quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Salif entre os Ben Walid




http://www.youtube.com/watch?v=l-N13HixFFA

Na linha da frente. É ele a alma, agora. O pai passou à história.

PS O Kadafi velho fazia bem em abdicar formalmente. Facilitava as coisas. À falta de golpe fatal, a NATO sobe a parada: vão agora tentar destabilizar Marrocos e Argélia...

sábado, 27 de agosto de 2011

No more MASS brain washing!


Não se deixem enganar pelas notícias nos media!

Estão a querer fazer-vos uma lavagem ao cérebro...




Incrível: acabou-se de repente o «politicamente correcto» na América; quando se passa dos limites da hipocrisia e da ganância, cai-se na demência assassina! Cada vez mais americanos dizem claramente o que pensam do caminho que o seu governo quer impor ao mundo. Não vão por aí! Não percam: entrevista de historiador americano à TV iraniana: http://www.youtube.com/watch?v=gpB2LKLToog

Os russos parecem finalmente ter acordado e contra-atacam: acusam agora os americanos de ter mentido, aquando do pedido do mandato na ONU, ao afirmarem que Kadafi estaria a utilizar a sua aviação contra os seus compatriotas. Os russos mostram provas. Suficiente para refrear os entusiasmos? http://www.youtube.com/watch?v=_yuZCvmN_Fg


Grande pinta esta líbia! Até faz um manguito ao Obama. Manifestações em território rebelde: agora não podem dizer que são pagos pelo regime; as pessoas correm riscos para o fazer! Ao contrário das outras imagens de Tripoli, onde não se vê ninguém a não ser rebeldes. http://www.youtube.com/watch?v=_5EpvO47CUE

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

+ uns LINKS




7ze em missão no Norte de África! As melhores fontes de informação...

1) Lindíssimo, a não perder. Fiquem a saber as verdadeiras razões da operação da NATO: Kadafi, que ultimamente se convertera em ultra-liberal, tinha tido uma ideia, criar um dinar-ouro, como alternativa ao dólar, que todos os países da OPEC deveriam exigir em troca de petróleo. Mas vejam até ao fim, Obama a ser violentamente interpelado, num programa de rádio, por um líder black espectacular: melhor que Jazz! http://www.youtube.com/watch?v=w81x7WfGilI&feature=related

2) As opções estratégicas: passar à guerrilha. Aquilo que se perde em território, ganha-se em mobilidade. http://www.youtube.com/watch?v=B5oIj2rgt6U&NR=1

3) Para quem tenha paciência (e estôgamo), vejam a série! Este utilizador do YouTube tem mais... http://www.youtube.com/watch?v=RjUP3WA9APY

4) Horrível! Execuções a sangue frio de soldados regulares capturados... http://www.youtube.com/watch?v=70-QwPHMxDE&feature=related

5) Os crimes da NATO, continuam... no meio do desespero geral. http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=ZeNRs1E83gs

6) Uma análise esclarecida, por parte de um insuspeito ex-PM belga!
http://www.youtube.com/watch?v=2mHTPEb58HE&feature=related

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

FILAS ao contrário

Novo episódio da desordem mundial. Tripoli invadida, com o apoio da NATO, por um bando de bandidos e desordeiros. Diga-se, em abono da verdade, que nunca achei muita piada ao autor do livro verde, na sua tenda a beber leite de camela, sempre tentando polarizar a legimidade árabe - que invejava em Nasser - para a qual aparentemente nunca esteve destinado. No entanto, acho indecentes e indecorosas as atitudes da França e Inglaterra: apenas em busca de petróleo? ou de uma nova ordem colonial? Obrigados pelos americanos, em 1956, a recuar no Suez, apostam agora na ilusão de uma «partilha» imperial, com os americanos: uma oportunidade de reequilibrar a balança europeia, que parecia pender perigosa e definitivamente para o lado alemão; aos americanos, desgastados noutros lados, com manifesta falta de cultura geral e de sentido histórico, para além de hesitantes em envolverem-se, esta «aliança» parece, se não apenas pontualmente conveniente, talvez mesmo estruturalmente interessante.

