Na linha da frente. É ele a alma, agora. O pai passou à história.
PS O Kadafi velho fazia bem em abdicar formalmente. Facilitava as coisas. À falta de golpe fatal, a NATO sobe a parada: vão agora tentar destabilizar Marrocos e Argélia...
Não se deixem enganar pelas notícias nos media!
Estão a querer fazer-vos uma lavagem ao cérebro...
Incrível: acabou-se de repente o «politicamente correcto» na América; quando se passa dos limites da hipocrisia e da ganância, cai-se na demência assassina! Cada vez mais americanos dizem claramente o que pensam do caminho que o seu governo quer impor ao mundo. Não vão por aí! Não percam: entrevista de historiador americano à TV iraniana: http://www.youtube.com/watch?v=gpB2LKLToog
Os russos parecem finalmente ter acordado e contra-atacam: acusam agora os americanos de ter mentido, aquando do pedido do mandato na ONU, ao afirmarem que Kadafi estaria a utilizar a sua aviação contra os seus compatriotas. Os russos mostram provas. Suficiente para refrear os entusiasmos? http://www.youtube.com/watch?v=_yuZCvmN_Fg
Grande pinta esta líbia! Até faz um manguito ao Obama. Manifestações em território rebelde: agora não podem dizer que são pagos pelo regime; as pessoas correm riscos para o fazer! Ao contrário das outras imagens de Tripoli, onde não se vê ninguém a não ser rebeldes. http://www.youtube.com/watch?v=_5EpvO47CUE
Novo episódio da desordem mundial. Tripoli invadida, com o apoio da NATO, por um bando de bandidos e desordeiros. Diga-se, em abono da verdade, que nunca achei muita piada ao autor do livro verde, na sua tenda a beber leite de camela, sempre tentando polarizar a legimidade árabe - que invejava em Nasser - para a qual aparentemente nunca esteve destinado. No entanto, acho indecentes e indecorosas as atitudes da França e Inglaterra: apenas em busca de petróleo? ou de uma nova ordem colonial? Obrigados pelos americanos, em 1956, a recuar no Suez, apostam agora na ilusão de uma «partilha» imperial, com os americanos: uma oportunidade de reequilibrar a balança europeia, que parecia pender perigosa e definitivamente para o lado alemão; aos americanos, desgastados noutros lados, com manifesta falta de cultura geral e de sentido histórico, para além de hesitantes em envolverem-se, esta «aliança» parece, se não apenas pontualmente conveniente, talvez mesmo estruturalmente interessante.
Quero portanto, como cidadão europeu que nunca quis ser, desmarcar-me destas atitudes dos governos imperialistas de certos co-estados-membros. Esta atitude configura claramente uma situação de ingerência nos assuntos internos de estados soberanos, para além de uma péssima opção estratégica, com a agravante de que vai provocar mais uma impressionante tragédia humanitária, com o seu cortejo de ódios. O preto que se enganou na cor da Casa, enganou muita gente, mas já nem sequer respeita a antigamente sacro-santa Constituição, que foi a espinha da América, Constituição que o obrigava a pedir autorização ao Congresso para declarar a Guerra: mas também não faz a coisa por menos; com tanta desgraça e gente a morrer, resolveu a cena com uma rápida, sobranceira, arrogante e irritante explicação pela TV «Não preciso de pedir autorização ao Congresso porque já ganhámos a guerra»; por este caminho vai voltar a fazê-lo, claro. Com o mesmo despudor. E os americanos papam, baixa só meio pontinho nas sondagens.
Aparentemente, os árabes e muçulmanos estão divididos. Se no terreno parece ser uma irmandade multinacional (uma espécie de maçonaria árabe) que congregou uma insatisfação latente, chamando mercenários e bandidos de vários países (basta ver imagens dos «combates», do lado dos «rebeldes» são tudo menos civis entusiamados), já o aparente apoio saudita é bem mais estranho. Em África, o melhor exemplo vem do país de Nelson Mandela (a alma da reconciliação) que continua a recusar reconhecer o pretenso «governo» como resultado de um levantamento popular (que seria legítimo); considerando tratar-se antes de sedição. Assinale-se também a prudente posição da Rússia, afirmando ser ainda cedo para reconhecer esse «governo» (não íam chamar-lhe associação de malfeitores...), que só o farão se estes «dominarem o país com força suficiente».
A situação pode parecer desesperada. No entanto, analisando friamente a situação, constatam-se várias brechas na «muralha» rebelde. Kadafi fala em «retirada estratégica». O coronel pode ter muitos defeitos, é definitivamente um falhado, mas aprendeu, ao longo dos anos, pelas piores razões e utilizando os piores métodos, a manter bem alerta o instinto de sobrevivência (não vamos, claro, ao ponto, de lhe chamar raposa, pois, dado o cenário, correríamos o risco de ofender a memória do Marechal). Mas não é ele que me interessa. Aparentemente na sombra do pai, SALIF prepara algo há meses, vejam, esta notícia poderia ser de há poucas horas:
http://www.youtube.com/watch?v=3OTYqpZFSTc
Na Segunda-feira, a notícia caía como uma bomba: o complexo presidencial acabava de cair e o filho de Kadafi (poderiam ter escolhido outro, mas não, era Salif) fora morto nos combates; algumas horas depois, afinal não fora morto, estava em poder dos rebeldes, «que o estariam a tratar bem». Ora, logo na madrugada de Terça, o «morto» dava uma Conferência de Imprensa, em directo, para 35 jornalistas estrangeiros especialmente acreditados (e mantidos para o efeito) no Hotel Roxio. Não era um homem perseguido: transbordava boa disposição, mesmo. Era um vencedor. E estava a falar uma linguagem (árabe) muito clara, ao contrário do pai, que está meio chéché há um quarto de século.

No almoço comemorativo do 25 de Abril, tive a oportunidade de perguntar ao Senhor José Niza, se estava a pensar retractar-se publicamente, conforme lhe tinha solicitado. Primeiro balbuciou coisas incompreensíveis, depois disse que mantinha que era verdade, virando as costas e começando a afastar-se: imediatamente lhe atirei com um «_O senhor não passa de um mentiroso e de um hipócrita»; o senhor José Niza ainda tentou representar a comédia do «ofendido», mas depois de o olhar nos olhos lá afastou a sua incómoda presença, deixando-me almoçar descansado. Pois é, senhor José Niza, teve a sua oportunidade para rectificar a gaffe que cometeu, mas não quis aproveitá-la.

Não estava no programa
nem é considerado notícia...
Envergonhadamente, o Mirante lá acusou o toque, sob a pica(e pito)resca classificação de Cavaleiro Andante.
http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=492&id=73785&idSeccao=7985&Action=noticiaidEdicao=492&id=73785&idSeccao=7985&Action=noticia

O Mirante on-line chegou a publicar uma pequena notícia «Espectador interrompe colóquio e interpela José Niza» associada a um pequeno video de 1m56s sobre os factos relatados, texto e video que foram «empurrados» automaticamente para o Sapo. No entanto, pouco tempo depois, cortaram as ligações e fizeram desaparecer tudo...
Talvez seja melhor adoptar, aí no jornal, o bom método salazarista da censura prévia, para obviar a este género de incómodos.