Ben Walid continua a sua resistência heróica. Qual espinho encravado na garganta do leão...
Segundo o Los Angeles Times de hoje, os invasores queixam-se de que, «cada vez que entram na cidade, os tiros parecem vir de todos os lados.» Pois. É isso mesmo. Segundo o correspondente, entre aqueles que cercam a cidade, a Norte, o desalento e a angústia (para não falar das simples rixas tribais, normais entre os ratos) quanto ao desenlace desta guerra substituiram a certeza da vitória certa, demasiadas vezes propalada pelos canais de comunicação (da queda iminente de Ben Walid, Sirte ou Sába, «uma questão de horas» como diziam): segundo Ismael Abuda, «Há lá um monte de civis, mas parece que continuam todos com o Kadafi».
Como dizia, no mesmo jornal, uns dias antes, um pai de família com sete filhos que se recusa a fugir da cidade de Sirte, apenas aceitando dormir ao ar livre, nas redondezas, para evitar os bombardeamentos da NATO: «Os rebeldes são piores que ratos. Transformaram a nossa vida num inferno. Já há muito pouca comida, não há suficiente água potável e não sobra nenhum combustível. Antes tínhamos vidas saudáveis. Agora somos tratados abaixo de animais. Gostaria que o tempo pudesse andar para trás e que as coisas voltassem a ser como antes de Fevereiro deste ano». A filha, quase que a desculpar o pai, acrescenta: «O meu pai gosta do Kadafi. Gosta tanto que o sangue que lhe corre nas veias não é vermelho, é verde».
Segundo outro refugiado da cidade, Mohammed Farjan, a maior parte das pessoas da cidade eram contra Kadafi e estavam disposta a apoiar uma transição nacional pacífica. Mas quando começou a campanha da NATO, a maior parte mudou de opinião, começando de novo a apoiá-lo. Como é possível que tão pouca gente se insurja contra a continuação desta farsa, esta clara e manifesta hipocrisia de se dizer que estão a largar bombas para proteger civis?
As tentativas de desinformação continuam. A última teve a sua piada, quando os líderes dos ratos natos anunciaram a captura de Mussa Ibrahim, o ministro da Informação de Kadafi, com requinte de pormenores: fora apanhado quando fugia da cidade, vestido, imagine-se, de mulher! Notícia propagada nas primeiras páginas dos mais «credenciados» jornais ingleses, como o Telegraph; claro que o desmentido ocupou depois um décimo do espaço convenientemente escondido nas páginas interiores.


0 emplastros:
Enviar um comentário