Quero portanto, como cidadão europeu que nunca quis ser, desmarcar-me destas atitudes dos governos imperialistas de certos co-estados-membros. Esta atitude configura claramente uma situação de ingerência nos assuntos internos de estados soberanos, para além de uma péssima opção estratégica, com a agravante de que vai provocar mais uma impressionante tragédia humanitária, com o seu cortejo de ódios. O preto que se enganou na cor da Casa, enganou muita gente, mas já nem sequer respeita a antigamente sacro-santa Constituição, que foi a espinha da América, Constituição que o obrigava a pedir autorização ao Congresso para declarar a Guerra: mas também não faz a coisa por menos; com tanta desgraça e gente a morrer, resolveu a cena com uma rápida, sobranceira, arrogante e irritante explicação pela TV «Não preciso de pedir autorização ao Congresso porque já ganhámos a guerra»; por este caminho vai voltar a fazê-lo, claro. Com o mesmo despudor. E os americanos papam, baixa só meio pontinho nas sondagens.

Aparentemente, os árabes e muçulmanos estão divididos. Se no terreno parece ser uma irmandade multinacional (uma espécie de maçonaria árabe) que congregou uma insatisfação latente, chamando mercenários e bandidos de vários países (basta ver imagens dos «combates», do lado dos «rebeldes» são tudo menos civis entusiamados), já o aparente apoio saudita é bem mais estranho. Em África, o melhor exemplo vem do país de Nelson Mandela (a alma da reconciliação) que continua a recusar reconhecer o pretenso «governo» como resultado de um levantamento popular (que seria legítimo); considerando tratar-se antes de sedição. Assinale-se também a prudente posição da Rússia, afirmando ser ainda cedo para reconhecer esse «governo» (não íam chamar-lhe associação de malfeitores...), que só o farão se estes «dominarem o país com força suficiente».

A situação pode parecer desesperada. No entanto, analisando friamente a situação, constatam-se várias brechas na «muralha» rebelde. Kadafi fala em «retirada estratégica». O coronel pode ter muitos defeitos, é definitivamente um falhado, mas aprendeu, ao longo dos anos, pelas piores razões e utilizando os piores métodos, a manter bem alerta o instinto de sobrevivência (não vamos, claro, ao ponto, de lhe chamar raposa, pois, dado o cenário, correríamos o risco de ofender a memória do Marechal). Mas não é ele que me interessa. Aparentemente na sombra do pai, SALIF prepara algo há meses, vejam, esta notícia poderia ser de há poucas horas:

http://www.youtube.com/watch?v=3OTYqpZFSTc
Na Segunda-feira, a notícia caía como uma bomba: o complexo presidencial acabava de cair e o filho de Kadafi (poderiam ter escolhido outro, mas não, era Salif) fora morto nos combates; algumas horas depois, afinal não fora morto, estava em poder dos rebeldes, «que o estariam a tratar bem». Ora, logo na madrugada de Terça, o «morto» dava uma Conferência de Imprensa, em directo, para 35 jornalistas estrangeiros especialmente acreditados (e mantidos para o efeito) no Hotel Roxio. Não era um homem perseguido: transbordava boa disposição, mesmo. Era um vencedor. E estava a falar uma linguagem (árabe) muito clara, ao contrário do pai, que está meio chéché há um quarto de século.













http://www.youtube.com/watch?v=LlVu7X8FJ_4
Pensando bem... Qual é a melhor maneira de dinamitar uma aliança rebelde? Trocar de campo. Deixá-los ocupar. É que enquanto se defende, é preciso dispersar as forças e manter uma autoridade difícil perante a situação. Até aqui, muitos líbios, poderiam ainda estar com o espontâneo e eventualmente legítimo «levantamento popular». No entanto, a partir de Terça, todos começaram a mudar de campo, com as barbaridades cometidas pelos estrangeiros. Salif passou a dispor de gente disposta a morrer por ele, aquilo a que a maior parte dos terroristas que se auto-intitulam rebeldes (para além de uma ínfima franja multinacional decerto mais crédulos e ingénuos) não estão dispostos. Além disso, agora que já não precisa de defender um território, pode concentrar as suas forças onde decidir bater. Será que reserva alguma surpresa? No caso de uma reviravolta no terreno, será bastante difícil a França e Inglaterra retirarem os seus espiões e forças especiais, que assumida e insidiosamente não apenas forneceram armamento e deram apoio logístico, como combateram ao lado dos bandidos e saqueadores. Estando no terreno em trajes civis (os meios de comunicação dizem «vestidos de árabe»... como se toda a gente não visse que a maior parte dos locais vestem como aqui em Portugal ou em qualquer parte do mundo, era como se viessem montados para o Ribatejo vestidos de campinos para passarem despercebidos) e não gozando de qualquer protecção por parte das Convenções de Genebra, até pela forma (pouco) diplomática e não declarada da intervenção dos respectivos países mandatários, podendo ser, portanto, legítima e sumariamente abatidos, permitam-me desde já que interceda por eles: julgo que seria suficiente, e um bom exemplo de humanidade, dar-lhes apenas (poupando os de origem muçulmana, que foram, claro, escolhidos para a missão por serem «sacrificáveis») uns valentes tabefes à frente do mundo, para os executivos dos respectivos paísesinhos e os paizinhos verem em directo pela televisão. Teria um efeito interno altamente galvanizador, lembrando a Embaixada americana junto do Chá, sendo externamente bastante pedagógico.

