segurança para que não seja necessário refugiar-se em lado nenhum, como teve que fazer ainda durante o antigo regime de Carlos Gomes Junior; nem se percebe para que foi alinhar numa «evasão» ilegal, se teria bastado pedir tranquilamente um visto para Dakar... As informações são contraditórias, outras fontes dizem que realmente o grupo dormiu em Ziguinchor mas que se teria depois dirigido para a Gâmbia, onde se ignora se chegaram.
A brincar com a tropa?
A tropa portuguesa, pela voz da AOFA, Associação de Oficiais das Forças Armadas, reagiu contra a brilhante «ideia» de contenção proposta pelo Ministro da Defesa, de «acomodar» pelos três ramos os custos da operação Manatim, depois dos cortes radicais no Orçamento já sofridos. Aviso de quem só vos quer bem: paguem, rapidamente e em força! A prudência fica bem é antes de activar a força, não é depois dar o Estado em mau pagador e caloteiro. É que quem tem as armas pode lembrar-se de seguir o brilhante exemplo da Guiné-Bissau...
Reuniões «frutuosas»
O mesmo adjectivo foi usado, em Lisboa e em Bissau, para descrever os trabalhos de reuniões em torno da situação na Guiné-Bissau. Manga di fruta. Ou seja, bué em angolano.
Em Bissau, concretizou-se a reunião entre CEDEAO e CPLP, sob os auspícios da ONU, os tais «novos canais»; no entanto, não foi autorizada qualquer entrevista dos participantes, tendo apenas sido referido o aspecto «frutuoso» das conversações. Parece um silogismo adequado para descrever um encontro com surdos (mas não mudos: são donos do mundo e não mudam uma vírgula).
Em Lisboa, uma iniciativa organizada pela eurodeputada
socialista Ana Gomes no Centro Jean Monnet juntou eurodeputados e os 4 da vida airada (numa representação de luxo de ex- tudos: Presidente, Primeiro-Ministro, Ministro dos Negócios
Estrangeiros e Embaixador) os quais de Belém ao Rato não se cansam de marcar presença. No final Carlos Gomes Júnior declarou
aos jornalistas que "Esta reunião foi bastante frutuosa para
demonstrar que o povo guineense está a exigir o retorno do governo saído
das urnas".
Note-se a incongruência de exigir o «retorno do Governo saído»: podiam também pedir ao contrário, a saída do Governo entrado, que ia dar ao mesmo... Parece pouco adequado estarem a decorrer conversações em Bissau e conferências paralelas «contraditórias» em Lisboa. Já quanto ao ex-Primeiro-Ministro, não se compreende em que se baseia para a sua afirmação quanto às «exigências do povo»: pubis ka burro.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Remake II
O porta-voz dos insurrectos, Daaba na Walna (sim, há imensas versões do nome) acusou Carlos Gomes Junior de...
«abuso de poder, infidelidade aos princípios, uso indevido das instituições militares, violação da constituição, perseguições e atentados contra a integridade física de oficiais da classe castrense, entre outros, motivos da insurreição levada a cabo na Guiné Bissau».
Estão todos a pensar que isto é de Abril de 2012: pois enganam-se.
É sim uma «mentira» de 1 de Abril (mas de 2010)!
Como começou esse dia? Com uma «assembleia» de altas patentes em Amura, para o confronto directo entre CEMFA (Zamora) e seu Vice (Injai), na sequência do mal-estar que se vinha vivendo desde Janeiro, quando Zamora chamara Injai a São Vicente para o acusar de cumplicidade no retorno de Bubo da Gâmbia onde se encontrava refugiado; a coisa acabou a murro, com a grande maioria dos oficiais a darem razão a Injai, tendo sido imediatamente desarmados e presos Zamora e Samba, o chefe da sua sinistra secreta, o qual aparentemente urdira toda a intriga, nela acabando por enredar o seu próprio chefe. Injai estava a ser vítima de uma «inventona» («crioulo» guineense derivado de intentona) que teria tentado prevenir no dia anterior telefonando aos mais altos responsáveis da Nação, Presidente, Primeiro-Ministro e Procurador-Geral, que se negaram a ouvi-lo. Toda a cena depois, que a comunicação social apanhou, foi feita «a ferver», assumindo a forma de uma «explicação» não agendada com o Primeiro-Ministro, na qual não houve outro estrago senão um par de óculos de um ministro.
Apertado, Samba terá chegado a deixar cair um nome relacionado com a Embaixada de Angola... Mais recentemente, quando foi morto (curiosamente na véspera de ser ouvido em Tribunal), como o Aly constatou, a surpresa da tropa foi total (I Samba!), até porque se tinham responsabilizado pelo desenrolar tranquilo do processo eleitoral, conforme justificação do «eterno» porta-voz. Quem poderia Samba denunciar? A quem aproveita o crime? Terá sido a gota de água que fez transbordar o copo da classe castrense? Se Zamora foi mais vítima da sua ingenuidade do que propriamente cúmplice, o seu testemunho será importante (o mais importante talvez nem seja o assassinato de Nino): deverá talvez, neste momento, evitar Lisboa, para manter a sua imparcialidade perante Bissau.
Neste contexto, o recente comunicado do dia 23, da Liga Guineense dos Direitos Humanos, para além de suspeito, contradiz-se na forma: como podem pedir, no ponto 2, a libertação de Bubo invocando a Amnistia a aprovar pela ANP ao abrigo do Acordo Político, se esta se refere, na letra, exclusivamente ao dia 12 de Abril deste ano? Se invocam o texto, se pretendem um alargamento do seu âmbito, estão a reconhecê-lo. Mas não: logo no ponto seguinte denunciam o Acordo Político, para no ponto 4, apelar à rejeição da Amnistia. Em que ficamos? Tristes encenações, a juntar-se ao coro de protestos internacionais visando a situação no país ao tempo do governo de Carlos Gomes Junior...
Fernando Gomes, o ex-Ministro do Interior, faz curiosamente lembrar um seu homónimo ex-Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos. O primeiro, na sequência de mais uma «inventona» ou «intentona», conforme se queira - ou der mais jeito (na Guiné os dois termos acabam sempre por se assimilar na confusão) - do último Natal, negociou a rendição de Iaia Dabó (irmão do falecido antigo
ministro do Interior e deputado Baciro Dabó - outro sinistro personagem e narco-barão), o qual foi abatido a tiro a sangue frio no interior do carro em que pensava entregar-se (depois de negociações envolvendo vários personagens) por
elementos da Polícia de Intervenção Rápida (força formada em Angola, que já chegara no tempo de Nino, para o «proteger»), facto também noticiado pela Ditadura do Consenso. Gomes consta da lista de elementos do ex-Governo proibidos pelo Comando de deixar a Guiné-Bissau.