A legitimidade árabe é algo difícil, na qual os estrangeiros, aos países e à fé, se não deviam meter. É que pode-lhes sair o tiro pela culatra, o que, no momento que vivemos, seria altamente oneroso. Quer-me parecer que Salif agradece a oportunidade que lhe deram e que não está disposto a desperdiçá-la. Boa sorte para Salif e oxalá acabe rapidamente com a praga na Líbia, exterminando radicalmente as baratas.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Terror privado? ou a manipulação de um rejeitado?

Irritante? O beto levou a melhor.

Conseguiu catalizar o momento e publicitar o «seu» manifesto. Perante a actual crise de legitimidade (U$A, €uropa, países árabes), primeiro pareceu-me que a mensagem essencial seria a de uma nova era aberta ao terrorismo individual. O único precedente conhecido foi Theodore Kaczynski, que ficou conhecido como Unabomber (também deixou um manifesto), mas com a grande diferença de este ser selectivo e actuar na base do 1/1: só matava um de cada vez; essencialmente, este brilhante matemático visava congéneres, com bombas artesanais que encaminhava pelo correio.

Passe a estupidez de os meios de comunicação mundiais (não resisto a chamar-lhes burgueses-marxistas, utilizando a terminologia do «artista») estarem a tentar censurar o(s) manifesto(s) do rapaz, numa clara reacção do politicamente correcto à propaganda subversiva. Ninguém enfia o barrete tão para baixo: isso mais parece a política da avestruz, para além de ser claramente pernicioso para a intenção formal, apenas servindo de mais publicidade ao objecto.

Uma leitura atenta do panfleto poderá revelar que não se trata de uma obra individual, mas antes de uma compilação impingida por alguns mestres «espirituais» pseudo-templários, com pretensas ligações à maçonaria regular, cujo rasto é fácil de seguir na internet. De qualquer forma, o resultado não é bonito nem recomendável. Configura mais uma ofensa ao próprio terror, até agora de causas e obra de organizações. A dantonesca cabeça de Robespierre deve rolar umas voltas, no panteão revolucionário.

Banalizado e futilizado, o terror! Que diz o palestianiano quando vê o filho sair de casa? «_Lá vai o meu rebento». E a mãe assente. Isto sim, é consistência social. Pessoalmente, tenho pena do rapaz (e do pai): no início da adolescência, fez um desenho, mostrou ao pai e o pai não gostou; para além de ter abandonado o filho, o idiota vem agora com declarações à imprensa a dizer que «preferia que o filho se tivesse suicidado»! Devia era cortar a pila, para castigo (aliás, devia tê-la cortado antes de fazer merda - não diz o Senhor: «Se a tua mão é ocasião de pecado, corta-a. Mais vale ires maneta para o céu que inteiro para o inferno»). Quanto ao filho, se queria publicidade, teria outra dignidade e o mesmo resultado, ou mesmo mais, a imolação pelo fogo, como fez o jovem tunisino.

Se até aqui, restava ao terror alguma dignidade, perdeu-a por causa deste beto nórdico egocêntrico e estragado com mimos. O arsenal dos pobres ficou mais pobre. Talvez devêssemos reflectir sobre o caminho de barbárie que leva este mundo sem regras e a deriva das identidades assassinas para a qual há muito chama a atenção Amin Maalouf.

sábado, 30 de abril de 2011

Mentiroso e hipócrita

No almoço comemorativo do 25 de Abril, tive a oportunidade de perguntar ao Senhor José Niza, se estava a pensar retractar-se publicamente, conforme lhe tinha solicitado. Primeiro balbuciou coisas incompreensíveis, depois disse que mantinha que era verdade, virando as costas e começando a afastar-se: imediatamente lhe atirei com um «_O senhor não passa de um mentiroso e de um hipócrita»; o senhor José Niza ainda tentou representar a comédia do «ofendido», mas depois de o olhar nos olhos lá afastou a sua incómoda presença, deixando-me almoçar descansado. Pois é, senhor José Niza, teve a sua oportunidade para rectificar a gaffe que cometeu, mas não quis aproveitá-la.

Realmente não passa de um aldrabão e de um troca-tintas sem escrúpulos, que passou toda a vida a enganar toda a gente, não hesitando em tudo e todos submeter à sua despudorada vaidade: há três anos, «Afirmou-se reconfortado com as manifestações de apreço no ano em que completa 70 anos de vida e voltou ao humor com fundo histórico: “Cesário Verde só publicou um livro e do meu vão fazer 30 mil exemplares”»... Pior: em pleno delírio da sua pueril megalomania, quis amesquinhar Salgueiro Maia. Há limites para a paciência!

Permitam-me que cite Salgueiro Maia, nas linhas que se seguem aquelas que já citei...

«Resta-nos, na orgulhosa situação de implicados no 25 de Abril, criticar os muitos que pagam o idealismo e a generosidade dos Capitães de Abril com:

- a corrupção

- a incompetência

- o compadrio

- o circo do poder

até quando?»

O senhor José Niza e os seus amigos do P.S. de Lisboa são os responsáveis morais pelo estado a que isto chegou. Os mesmos que, a 24 de Novembro de 1975, se puseram a caminho do Porto com a Constituinte às costas, apostados em abrir a «caça ao comunista», numa guerra civil do Norte anti-comunista contra o sul comunista, da qual pretendiam sair como heróis... Como «corajosos« que eram, só pararam em Vigo, de onde pretendiam assistir, da esplanada, a uma distância respeitável, ao espectáculo de ver os portugueses a matarem-se uns aos outros. O bom senso de pessoas como Salgueiro Maia, uma vez mais evitou o pior. Dispensamos, por isso, que vertam lágrimas de crocodilo, pelos homens de Abril, que vos ofereceram generosamente uma oportunidade para mudar o país, lamentavelmente desperdiçada com toda a vossa hipocrisia, incompetência e indigência moral e espiritual. Vejam, para terminar o «circo», o elogio mútuo que esta gentalha pratica:


Modesto, o Niza? Pois... até metem dó. Pretendem com isto iludir o povo acerca das vossas reais responsabilidades? Lavar as mãos à Pilatos? Sacudir o pó da lapela? Só que infelizmente já não é só pó, é m.... mesmo. Não se mexam muito senão vai começar a cheirar mal.

Por tudo isto considero lamentável que o nome de José Niza tenha sido associado às comemorações do 25 de Abril: considero que foi um erro da Comissão das Comemorações Populares, esperando que não se volte a repetir no futuro. A expulsão do José Niza da referida Comissão, conforme já aventado em reunião da mesma Comissão, seria talvez a melhor forma de resgatar o mau passo deste ano.


Quanto a si, Senhor José Niza, o seu nome, fique descansado, ficará lembrado, como pretendia. Mas como objecto de asco e público opróbrio, como merecem os vis e repugnantes invertebrados rastejantes.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Homem lá saiu de cena...






Não estava no programa


nem é considerado notícia...

Envergonhadamente, o Mirante lá acusou o toque, sob a pica(e pito)resca classificação de Cavaleiro Andante.

http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=492&id=73785&idSeccao=7985&Action=noticiaidEdicao=492&id=73785&idSeccao=7985&Action=noticia

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Arrependimento ou censura?












O Mirante on-line chegou a publicar uma pequena notícia «Espectador interrompe colóquio e interpela José Niza» associada a um pequeno video de 1m56s sobre os factos relatados, texto e video que foram «empurrados» automaticamente para o Sapo. No entanto, pouco tempo depois, cortaram as ligações e fizeram desaparecer tudo...

Talvez seja melhor adoptar, aí no jornal, o bom método salazarista da censura prévia, para obviar a este género de incómodos.

domingo, 17 de abril de 2011

Crónica de uma sanha anunciada


Finalmente concretizei o que me prometi há 3 anos, com o Manifesto Anti-Niza. http://7ze.blogspot.com/2008/06/manifesto-anti-niza.html Bem sei que neste país a mentira, por muito descarada que seja, ganhou foros de lugar comum, apostando-se cada vez mais na memória curta do vulgar cidadão. Infelizmente para alguns, talvez, há verdades que considero inquestionáveis, que fazem parte da minha história e da minha identidade, das quais não poderia abdicar sem colocar em causa a minha dignidade. Aqui fica o relatório dos factos. Ontem, dia 16 de Abril, pelas 21h30, dirigi-me à Escola Prática de Cavalaria para um Colóquio sobre as senhas de Abril, com o Coronel Correia Bernardo (a Lusa difundiu o erro de lhe chamar «Bernardes»), Otelo Saraiva de Carvalho, Paulo de Carvalho, Joaquim Furtado e José Niza. Esperei pelo fim da conversa para pedir educadamente a palavra ao moderador, Joaquim Furtado, agitando o livro dos depoimentos de Salgueiro Maia, que ele obviamente conhecia, pois acabara de o citar. No entanto, após breve consulta ao organizador do evento, ao seu lado esquerdo, José Niza, «esqueceu-se» do pedido. Marchei pois em direcção ao palco, pois não estava disposto a deixar escapar a oportunidade. Face a uma tentativa de interposição do Joaquim Furtado, declarei que o 25 de Abril tinha sido feito a favor da liberdade de expressão e que o evento fora apresentado como Colóquio e não como Solilóquio. O Joaquim Furtado, por quem, aliás, tenho o máximo respeito como jornalista (bastar-me-ia lembrar os programas sobre a Guerra Colonial), ainda balbuciou algo como «não estarem previstas intervenções» e «tinha de começar o concerto». Face à debilidade da oposição, tomo-a por uma autorização, subo o degrau para o palco e sinto que alguém me agarra o braço: era José Niza que me convidava «a ir falar lá para fora»; sacudi-o veementemente. Eu fora ali para uma reparação pública e não para um duelo. Adquirido o direito de me dirigir à assistência, deixo aqui de memória o essencial do meu discurso, daquilo que me lembro de ter dito em alta voz, sempre virado para o visado: «Há 3 anos, por ocasião das Comemorações do 25 de Abril, o jornal Mirante, cuja sede é aqui bem perto, publicou um livro de poesia de José Niza, que foi amplamente distribuído com o Semanário Expresso. O destaque de capa inteira ía para uma entrevista a José Niza, dando por título «Salgueiro Maia quis entregar 150 G3 na sede do PS em Santarém.» referindo-se ao dia 24 de Novembro de 1975. Infelizmente, Salgueiro Maia já cá não está para o contradizer. No entanto, tenho aqui as suas memórias, escritas pelo seu punho, das quais um excerto, páginas 86 a 87, acaba de ser citado por Joaquim Furtado. Passo a citar Salgueiro Maia, nesse mesmo livro, página 110: Num almoço com o coordenador da acção do 25 de Novembro, concordei em actuar nas condições referidas, tendo por especial preocupação evitar a distribuição de armas a civis, até para evitar uma guerra civil. _Sr. José Niza: a sua entrevista correspondeu a um momento menos feliz da sua carreira, compreensível no âmbito de uma saúde comprometida. Aproveito o ensejo de estar aqui presente nestas comemorações para lhe manifestar a minha indignação e lhe pedir humildemente para se retractar em público. Deve-o à história» Um elemento da assistência levantou-se então com «maus modos» a dizer que lhe estava a adiar o concerto, pelo que abandonei a sala, infelizmente sem agradecer à audiência a atenção que tinha solicitado e recolhido. Desde já as minhas sinceras desculpas a todos os presentes, bem como o meu obrigado pela salva de palmas à qual a causa que julgo justa e soube apresentar teve direito. De dar que pensar ao Senhor José Niza.

José Fernando

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Teotina








Não posso deixar de partilhar uma história verdadeira. Faço-o porque me emocionei, porque não encontrei qualquer registo na net, porque me parece algo digno de memória. Para além da memória das 2 ou 3 testemunhas oculares que ainda vivem, uma das quais em Santarém, de quem a ouvi. Passa-se em Mondim da Beira, a poucos Km de Lamego, no fim da Segunda Guerra Mundial. São, aliás, duas histórias, vistas pela mesma pessoa, da janela do seu quarto...
O senhor Zé, ainda um rapaz novo, tinha uma mula, que usava como meio de transporte. Maltratava muito o bicho usando de pauladas, por tudo e por nada... Fazia impressão vê-lo chegar e bater no coitado do animal sem qualquer razão aparente. Um dia, a mula, que até aí nunca dera provas de irascibilidade ou de ser especialmente teimosa para além da natureza própria deste género de híbridos animais, deve ter achado que era demais! Abocanhou o senhor Zé pelo músculo do braço e, sem qualquer ruído, enterrou a boca e começou a sugar-lhe o sangue. A quem tentava aproximar-se para acudir ao pobre coitado do senhor Zé, dissudia com um olhar de fúria e ameaças de coices, embora sem nunca se distrair do que estava a fazer. Ao senhor Zé, deixou-o depois cair, já morto e sem pinga de sangue. Um vizinho foi buscar uma caçadeira e abateu a endemoninhada mula.
Precisamente nesse ano, na quinta do lado, morreu a vaca, ao parir. O agricultor reuniu os filhos para discutir o futuro da bezerrita, sugerindo vendê-la, na feira, pois não havia maneira de a criar. A filha mais nova, Teotina, então com 12 ou 13 anos, avançou e disse ao pai que ficasse descansado, que a criava ela, ao peito. E assim fez... Se seu pai não era rico nem abastado, era remediado, não faltando nada lá por casa. Sobrava mesmo algum dinheiro ou bens, que o pai repartia pelos irmãos na medida que lhes competia, não pelo seu simples nascimento (como hoje se vê), mas sim pelo trabalho que cada um prestava.
Tudo o que Teotina ganhava, distribuía pelos pobres e carenciados. Se faltava pão nalgum casebre, já se sabia que a Teotina era a primeira a saber e lá preparava um cestinho de verga onde colocava alguns géneros de primeira necessidade para acorrer aos aflitos. Viam-na passar sempre a pé, alegre com os seus cestinhos, que chegava a entregar em aldeias bem distantes. Ao Domingo, preparava umas broas grandes, do tamanho de um pão, feitas de mistura de milho com centeio e outros cereais que conseguia arranjar, que eram uma delícia. Postava-se à porta da igreja e à saída da missa todos os pobres se regalavam e tiravam a barriga de misérias...


A bezerra criou-se tão bem que se transformou numa bela vaca. Teotina levava-a a passear ao lameiro todos os dias para que pudesse comer sempre erva fresquinha. Tiotina aproveitava todo o seu tempo: no caminho para o lameiro, atava a vaca à cintura, com uma corda, para ficar com as mãos livres para poder ir tricotando meias de lã para os pobres.
Um dia, indo com a vaca para o lameiro pelo silêncio do caminho, ao passar em frente à garagem do senhor Rufino, que consertava os modernos automóveis e carros praça, que então se usavam, o filho ligou um dos carros que estavam a arranjar... A vaca assustou-se de tal maneira que disparou numa correria desabrida, apavorada e levando a pobre da Teotina de rojo pelos caminhos, de volta a casa, sem que ninguém lograsse travá-la. Ali chegou já muito desfigurada, acabando por partir o pescoço, contra uma pedra que fazia cotovelo. A morte de Teotina impressionou muito a aldeia, as pessoas quotizaram-se e ofereceram um magnífico vestido branco, de noiva. A história circulou, em quadras que o povo cantava pelas feiras, último estertor da época de transmissão oral, então sob a rude concorrência da moderna Rádio. Eis como começava:

«De luto Mondim da Beira

chora a freguesia inteira

por uma infeliz desgraçada

que uma vaca conduzia

De repente esta fugia

e por ela foi arrastada

já de rastos pelo chão

grita com aflição

Acuda-me senhor Rufino

de repente este aparece

mas a vaca não obedece

e assim segue o seu destino(...)»

Muitos anos mais tarde, depois do caixão de madeira se desfazer, o padre proibia as pessoas de irem ao cemitério em certos dias certos. Num desses dias proíbidos, chegou a lá ir o Bispo de Lamego. Depois veio-se a saber a razão de tal secretismo. Desfizera-se a madeira e o vestido, mas lá estava o corpo incorrupto a exalar um odor de santidade. Voltaram a vesti-la, e a operação tem-se repetido...